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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Regressados e (des)controlados

Tal como os My Bloody Valentine, Ride ou Slowdive nos últimos anos, também os LUSH têm direito a uma segunda vida (e a uma nova geração de fãs) depois de terem aproximado o shoegaze da pop em inícios da década de 90.

 

lush

 

Em Dezembro, os britânicos já tinham editado "Chorus", caixa especial com os três álbuns e duas compilações, lançamento que acompanhou o anúncio do regresso aos palcos pela primeira vez em 20 anos (agora com Justin Welsch, ex-baterista das Elastica, a substituir Chris Acland, que se suicidou em 1996). Mas ao contrário do que aconteceu com outros colegas de percurso, além dos concertos também há canções novas, pelo menos as quatro do EP "The Blind Spot", previsto para 22 de Abril, novamente através da 4AD.

 

Daniel Hunt, dos Ladytron, é um dos produtores do disco (o outro é Jim Abiss), escolha que fará sentido para quem ouviu álbuns como "The Witching Hour" e sobretudo "Velocifero", cuja mistura de guitarras estratosféricas e duas vozes femininas etéreas deve alguma coisa à banda de "Spooky" e "Spit". E esses estão longe de ser caso único, como têm mostrado grupos na linha dos Asobi Seksu, The Pains of Being Pure at Heart ou School of Seven Bells ao longo dos últimos anos.

 

Apesar da considerável produção recente inspirada no lado mais melódico do shoegaze, a primeira canção dos Lush em duas décadas acaba por não se confundir com nenhuma nova banda e soa inequivocamente a... Lush. "OUT OF CONTROL", o novo single, caberia facilmente num disco antigo do quarteto, mas nem por isso deixa um travo anacrónico. Tem antes um sabor intemporal, até porque o tempo não parece ter passado pela voz de reconhecível de Miki Berenyi, mais uma vez a embalar uma canção atmosférica, aqui na faceta controlada q.b. do grupo (ou seja, distante da tensão instrumental e emocional de clássicos como "Desire Lines" ou "Superblast!").

 

Um regresso mais acolhedor do que surpreendente, é certo, e talvez seja melhor assim. O refrão vai pedindo audições repetidas e o videoclip, ancorado na adolescência com toques de melancolia e realismo britânico, assenta-lhe bem: