
O melhor de "Moneyball - Jogada de Risco" é também, muito provavelmente, o que faz dele um dos filmes mais falados do momento: Brad Pitt. Já tinha sido assim, aliás, com "Capote", a obra anterior de Bennett Miller, carregada às costas pelo desempenho de Philip Seymour Hoffman. Se aí o realizador norte-americano tentava - e por vezes conseguia - fugir aos lugares comuns do biopic, desta vez aposta em contrariar os clichés dos filmes desportivos, partindo da história verídica de um manager de uma pequena equipa de basebol.
Reduzir "Moneyball - Jogada de Risco" a um filme sobre basebol seria injusto, não só porque a estratégia implementada pelo protagonista poderia aplicar-se a outros desportos (e não só), mas porque Miller se esforça por não limitar o protagonista à sua profissão. A tentativa é bem sucedida, já que o realizador encontrou em Brad Pitt um actor capaz de dar densidade, espontaneidade e humor a uma personagem de corpo inteiro, embora não chegue para salvar o filme.
Os secundários nunca vão além da caricatura - o que é pena quando Jonah Hill, um dos miúdos de "Super Baldas", prova que não se restringe à comédia e Philip Seymour Hoffman passa quase despercebido - e os longos, pormenorizados e recorrentes diálogos técnicos, se até começam por dar alguma força ao filme (uma das primeiras cenas, numa reunião, será irresistível para aspirantes a argumentistas), não demoram muito a torná-lo numa obra por vezes demasiado hermética, cerebral, mecânica... e aborrecida. Em alguns momentos, como as sequências do protagonista com a filha, as personagens - e o espectador - conseguem respirar, mas no geral "Moneyball - Jogada de Risco" acaba por ser um filme que, como muitos jogos, sairia a ganhar com um pouco mais de emoção e surpresa.


"Tudo acaba", diz a frase promocional de "Harry Potter e os Talismãs da Morte: Parte 2". E parece que, pelo menos por agora, é mesmo desta que a saga do jovem feiticeiro criado por J.K. Rowling tem um ponto final - para gáudio de muitos e tristeza de outros tantos, como na maioria dos fenómenos.
Mas para despedida, o oitavo filme da série sabe a pouco. Pior: não deixa grande sabor, embora dure mais de duas horas. Como alguns episódios anteriores, o que este tem para oferecer é pouco mais do que um jogo de pistas onde a arbitrariedade parece ser lei, os vistosos valores de produção tentam ofuscar a realização impessoal de David Yates e os diálogos são quase todos explicativos e mecânicos.
Ainda assim, não se pediriam grandes ideias de cinema caso o entretenimento estivesse assegurado, tarefa que o filme raramente cumpre: este universo já foi explorado até à exaustão e, por isso, dificilmente surpreenderá alguém. Dos ambientes aos truques, já está tudo visto e revisto, situação que nem uma revelação forte, na segunda metade do filme, consegue compensar.
Sobram as personagens, e é por alguma afeição que possamos ter por elas que "Harry Potter e os Talismãs da Morte: Parte 2" merece ser visto - mesmo que o desenvolvimento do trio protagonista saísse a ganhar no filme anterior, mais denso e contemplativo.
"Tudo acaba", diz a frase promocional. Neste caso, ainda bem.

"Explode", o novo disco dos Gift
"Howling Songs" (2008), o mais recente disco de Matt Elliott, foi que motivou o regresso do cantautor britânico à ZDB, em Lisboa, na noite de sexta-feira, após uma passagem pelo mesmo espaço no ano passado.
O álbum, o terceiro de uma trilogia iniciada com "Drinking Songs" (2005) e que continuou em "Failing Songs" (2007), apresenta mais um conjunto de canções atormentadas e frequentemente claustrofóbicas, assentes numa folk sombria que sugere proximidades com a melancolia balcânica de Beirut, a amargura de alguns momentos de Leonard Cohen ou a carga estranha e perturbante de Scott Walker.
Embora o músico confira intensidade aos seus discos através de uma considerável complexidade intrumental e de uma voz envolvente tanto nos episódios sussurrantes como nos mais intempestivos, estes pecam por conter canções demasiado semelhantes e não conseguem evitar alguma monotonia.

Ao vivo o cenário não se mostrou muito diferente, e ao longo da hora e meia de actuação não foram poucos os momentos em que o trovador urbano pareceu estar a cantar e tocar sempre o mesmo tema - a duração destes, muitas vezes longa, também contribuiu para isso.
Mas nem foi por esta excessiva homogeneidade que o concerto desapontou, já que apesar das canções não terem estruturas muito distintas umas das outras e de por vezes geraram algum cansaço por apostarem sempre em atmosferas nos limites da depressão, revelam solidez e beleza suficiente para compensar estas limitações - seja nas magnéticas sobreposições vocais ou nos contrastes abruptos entre episódios apaziguados e explosivos (por vezes quase noise).
Infelizmente, estes temas foram mal aproveitados por uma actuação que dificilmente pode considerar-se um concerto, pelo menos se por este se entende que o músico em palco de facto canta e toca o que se ouve.
E a sensação que Elliott deixou foi a de que uma grande parte - para não dizer gigantesta - do que se ouviu era material pré-gravado, que mais do que complementar o espectáculo se impôs como o elemento central.

E quando assim é, por muito boas que as canções sejam - e as de Elliott nem são das mais inspiradas -, o resultado dificilmente deixa de ser frustrante, sobretudo quando não há muito a acontecer em palco - o cantautor tocou sozinho, alternando entre duas guitarras e ocasionais passagens pela flauta e escaleta, embora estas últimas tenham passado quase despercebidas entre os sons pré-gravados.
Foi no mínimo decepcionante ver o músico cantar com alguma entrega e, de repente, a trocar uma guitarra por outra, deixando de cantar mas sem que a sua voz - a parte pré-gravada - tenha deixado de se ouvir. Ou quando deixou de tocar para se concentrar num assobio e os acordes que tocava continuaram audíveis.
Exemplos destes repetiram-se ao longo de toda a actuação, e se se compreende que seja impossível apenas uma pessoa tocar em simultâneo tudo o que as canções exibem em disco, enveredar por este tipo de soluções torna o que poderia ser um concerto com alguma densidade num karaoke mal disfarçado.
É certo que muitos concertos recorrem a sons pré-gravados, mas quando essa opção se revela tão exagerada seria preferível simplificar as canções ou convocar outros músicos.

O momento mais paradigmático registou-se no último tema antes do encore, "The Maid We Messed", simultaneamente o melhor e pior do concerto.
O melhor porque é uma composição espantosa, provavelmente a mais memorável de Elliott, cuja electrónica presente num breakbeat hipnótico em crescendo tem mais a ver com o seu projecto anterior (e mais interessante), Third Eye Foundation, do que com o que desenvolve em nome próprio, tendencialmente acústico.
Mas foi também o pior da noite porque se tornou penoso ver um tema tão bom ser apenas reproduzido mas não interpretado, já que o músico apenas alternou instrumentos que pouco ou nada interferiram naquilo que de facto se ouvia - material pré-gravado, mais uma vez.
Ainda assim, e apesar de alguns espectadores terem saído a meio, a maior parte do público de uma sala bem composta não deixou de aplaudir no final de cada tema - e à saída ouviram-se muitas reacções de entusiasmo.
Elliott retribuiu, tanto em constantes "obrigados" como em elogios à concentração e silêncio da audiência.
Ou seja, apesar de tudo o músico parece continuar a ter quem pague para o ver num eventual regresso a palcos nacionais. Mas espera-se que aí apresente um concerto a sério, porque assim não vale.

Matt Elliott - "The Kursk"
Em vésperas de Carnaval, sexta-feira prometia ter uma noite de festa no Lux, em Lisboa, ao aliar dois dignos representantes da electrónica lúdica e dançável do momento: os dinamarqueses WhoMadeWho e as alemãs Chicks on Speed.
E durante a actuação dos primeiros, dificilmente alguém terá ficado decepcionado, já que o trio de Tomas Barfod, Jeppe Kjellberg e Tomas Hoffding mostrou-se consistente e dedicado na sua mistura de punk funk com disco e pontuais contaminações electro.

A fusão que o grupo propõe, tanto no álbum de estreia homónimo como no novo "The Plot" (a editar em Março) está longe de ser original e nem sempre se distingue muito da de outros projectos que, nesta década, revisitaram o caldeirão pós-punk (aqui com maior ênfase no legado dos Gang of Four), mas resulta eficaz em disco e ainda o é mais ao vivo.
Equipados com fatos de lycra a preto-e-branco, um deles a imitar um esqueleto - que são já habituais na banda e não motivados pelas festividades da época -, acolheram os primeiros espectadores aos quais rapidamente se juntaram muitos outros, e ao fim de cerca de quarenta minutos a moldura humana dominava já toda a sala.
A força do baixo, guitarra e bateria, complementada pela envolvência da electrónica, deu ao concerto uma considerável pulsão rítmica que nunca se perdeu ao longo de um alinhamento que conjugou bem temas dos dois álbuns.

Sem serem geniais, as canções dos WhoMadeWho comprovaram que cumprem perfeitamente a sua missão quando o que se pede é música festiva e hedonista, e os bons resultados foram visíveis numa multidão que correspondeu aos disparos de energia encetados pelo grupo.
A fechar em grande uma actuação equilibrada, o ponto alto ficou a cargo de uma versão de um tema quase obrigatório em serões electro.
"Satisfaction", de Beni Benassi, impõs-se como o melhor momento de uma noite que, infelizmente, perdeu grande parte do apelo a partir do momento em que o palco passou a pertencer às Chicks on Speed.

Embora a formação da banda seja um trio, apenas dois elementos marcaram presença, e se quando partilharam o protagonismo com os WhoMadeWho - tanto no muito prolongado "Satisfaction" como mais tarde, em "Wordy Rappinghood" - ainda conseguiram convencer, o mesmo não ocorreu em grande parte do concerto.
Ou seria um DJ set? A própria banda admitiu não saber bem ao que ia, o que se tornou evidente numa actuação que uniu os dois registos sem ser particularmente sedutor em nenhum deles.
Antes pelo contrário, não foram poucas as ocasiões de gritante indigência que não deve ser confundida com a atitude punk e do-it-yourself que o grupo defende como um dos seus elementos-chave.
Mais do que musical, as Chicks on Speed são um projecto multidisciplinar que passa pelo design, vídeo, moda ou instalações de arte, mas se nestes quadrantes até podem ser uma proposta interessante, no Lux mostraram que na vertente musical não vão além de um mal disfarçado amadorismo.

Os discos, longe de obrigatórios e apesar de optarem em demasia por versões de referências do pós-punk (como as Au Pairs, B-52's ou Malaria!), conseguiam pelo menos divertir, algo que ao vivo só resultou com muitas doses de boa vontade (ou de álcool).
Admita-se que a sua presença em palco foi imprevisível, embora o efeito tenha sido quase o de andar durante uma hora num carrossel (com mais baixos do que altos) onde nem sequer faltou música de feira (algum techno duvidoso a roçar o trance).
Infelizmente os apelativos efeitos de cores do grande ecrã colocado ao fundo não tiveram contraponto no desempenho das duas protagonistas, incapazes de cantar ou dançar de forma especialmente entusiasmante.

"We Don't Play Guitars", um dos seus hinos, já dava a entender que a banda não tocaria nenhum instrumento (à excepção de algumas brincadeiras com um saxofone), reforçando o efeito karaoke do espectáculo, e como DJs também não impressionaram, oferecendo algumas das piores passagens já ouvidas no Lux - as quebras de ritmo manifestaram-se ainda num medley onde canções como "Fashion Rules!" ou "Euro-Trash Girl" se atropelaram consecutivamente.
Ainda assim, e mesmo que parte do público tenha saído durante a actuação, a dupla manteve muitos espectadores animados até ao final, para o qual contribuiu convidar mais de uma dezena para o palco, uma das manobras de distracção que não colmatou, no entanto, a inconsequência de um espectáculo com um desagradável sabor a embuste.
WhoMadeWho 
Chicks on Speed 
WhoMadeWho - "TV Friend"
Dave Clarke feat. Chicks on Speed - "What Was Her Name?"
Em "Blackout" (2007), Britney Spears respondeu a um período negro da sua vida pessoal com o seu disco mais interessante e elogiado até então, seguindo uma sonoridade mais urbana, obscura e arrojada (quando comparada com a dos primeiros) já iniciada do anterior "In the Zone" (2003).
"Circus", o seu sexto álbum, chega um ano depois e não diverge muito desses domínios, oferecendo mais do mesmo mas de forma menos diversificada e um pouco mais polida.

O que não é inesperado, já que a equipa de composição e produção mantém-se e é a ela que se deve o (pouco) que vale a pena guardar dos discos, já que a voz de Spears persiste entre mais limitadas do momento - mesmo dentro do panorama geralmente não muito exigente da pop mainstream.
Em "Circus" continua a ser apenas mais um elemento de canções sintéticas e demasiado genéricas, cujos ritmos conseguem por vezes entreter sem nunca compensarem as poucas surpresas na composição.
À semelhança de Lady Gaga ou da fase recente de Christina Aguilera, o electro ganha protagonismo ao R&B, mas nem a competência da produção eleva grande parte do disco a uma réplica menor - e mais insinuante - dos Goldfrapp por alturas de "Supernature".
E se aí a dupla de "Ooh La La" já não estava nos deus dias de maior inspiração, em "Circus" o sabor é ainda mais requentado.

"Womanizer", o primeiro single, é um dos exemplos mais evidentes, esgotando-se ao fim de uma ou duas audições por culpa de um refrão repetido até à exaustão, sendo daquelas canções facilmente assimiláveis pelos piores motivos.
Felizmente o disco tem episódios mais conseguidos, e não por acaso surgem todos na primeira metade.
"Kill the Lights" será talvez o mais recomendável, que tanto lembra uma das melhores canções da cantora, "Toxic", como remete para "Maneater", de Nelly Furtado.
Imersa em texturas e batidas sujas e ásperas, Spears tem aqui um dos momentos onde aborda a sua relação com a fama, questão que poderia pensar-se já encerrada num dos singles de "Blackout", "Piece of Me", mas que volta a ser uma das temáticas de "Circus" (e estando na origem do título).

As restantes terão também uma forte carga autobiográfica, seja no retrato de uma ressaca em "Blur" ou na descoberta de uma cara-metade que não desilude em "Unusual You".
Ambas sustentadas por uma electrónica etérea e ondulante, são das poucas canções a que vale a pena regressar uma vez que as outras alternam entre o banal e o apenas curioso.
No primeiro grupo incluem-se baladas feitas a régua e esquadro como "Out From Under" e sobretudo "My Baby", no segundo cabem as mais dinâmicas "If U Seek Amy", "Shattered Glass" ou a faixa-título, que pelo menos servem um aceitável embalo rítmico.
Desta combinação desequilibrada resulta um álbum que, tal como o antecessor, cumpre os mínimos, mas ainda apresenta pouco que sugira que a sua autora (aliás, intérprete) se torne (musicalmente) relevante na pop actual.

Britney Spears - "Circus"
Infelizmente, no primeiro fim-de-semana do Queer Lisboa 12 não consegui ver os dois títulos que me despertavam maior curiosidade: "A Jihad for Love", de Parvez Sharma, e "Otto; or, Up with Dead People", de Bruce LaBruce. Não se perdeu tudo, pois ainda consegui ver alguns filmes do festival, mas as escolhas não terão sido das melhores:

"Barcelona (Un Mapa)", de Ventura Pons, uma das longas-metragens da Secção Competitiva, mergulha nas inquietações de seis personagens durante uma noite em Barcelona tendo como eixo narrativo um casal de idade.
Com frequentes cruzamentos entre o passado e o presente, este é um retrato de várias solidões, por vezes partilhadas mas nem por isso menos difícies de suportar, e tem como maior trunfo a entrega de um elenco seguro. Já a realização é menos sedutora, revelando competência mas poucas ideias, e o facto de quase todas as cenas se desenrolarem em interiores também não ajuda - elemento que funcionará melhor na peça de teatro em que o filme se baseia.
Ficam algumas boas personagens, ocasionais diálogos inspirados e uma abordagem sóbria ao adultério, homossexualidade ou incesto, que compensam um ritmo demasiado moroso e um desfecho despropositado.


Da Secção Panorama, que destaca títulos recentes que não estão em competição, uma das obras exibidas foi "Hatsu-Koi | First Love", do japonês Imaizumi Koichi, que apesar de ser a sua segunda longa-metragem expõe várias fragilidades frequentes nas primeiras. Isto porque esta história de vários adolescentes que aprendem a lidar com a homossexualidade não escapa a muitos clichés, ficando marcada por um amadorismo evidente tanto no argumento como na realização ou na direcção de actores.
O tom alterna entre o cómico e o dramático, e ainda que haja algumas cenas conseguidas em ambas as vertentes a sua combinação nem sempre resulta e dá-se mal com o tom panfletário de alguns diálogos (sobretudo em relação aos casamentos gay).
No seu melhor o resultado é simpático, no pior torna-se demasiado ingénuo e tosco, cujo auge será o final inacreditavelmente optimista. Louvam-se as boas intenções, mas de cinema "Hatsu-Koi | First Love" tem muito pouco.

Se "O Ar que Respiramos" (The Air I Breathe), a primeira longa-metragem de Jieho Lee, dificilmente chama a atenção pelo nome do realizador, reclama-a através do seu elenco de peso, um aglomerado de estrelas onde constam Forest Whitaker, Kevin Bacon, Emile Hirsch, Brendan Fraser, Sarah Michelle Gellar, Andy Garcia ou Julie Delpy.
Infelizmente, os actores são mesmo o melhor que o filme tem para oferecer, e mesmo assim nem todos têm oportunidade para demonstrar as suas capacidades. O que poderia ter sido um olhar interessante sobre as relações humanas torna-se, aos poucos, num intrincado novelo narrativo que dá frequentes golpes à credibilidade da acção e cede muitas vezes a um pretensiosismo algo meloso.

A premissa, assente num provérbio chinês que divide a vida em quatro emoções - felicidade, prazer, dor e amor -, sugere que há aqui potencial para um filme envolvente, uma vez que cada uma das suas quatro histórias se centra num desses sentimentos e poderia usá-los a favor de um retrato complexo das personagens.
O facto da estrutura ser a de filme-mosaico, cada vez mais recorrente no cinema americano que se pretende "sério", não é propriamente um problema, mas aqui é desenvolvida como um mecanismo que cruza narrativas de forma forçada, a testar os limites do plausível. Pior é o facto de Lee ter ambições de tornar a sua obra numa "lição de vida", onde não falta música inspiradora a realçar os supostos picos dramáticos.
Ainda assim nem tudo é mau, pois se o primeiro segmento, com Forest Whitaker no papel de um gestor honesto envolvido em negócios obscuros, exagera na inverosimilhança e termina de forma piegas, o segundo e o terceiro são mais consistentes e seguem a relação de um gangster que prevê o futuro (um sóbrio Brendan Fraser) com uma cantora pop (Sarah Michelle Gellar, igual a si própria).

Mas mesmo aqui "O Ar que Respiramos" não deixa, ironicamente, espaço para as personagens respirarem, usando-as como marionetas de um argumento que tenta surpreender sem dar grande atenção aos seus protagonistas.
O quarto segmento acentua ainda mais esta ideia, ligando a história da personagem de Gellar à de Kevin Bacon, um médico que tenta a todo o custo conseguir uma transfusão de sangue para salvar a mulher que ama (Julie Delpy, que foi paga quase só para dormir).
Entre um elenco subaproveitado destaca-se ainda Andy Garcia na pele de um intrigante chefe do crime, o único actor presente nos quatro segmentos e que defende bem uma das personagens mais fortes. Esse empenho não salva, contudo, um filme pontualmente estimulante mas que no geral não resulta, tornando "O Ar que Respiramos" numa obra insuflada por um excesso de ambição sem resultados à altura.

E para finalizar os destaques ao MOTELx, cuja segunda edição se despediu hoje de Lisboa, ficam aqui algumas palavras sobre mais filmes vistos por lá, desde surpresas a decepções:

Uma jovem fotógrafa grávida, ainda a tentar aceitar a abrupta morte do namorado, vê-se no centro de acontecimentos ainda mais traumatizantes quando uma mulher invade a sua casa na véspera de Natal.
Se durante a primeira metade "À l'intérieur" sabe desenvolver este ponto de partida com realismo e uma perspicaz gestão do suspense, na segunda entra num crescendo de inverosimilhanças e cai num desnecessário festim gore, esticando o confronto entre as duas mulheres para além do desejável e tornando-as quase invulneráveis.
Ainda assim o balanço é positivo, muito por culpa da inquietante cena final, de um sufocante sentido atmosférico (com estupendos contrastes entre luz e sombra) e dos inatacáveis desempenhos de Béatrice Dalle e Alysson Paradis. Poderia ter sido um grande filme, mas mesmo sendo irregular deixa muita curiosidade em relação aos próximos filmes de Julien Maury e Alexandre Bustillo.


Apesar de um bom arranque, "Alone" acaba por ser só mais um filme de terror oriental entre tantos que têm tido maior visibilidade nos últimos tempos. Esta história sobre uma mulher atormentada pelo fantasma da sua irmã siamesa tem a seu favor alguma elegância visual e, mesmo que tente conceder alguma densidade às personagens (mais conseguida nos flashbacks), raramente deixa de ser banal e previsível.
A tensão nunca chega a implementar-se, uma vez que os supostos sustos são sempre clichés sobrenaturais, e uma reviravolta final origina uma igualmente estereotipada sequência de perseguição. Espera-se que o cinema de terror tailandês seja mais criativo do que esta desinspirada proposta de Banjong Pisanthanakun e Parkpoom Wongpoom.


O cinema espanhol tem servido algumas das melhores surpresas de terror recentes, e "El Rey de la Montaña", de Gonzalo López-Gallego, é mais um exemplo. Ao contrário do histérico e sobrevalorizado "[Rec]", este é um filme engenhoso e subtil, sobretudo na primeira metade, quando foca o encontro e reencontro dos dois protagonistas, que após atritos iniciais terão de contar um com o outro para sobreviverem a misteriosos tiros que tentam atingi-los em montanhas isoladas.
Com uma realização astuta e despojada, sem excessos gore nem efeitos especiais, esta é hora e meia de bom suspense capaz de deixar o espectador tão descoordenado como as personagens. O final fica aquém dos momentos iniciais, mas não compromete a revelação de mais um realizador a seguir.


Considerado o filme que deu início à nova vaga de terror francês, "Haute Tension" não traz nada de novo ainda que seja uma competente recontextualização dos slashers dos anos 70. Alexandre Aja sabe como criar sequências com nervo e sangue neste retrato de um massacre familiar passado no campo, mas deita quase tudo a perder quando atira um incoerente e pretensioso twist nos minutos finais. E assim torna o filme memorável pelos piores motivos, oferecendo um desenlace desonesto e insultuoso como poucos, sem qualquer respeito pela narrativa ou pelo espectador.
Felizmente a sua primeira experiência em Hollywood, "Terror nas Montanhas", revelou-se bem mais consistente, já que "Haute Tension" só pode ser salvo com um director's cut que lhe dê um final alternativo.

Entrou em palco sozinha com uma guitarra, e ao longo do concerto assim se manteve, tendo apenas a colaboração de um baterista em algumas canções. E só isso foi mais do que suficiente para que Emma Louise Niblett, mais conhecida por Scout Niblett, tenha conquistado o público da La Maroquinerie, em Paris, no passado sábado, através da sua folk minimalista e intensa.
“This Fool Can Die Now”, o seu quinto e mais recente álbum, editado em 2007, foi o mote para uma noite que revisitou também temas de registos anteriores, que deixaram evidente porque é que muitos a incluem entre as cantautoras mais surpreendentes desta década.
Desde o disco de estreia, “Sweet Heart Fever” (2001), Niblett tem conseguido superar as comparações a nomes como PJ Harvey (da fase inicial) ou Cat Power, que até fazem sentido mas poderão ser redutoras quando a sua obra já ganhou um espaço próprio.
“Do You Want To Be Buried With My People”, a primeira canção do novo álbum, abriu também o espectáculo, e logo comprovou que a voz da cantora britânica é ainda mais vibrante ao vivo do que em disco, e ao longo de hora e meia foi usada de forma impressionante tanto em sussuros enigmáticos e e arrepiantes como em gritos viscerais, catalisadores de raiva, entrega ou angústia.
Incialmente circunspecta, Niblett foi tecendo depois alguns breves comentários, agradecendo os aplausos com que o público a acolheu ao final de cada tema. “Alguma pergunta?” terá sido a frase que mais disse, acompanhada por um sorriso discreto, ainda que só um espectador lhe tenha feito uma, ao perguntar se tocaria alguma canção dos Nirvana.
“Não, mas tocava muitas há uns anos”, respondeu, e não será difícil acreditar, tendo em conta que tanto a banda de Kurt Cobain como os Sonic Youth terão tido influência nas suas composições mais agrestes, como o sugeriram as soberbas descargas de guitarra de “Let Thine Heart Be Warned” ou “Hide and Seek”.
Tanto estas como as da bateria foram as únicas que acompanharam a sua voz, e nem foi preciso mais, gerando grandes momentos de indie rock lo-fi em temas como “Nevada”, árida canção de amor.
Apesar de contar com a colaboração de um (excelente) baterista, a cantora dispensou-o em “Your Beat Kicks Back Like Death”, onde trocou as cordas pela percussão no episódio com a melodia mais poppy mas que, contudo, foi dos que contou com letras mais negras, olhando a morte de frente.
Não se mostrou uma baterista tão segura como o seu colega de palco, embora essa ousadia de tocar e cantar e simultâneo tenha despoletado um dos picos de intensidade da actuação.
Nem todas as canções se mostraram tão carismáticas, ainda que o concerto nunca tenha deixado de ser envolvente, sobretudo pela ansidedade e força da voz de Niblett. Espera-se que o mesmo estado de graça se mantenha no concerto de hoje na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa, e talvez aí os que consideram Cat Power a diva indie percebam que são capazes de estar equivocados.
Próximo do equívoco esteve também a primeira parte, a cargo dos Beach House, que apresentaram o seu segundo álbum, o recente “Devotion”. A dupla norte-americana actuou acompanhada por um baterista e, se por vezes criou atmosferas intrigantes, no geral tornou-se cada vez mais indiferente à medida que as canções se sucederam.
A sua dream pop melancólica com traços de psicadelismo resultou pouco sedutora tanto pela redundância das composições como pela voz da vocalista Victoria Legrand, uma não muito convincente mimetização de Nico (o que falha duplamente quando a original já é sobrevalorizada como poucas).
A sua postura estática, quase anestesiada, também não ajudou, acentuando o tédio que só se dissolveu em alguns momentos instrumentais, sobretudo aqueles em que os teclados se impuseram.
Infelizmente, esses foram escassos e nunca conseguiram fazer com que o concerto ultrapassasse a mediania. Parte do público aderiu, mas as reacções acabariam por confirmar que o melhor veio depois.
Beach House 
Scout Niblett 
Scout Niblett - "Nevada"
Com o primeiro filme estreado em 1980, desde então Johnnie To tem realizado dois a três por ano, uma média que o inscreve entre os cineastas mais prolíficos do momento e, também, entre os mais aplaudidos, já que títulos como "A Hero Never Dies" (1998), "Exiled" (2006) ou "The Mission" (1999) alcançaram um aplauso quase global.
Este último move-se num dos seus géneros de eleição, o thriller, que facilmente se distingue do de muitos realizadores conterrâneos de Hong Kong, ainda que nem sempre para melhor. No argumento o filme não acrescenta muito, focando cinco assassinos encarregues de proteger um poderoso chefe do crime que sobreviveu por pouco a uma tentativa de homicídio e mantém-se como um alvo a abater.

Formalmente, To demonstra em alguns momentos aquilo que muitos o levam a considerá-lo como um dos mais elegantes estetas do cinema asiático actual, através de cenas de acção que substituem a adrenalina a um ritmo mata-cavalos por um sequências de suspense mais pausadas e lacónicas. Uma sequência de tiroteio num centro comercial é disso exemplo, minuciosamente orquestrada e com direito a alguns enquadramentos fulgurantes.
É pena que esta ocasional subtileza visual raramente tenha contraponto na construção de personagens, que só lá para o final é que começam a afastar-se de frágeis caricaturas, numa banda-sonora nem sempre oportuna (e frequentemente anacrónica) ou num argumento genérico que também só entusiasma nos últimos vinte minutos - embora não muito, fechando com um desenlace que se julga surpreendente mas que acaba por cair na inconsequência.

Há ideias que resultam individualmente, como as cenas temperadas com um humor peculiar - as do cigarro "pirotécnico" ou de um discreto jogo de futebol improvisado num escritório -, lufadas de ar fresco num pouco imaginativo jogo do gato e do rato que se esgota ao fim de algum tempo.
Como um todo, "The Mission" é um filme desequilibrado que nunca chega a explorar convenientemente questões de honra, lealdade e companheirismo entre o quinteto protagonista, que apenas são abordadas com algums intensidade na recta final - mesmo que aí já seja tarde demais e a forma como contrastam com a leveza dramática dos momentos anteriores quase levem a pensar que se trata de outro filme. Mas não, é o mesmo, e infelizmente faz parte dos desapontantes.

"The Mission" é um dos filmes da programação da quinta edição do IndieLisboa
Uma das qualidades de "Marselha" (Marseille, 2004) é a de não ser um filme fácil, jogando com as expectativas do espectador ao confrontá-lo com uma estrutura narrativa invulgar e, até certo ponto, engenhosa.
Infelizmente, essa carga inventiva nem sempre joga a seu favor, uma vez que a tentativa de surpreender deita abaixo grande parte da intensidade dramática que o filme vai moldando, pacientemente, durante a primeira parte.
A quinta obra de Angela Schanelec acompanha inicialmente a chegada de Sophie, uma jovem fotógrafa alemã, à cidade francesa que dá título ao filme. A troca de apartamento, durante alguns dias, com uma estudante, obriga-a a romper com a rotina do seu dia-a-dia em Berlim, a lidar com a solidão e a tentar adaptar-se a um novo contexto. E também a conhecer novas pessoas, como o mecânico de uma oficina a que recorre e com o qual estabele uma óbvia empatia, esboçando o seu primeiro sorriso após vários minutos de filme.

Durante estes episódios, dos passeios solitários da protagonista às suas saídas nocturnas com jovens locais, "Marselha" demarca-se como uma obra promissora, apostando num ritmo pausado, mas não monótono, numa realização com muitos planos fixos e enquadramentos minuciosos e numa eficaz secura dramática que o aproxima de domínios documentais. Uma sequência, centrada numa longa conversa de bar entre Sophie e o mecânico, é particularmente conseguida, transbordando espontaneidade e vibração emocional.
Se continuasse por aqui, "Marselha" seria provavelmente um belo filme, mas Schanelec muda repentinamente o espaço da acção e a protagonista, desviando-se para Berlim e concentrando atenções em Anna, irmã de Sophie, investindo na sua frustração profissional e dilemas conjugais.
Este corte, que até poderia ser interessante, serve apenas para encher o filme com duas exaustivas sequências de muito duvidosa relevância, uma decorrida numa sessão de fotos e outra no ensaio de uma peça de teatro, onde o tédio acaba por instalar-se. O facto de Hanna ser uma personagem pouco estimulante e da actriz que a interpreta não possuir - pelo menos aqui - a estranha fotogenia e olhar indecifrável da que encarna Sophie, Maren Eggert (por vezes a lembrar Valeria Bruni Tedeschi), também não ajuda.

Sophie volta a ganhar protagonismo na recta final, embora se veja envolvida numa situação bem diferente das do início e que pareça, por isso, deslocada, reforçando as falhas de um argumento que peca por excesso de arbitrariedade.
"Marselha" evidencia que Schanelec tem talento, mas esperava-se mais de uma realizadora que é tida como uma das essenciais da Nova Escola de Berlim, movimento que nos últimos anos tem reflectido as tensões quotidianas da sociedade alemã contemporânea recorrendo a um despojamento formal que acentua a vertente realista.
Ainda assim, fica a ténue esperança de que "Marselha" possa ser salvo por um impiedoso director's cut, aproveitando os primeiros 30/40 minutos e eliminando - ou repensando - todos os que se seguem, para que este não pareça dois (ou mesmo três) filmes mal cosidos mas o refrescante estudo de personagens sugerido nos momentos iniciais.

"Marselha" é um dos filmes da KINO - Mostra de Cinema de Expressão Alemã, presente no cinema São Jorge, em Lisboa, até 6 de Fevereiro


Com uma obra ecléctica, capaz de ir dos contos infantis ao romance de moldes clássicos, o chileno Luís Sepúlveda tem assinalado um respeitável percurso enquanto escritor, evidenciado em títulos elogiados como "O Velho que Lia Romances de Amor", "Nome de Toureiro" e "História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar".
"Diário de um Killer Sentimental", editado em 1996, é um dos seus livros de culto e segue o quotidiano de um assassino profissional quarentão com um currículo invejável, mas cuja determinação e perspicácia começam a ceder à medida que se envolve emocionalmente com uma jovem francesa.
A situação torna-se mais conturbada quando a sua amada lhe comunica que pretende deixá-lo, notícia que ameaça o seu profissionalismo e lhe dificulta a eliminação da sua nova encomenda, um dúbio filantropo envolvido em actividades misteriosas cujo paradeiro é de difícil determinação (obrigando o protagonista a deslocar-se por Madrid, Istambul, Frankfurt, Paris e Cidade do México).
Apostando na estrutura do romance negro e do policial, Sepúlveda proporciona aqui uma história crua e escorreita, geralmente contaminada por consideráveis doses de ironia e sarcasmo.
O leitor entra facilmente na acção, uma vez que a economia narrativa permite que a leitura seja acessível e absorvente, e o autor constrói um protagonista que, apesar dos ambíguos padrões morais, possui carisma suficiente para que a sua jornada seja minimamente intrigante (o facto da obra ser narrada na primeira pessoa ajuda).
"Diário de um Killer Sentimental" é um livro divertido q.b., mas infelizmente não é muito mais do que isso, ficando aquém daquilo que se esperaria do autor.
As peripécias da personagem central oferecem algumas reviravoltas interessantes e dois ou três momentos bem observados (as corrosivas conversas com os taxistas, a crítica à hipocrisia da sociedade actual), mas falta espessura a esta história e às suas personagens.
O pouco surpreendente desenlace torna o livro ainda menos memorável, enveredando por um twist demasiado previsível, e no fim da leitura do livro sente-se que há aqui uma boa premissa mal aproveitada.
"Diário de um Killer Sentimental" não deixa de ser uma obra agradável e que se lê com algum interesse, mas peca por ser demasiado curta e esquemática, encalhando numa pouco estimulante mediania. Em suma, lê-se bem e esquece-se com a mesma facilidade...
E O VEREDICTO É: 2/5 - RAZOÁVEL
Vencedor do Booker Prize em 1998, "Amesterdão" (Amsterdam), de Ian McEwan, é um mordaz retrato da sociedade aristocrática britânica e um olhar sobre os efeitos da mentira, do egoísmo e da fama.
O livro foca a relação de dois amigos, Clive Linley, um conceituado compositor, e Vernon Halliday, editor de um influente jornal. Estas duas personagens encontram-se interligadas por Molly Lane, uma conhecida figura londrina cujo funeral despoleta o início da intriga. Ian McEwan aproveita esta cerimónia fúnebre para iniciar uma narrativa com tons de comédia negra e algum drama, debruçando-se sobre o eventual antagonismo entre a supremacia do ego e os valores ético-morais.
Apesar de Molly Lane ser o elemento de ligação entre as personagens principais deste romance - quase todas foram seus amantes -, McEwan não apresenta muitas informações acerca da sua vida ou dos factores que a tornaram tão carismática, não nos elucidando quanto aos motivos que a transformaram num alvo de tamanha admiração. Mesmo as restantes personagens carecem de maior caracterização e desenvolvimento, uma vez que, nos momentos que antecedem o desenlace, Clive e Vernon exibem comportamentos pouco fundamentados e algo contraditórios face ao que ocorreu anteriormente. McEwan compensa esta limitação com um argumento imprevisível, incluindo reviravoltas suficientes para manter o interesse, mas mesmo aí as personagens parecem ser apenas elementos despoletadores de acontecimentos e não agentes com vontade e motivações próprias.
O escasso número de páginas do romance - menos de 200 - poderá justificar parte da superficial densidade dramática das personagens, embora se esperasse um pouco mais de um autor que já provou - no intrigante e assombroso "O Jardim de Cimento" (The Cement Garden), por exemplo - conseguir mergulhar, de forma exímia, nas tensões e fragilidades humanas. O ritmo também nem sempre entusiasma, já que a primeira metade do livro se desenrola de forma demasiado lenta e, quando a narrativa se torna mais estimulante, é afectada por um final algo conturbado e não muito convincente.
Embora a esfera emocional dos seus protagonistas seja pouco aprofundada, "Amesterdão" proporciona algumas interessantes observações sobre os limites da amizade, os ambientes do jornalismo (e a ameaça da tabloidização, sobretudo tendo em conta que a acção se desenrola em Inglaterra), crispações políticas, o lado negro da fama ou o florescimento do processo de criação artística. Estes elementos conseguem cativar a atenção e promover alguma reflexão, mas não chegam para salvar a reduzida empatia gerada pelo duo protagonista (Clive, auto-indulgente e narcisista, e Vernon, implacável e vingativo). Se, por um lado, a dupla é adequada para um romance de contornos satíricos e irónicos como "Amesterdão", tem a desvantagem de não nos cativar, pelo que o seu destino nos é indiferente e irrelevante. Por isso, o livro torna-se cada vez mais frio e distante e, embora exiba curiosos episódios a espaços, não é a obra mais recomendável de um dos maiores escritores britânicos contemporâneos.
E O VEREDICTO É: 2/5 - RAZOÁVEL
cinema
música
bd/comics
cultura pop
blogs: cinema
blogs: música
blogs: diversos
- "127 Horas", Danny Boyle
- "A Nossa Vida", Daniele Luchetti
- "A Pele Onde Eu Vivo", Pedro Almodóvar
- "Amigos Coloridos", Will Gluck
- "Blue Valentine - Só Tu e Eu", Derek Cianfrance
- "Cisne Negro", Darren Aronofsky
- "Green Hornet", Michel Gondry
- "Gritos 4", Wes Craven
- "Hanna", Joe Wright
- "Harry Potter e os Talismãs da Morte: Parte 2", David Yates
- "Insidioso", James Wan
- "Jane Eyre", Cary Fukunaga
- "Kaboom - Alucinação", Gregg Araki
- "Melancolia", Lars von Trier
- "O Amor é o Melhor Remédio", Edward Zwick
- "O Código Base", Duncan Jones
- "Os Agentes do Destino", George Nolfi
- "Os Bem-Amados", Christophe Honoré
- "Pequenas Mentiras Entre Amigos", Guillaume Canet
- "Sem Identidade", Pierre Morel
- "Sem Tempo", Andrew Niccol
- "Tournée - Em Digressão", Mathieu Amalric
- "X-Men: O Início", Matthew Vaughn
- Beyoncé - "4"
- Britney Spears - "Femme Fatale"
- Cansei de Ser Sexy - "La Liberación"
- Cut Copy - "Zonoscope"
- Digitalism - "I Love You Dude"
- Duran Duran - "All You Need is Now"
- Florence + The Machine - "Ceremonials"
- The Gift - "Explode"
- Jamie Woon - "Mirrorwriting"
- The Kills - "Blood Pressures"
- Lady Gaga - "Born This Way"
- Ladytron - "Gravity the Seducer"
- Lykke Li - "Wounded Rhymes"
- Mesa- "Automático"
- Moby - "Destroyed"
- PJ Harvey - "Let England Shake"
- Poly Styrene - "Generation Indigo"
- R.E.M. - "Collapse into Now"
- The Shoes - "Crack my Bones"
- Smix Smox Smux - "Os Gloriosos Smix Smox Smux Derrotarão os Exércitos Capitalistas"
- The Strokes - "Angles"