Qui | 9 Fev 12
A dama de ferro e os rapazes das festas

 

Margaret Thatcher, Pet Shop Boys e a Inglaterra dos anos 80

 



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Seg | 6 Fev 12
Respirar (debaixo d'água)

 

Crescer custa. E ao protagonista de "Atmen", cujo dia-a-dia decorre entre um centro de detenção juvenil e o trabalho numa agência funerária, custa especialmente. Não que esta obra do austríaco Karl Markovics alguma vez caia no miserabilismo: o actor principal de "Os Falsificadores" (vencedor do Óscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2008), que aqui se estreia na realização, oferece quase sempre um retrato cru, por vezes duríssimo, mas também estranhamente terno, sobre um adolescente de 18 anos que tenta encontrar o seu rumo.

 

Embora demore algum tempo a vincar o tom, ninguém diria que "Atmen" é resultado de um estreante. Markovics tira o maior partido do plano fixo, consegue enquadramentos tão rigorosos como impressionantes e quando move a câmara nunca o faz por acaso.

 

Mas além de tecnicamente admirável, este olhar seco sobre a morte, a solidão ou a redenção deve ainda muito ao jovem Thomas Schubert - outro estreante, desta vez como actor, cujo underacting é perfeito para carregar um protagonista que acumula emoções reprimidas. "Atmen" permite-nos conhecê-lo melhor do que os que o rodeiam e também aí o seu realizador mostra subtileza, revelando informação de forma paciente e optando, e bem, pela ambiguidade em vez de respostas fáceis. No final, temos uma primeira obra tão angustiante como imersiva - combinação com expoente máximo nas muitas e belas sequências na piscina, apenas alguns dos seus momentos de antologia.

 

 

"Atmen" foi o filme da sessão de encerramento da nona edição da KINO - Mostra de Cinema de Expressão Alemã

 



publicado por gonn1000 às 23:51
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Sex | 3 Fev 12
Divórcio no filme, união nas reacções

 

Apesar dos muitos defeitos, lobbies ou limitações que possamos apontar aos Óscares, Globos de Ouro ou outros prémios, estes têm o mérito de, por vezes, contribuírem para que grandes filmes possam ter o público que merecem - e a que dificilmente chegariam de outra forma. "Uma Separação" é um desses casos e tem somado, desde o ano passado, uma invejável colecção de distinções.

 

Em algumas situações a ideia de que os consensos são perigosos até é útil e prudente, mas o filme do iraniano Asghar Farhadi rapidamente nos envolve numa atmosfera que, além de nos prender durante duas horas, deixa eco nos dias seguintes. Seria por isso uma pena que este drama familiar plausível, justo e inteligente como poucos, simultaneamente complexo e acessível, passasse ao lado de muitos.

 

Quando a narrativa ameaça cair nos moldes do filme de tribunal - afinal, a acção parte de um divórcio -, o realizador troca-nos as voltas, aproveitando as muitas viragens e revelações para ir mergulhando mais fundo nas personagens. E se para elas a viagem emocional e moral vai sendo cada vez mais inquietante, também não saímos ilesos quando nos revemos ou imaginamos em encruzilhadas comparáveis - que Farhadi sabe trabalhar sem cair em juízos de valor (e são tão tentadores), dirigindo um elenco nada menos do que irrepreensível e comovente.

Nesse aspecto, o facto de "Uma Separação" se desenrolar no Irão é apenas um pormenor, porque mesmo com as especificidades jurídicas, culturais, políticas ou religiosas, o seu apelo e intensidade têm passagem garantida em qualquer fronteira - até nas de prémios habituados a distinguir os suspeitos do costume.

 

 



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Qui | 2 Fev 12
Qual o melhor superpoder?

 

«Chronicle», de Josh Trank, estreia esta semana

 


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Qui | 26 Jan 12
De Lisboa a Lissabon

 

"Lollipop Monster" mistura animação e imagem real e marca a estreia na realização de Ziska Riemann, até aqui mais conhecida como autora de BD. Além de despertar curiosidade, este drama adolescente é um dos destaques da KINO 2012 - Mostra de cinema de expressão alemã, que está de regresso ao Cinema São Jorge e ao Goethe-Institut, em Lisboa.

 

A nona edição da iniciativa é inaugurada esta noite na sala da Avenida da Liberdade, às 21h30, com a comédia "Almanya - Bem-vindos à Alemanha", de Yasemin Samdereli, e até 3 de Fevereiro apresenta sessões de manhã, à tarde e à noite.

 

Apostando nas secções "Next Generation Short Tiger 2011", "Mostra para Escolas" e "Cinema para Jovens" e tendo o "Ciclo Áustria" como tema principal, a KINO volta a trazer muito cinema germânico recente (e não só) que dificilmente veríamos por cá de outra forma. Se se mantiver como nas edições anteriores, a programação deverá reservar algumas boas surpresas.

 



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Ter | 24 Jan 12
Os homens que adoram bandas sonoras

 

"The Girl with the Dragon Tattoo", a nova colaboração de Trent Reznor e Atticus Ross

 



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Dom | 22 Jan 12
O mundo em Lisboa (e com entrada livre)

 

Segunda-feira é dia de bilhetes mais baratos em muitos cinemas, mas no Ciclo Cinemas do Mundo, a decorrer no Institut français du Portugal, em Lisboa, a entrada consegue ser ainda mais apelativa (monetariamente falando, pelo menos), já que é gratuita.

 

A iniciativa arrancou na segunda-feira passada, com "Luna Papa" (1999), de Bakhtiyar Khudojnazarov, e continua nesta com "Bye Bye" (1995), de Karim Dridi, às 19 horas.

Até 27 de Fevereiro, o espaço da Avenida Luís Bívar propõe, todas as segundas-feiras (e em algumas quintas), dez filmes de origens e temáticas díspares, alguns inéditos em salas nacionais.

 

A selecção inclui "Transylvania" (2006), do francês Tony Gatlif, com Asia Argento (na foto); "O Silêncio de Lorna" (2008), dos belgas irmãos Dardenne; "Satin Rouge" (2002), da tunisina Raja Amari; ou "Un Homme qui Crie" (2010), do chadense Mahamat-Saleh Haroun. A programação completa, com horários e mais informações sobre os filmes, pode ler-se aqui.


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publicado por gonn1000 às 22:59
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Sab | 21 Jan 12
Alexander Payne, versão crowd pleaser

 

Se começou por ser um dos queridinhos de alguma crítica (da norte-americana em particular), Alexander Payne é também, cada vez mais, um realizador virado para o grande público. "Sideways" (2004) já tinha sido uma alavanca importante nessa ambição e "Os Descendentes" não a contraria, com George Clooney a liderar o elenco de um drama familiar para (quase) toda a família.

 

Um bom drama familiar, diga-se: bem escrito, bem filmado, bem interpretado, mas sem o rasgo que se esperaria tendo em conta os muitos elogios - e consequentes nomeações e prémios -, sobretudo quando é assinado por alguém que já mostrou mais ousadia.

 

A narração em off ou alguma música, por exemplo, mais do que maneirismos, são muitas vezes facilitismos - mesmo assim, não impedem que a narrativa se acompanhe com interesse. Mais difícil de aceitar é o amigo de uma das filhas do protagonista, aparentemente roubado a uma comédia adolescente (e não das melhores), cuja relevância na história que "Os Descendentes" conta é quase nula. E além de parecer estar no filme errado, a personagem reforça as hesitações de tom de uma combinação de drama e humor demasiado ziguezagueante.

 

Mas se falha nessa, Paine acerta em cheio nas outras personagens principais, com Clooney e duas jovens actrizes a darem alma e coração (e algum azedume) a um pai e duas filhas. Aliás, até é caso para dizer que a filha ultrapassou o pai, porque Shailene Woodley, no papel da mais velha, merece todas as nomeações a que tiver direito - ao contrário de outros aspectos de um filme que cativa mais pela simpatia do que pelo génio.

 

 



publicado por gonn1000 às 21:09
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Ter | 17 Jan 12
Um jogo a meio gás

 

O melhor de "Moneyball - Jogada de Risco" é também, muito provavelmente, o que faz dele um dos filmes mais falados do momento: Brad Pitt. Já tinha sido assim, aliás, com "Capote", a obra anterior de Bennett Miller, carregada às costas pelo desempenho de Philip Seymour Hoffman. Se aí o realizador norte-americano tentava - e por vezes conseguia - fugir aos lugares comuns do biopic, desta vez aposta em contrariar os clichés dos filmes desportivos, partindo da história verídica de um manager de uma pequena equipa de basebol.

 

Reduzir "Moneyball - Jogada de Risco" a um filme sobre basebol seria injusto, não só porque a estratégia implementada pelo protagonista poderia aplicar-se a outros desportos (e não só), mas porque Miller se esforça por não limitar o protagonista à sua profissão. A tentativa é bem sucedida, já que o realizador encontrou em Brad Pitt um actor capaz de dar densidade, espontaneidade e humor a uma personagem de corpo inteiro, embora não chegue para salvar o filme.

 

Os secundários nunca vão além da caricatura - o que é pena quando Jonah Hill, um dos miúdos de "Super Baldas", prova que não se restringe à comédia e Philip Seymour Hoffman passa quase despercebido - e os longos, pormenorizados e recorrentes diálogos técnicos, se até começam por dar alguma força ao filme (uma das primeiras cenas, numa reunião, será irresistível para aspirantes a argumentistas), não demoram muito a torná-lo numa obra por vezes demasiado hermética, cerebral, mecânica... e aborrecida. Em alguns momentos, como as sequências do protagonista com a filha, as personagens - e o espectador - conseguem respirar, mas no geral "Moneyball - Jogada de Risco" acaba por ser um filme que, como muitos jogos, sairia a ganhar com um pouco mais de emoção e surpresa.

 

 



publicado por gonn1000 às 18:49
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Ter | 10 Jan 12
Viagem ao fundo da terra

 

"Enterrado" é bem capaz de dever alguma coisa a Tarantino, que enterrou vivas duas personagens - a de Uma Thurman em "Kill Bill — A Vingança — Vol. 2 ", num dos momentos mais desconcertantes do filme, e um elemento da equipa de "CSI", em dois episódios da série. Mas se o espanhol Rodrigo Cortés foi buscar inspiração ao autor de "Pulp Fiction", terá sido só mesmo na premissa, já que a execução está muito longe das suas idiossincrasias.

 

Com um estilo enxuto e até um pouco anónimo, embora sempre eficaz, "Enterrado" é certamente preferível a "127 Horas", de Danny Boyle - outro filme recente centrado num protagonista preso e isolado, neste caso numa ravina -, que não se poupava a maneirismos para injectar tensão e claustrofobia.

 

Rodrigo Cortés também tem alguns truques na manga, mas nunca foge daquilo a que se propõe, mantendo o mesmo cenário sem se esquecer de alimentar o interesse do espectador. O telemóvel, além de surgir como ferramenta essencial neste propósito, amplifica as ambições de "Enterrado" e ajuda a moldar um olhar irónico - e também muito amargo - sobre as desesperantes burocracias que contaminam, ainda, a era digital.

 

Ryan Reynolds, mesmo sem deslumbrar, mostra que é melhor do que muitos dos filmes que tem feito e não deita por terra (passe a expressão) o talento do realizador - especialmente hábil na gestão do ritmo e dos jogos de luz (onde consegue fazer muito com muito pouco). No final, e mais uma vez mantendo as devidas distâncias, a sensação deixada por este thriller invulgarmente desafiante é a de que, tal como nos filmes de Tarantino, o estatuto de obra de culto é tão provável como merecido.

 

 



publicado por gonn1000 às 20:55
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Sab | 31 Dez 11
50 de 2011

Em 2011, no que toca a listas, não muda a sensação deixada por balanços de outros anos: daqui a uns meses (ou dias?), a selecção seria certamente diferente. E tendo em conta os discos que ficaram por ouvir (e por digerir - não é bem a mesma coisa), número que vai parecendo cada vez maior - o mesmo vale para os filmes -, o retrato só pode ser muito parcial. Mas deixando as habituais ressalvas de lado, de 2011 guardam-se sobretudo estes. Quaisquer recomendações são, como sempre, muito bem-vindas.

 

10 filmes

 

 

1 - "A Nossa Vida", Daniele Luchetti

2 - "X-Men: O Início", Matthew Vaughn

3 - "Cisne Negro", Darren Aronofsky

4 - "A Pele Onde Eu Vivo", Pedro Almodóvar

5 - "Tournée - Em Digressão", Mathieu Amalric

6 - "Sem Tempo", Andrew Niccol

7 - "Jane Eyre", Cary Fukunaga

8 - "Gritos 4", Wes Craven

9 - "Blue Valentine - Só Tu e Eu", Derek Cianfrance

10 - "Kaboom - Alucinação", Gregg Araki

 

10 discos internacionais

 

 

1 - "Let England Shake", PJ Harvey

2 - "Feel It Break", Austra

3 - "Wounded Rhymes", Lykke Li

4 - "Wolfram", Wolfram

5 - "Talk About Body", MEN

6 - "Nuit de Rêve", Scratch Massive

7 - "Le Danse", Slove

8 - "Gravity the Seducer", Ladytron

9 - "Share the Joy", Vivian Girls

10 - "Past Life Martyred Saints", EMA

 

10 discos nacionais

 

 

1 - "Automático", Mesa

2 - "Mútuo Consentimento", Sérgio Godinho

3 - "Disco Voador", Clã

4 - "Os Gloriosos Smix Smox Smux Derrotarão os Exércitos Capitalistas", Smix Smox Smux

5 - "In Loving Memory of...", Tiguana Bibles

6 - "Pés Frios", doismileoito

7 - "Animal", Osso Vaidoso

8 - "Com Todo o Respeito", Jorge Palma

9 - "Infectious Affectional", X-Wife

10 - "The Cherries That Went to the Police", Rita Braga

 

10 singles

 

 

1 - "What the Water Gave Me", Florence + The Machine

2 - "The Glorious Land", PJ Harvey

3 - "I Follow Rivers", Lykke Li

4 - "Painted Eyes", Hercules and Love Affair

5 - "The Words That Maketh Murder", PJ Harvey

6 - "Vanessa", Grimes

7 - "Time of My Life", Patrick Wolf

8 - "City Grrrl", Cansei de Ser Sexy

9 - "Take Me There", Scratch Massive feat. Jimmy Somerville

10 - "Marked", EMA

 

10 concertos

 

 

1 - Arcade Fire no Super Bock Super Rock

2 - Hercules and Love Affair no Lux

3 - Crystal Castles no Ritek Paredes de Coura

4 - Kele no Optimus Alive

5 - Cut Copy no Coliseu dos Recreios

6 - EMA no Vodafone Mexefest

7 - Cansei de Ser Sexy no TMN ao Vivo

8 - Lykke Li no Super Bock Super Rock

9 - PJ Harvey na Aula Magna

10 - The Chemical Brothers no Optimus Alive

 



publicado por gonn1000 às 03:27
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Dom | 25 Dez 11
O miar do gato (com sotaque espanhol)

 

Não sendo obra para juntar ao panteão dos filmes de animação - nem sequer aos melhores dos últimos anos -, "O Gato das Botas" é uma agradável surpresa e um belo divertimento (natalício, por exemplo) para miúdos e graúdos.

 

A estreia a solo da personagem repescada do universo Shrek consegue, pelo menos, protagonizar um filme com mais vida e energia do que os últimos do famoso ogre verde - partilhando com um deles, "Shrek o Terceiro", o realizador Chris Miller.

 

Face a esses, "O Gato das Botas" ganha por tentar contar, de facto, uma história, em vez de funcionar como uma colecção de gags sem narrativa à altura. Uma história que, como a saga cinematográfica da qual deriva, se alimenta de elementos de outras: mais do que do conto do francês Charles Perrault, criador do Gato das Botas, o resultado é devedor das fábulas João e o Pé de Feijão, A Gansa dos Ovos de Ouro e até vai buscar Humpty Dumpty (e ainda bem, porque é a sua relação com o protagonista que dá peso emocional ao filme).

 

Nem tudo funciona: Kitty Patas Fofas, com a voz de Salma Hayek, mostra-se uma promissora resposta feminina ao herói indissociável de Antonio Banderas, mas acaba por ter pouco espaço para brilhar. O mesmo vale para o casal Jack e Jill, dupla feia, porca e má com um delicioso sotaque sulista oferecido por Billy Bob Thornton e Amy Sedaris.

 

Em compensação, o 3D, por uma vez, faz realmente sentido e acrescenta alguma coisa a esta aventura, que mesmo sem esse extra já seria muitíssimo superior a "O Gato das Botas — A Verdadeira História", produção francesa que levou a personagem ao grande ecrã, há dois anos, sem qualquer graça e imaginação - ingredientes que, felizmente, não faltam nesta nova e aconselhável versão.

 

 



publicado por gonn1000 às 15:37
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Ter | 20 Dez 11
Manobra perigosa (mas sedutora)

 

Filme de acção atmosférico, contraponto (muito) desacelerado de blockbusters como "Velocidade Furiosa"? Pode dizer-se que sim, que "Drive - Risco Duplo" segue por essa estrada. Ou pela de uma adaptação de uma graphic novel estilizada, com personagens desenhadas a traço grosso (sobretudo os vilões, os mais cartoonescos), em que a vertente sonora (e sobretudo musical) partilha protagonismo com a visual.

 

Mas não, ao contrário de algumas tendências do momento, o novo filme de Nicolas Winding Refn não parte da BD - embora chegue a lembrar, por exemplo, o Cronenberg de "Uma História de Violência", esse sim assente na nona arte.

Há mesmo quem o compare a um videoclip, e se o fosse "Drive - Risco Duplo" seria sem dúvida dos mais envolventes e elaborados, até porque o realizador dinamarquês quer que reparemos no seu estilo. Se por aí será fácil criticar algum exibicionismo, a experiência sensorial que oferece acaba por levar a melhor, com uma aura magnética que deve alguma coisa a Ryan Gosling ou à banda sonora electrónica, companhia perfeita para uma Los Angeles sinuosa (ou simplesmente para conduzir à noite).

 

Apesar dos seus atractivos e de alguns percursos inesperados, a viagem perde um bocado a graça quando cede, na segunda metade, a uma lógica mais reconhecível, condicionando as direcções que o arranque deixava em aberto. Caso não ligasse o piloto automático a meio, "Drive - Risco Duplo" poderia ser filme para outras corridas, outras paragens, certamente outros horizontes. Mas o que propõe ainda mostra um realizador com mão segura, capaz de evitar algumas estradas óbvias, e do qual vale a pena aproveitar a boleia durante hora e meia.

 

 



publicado por gonn1000 às 00:49
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'Os Descendentes', de Alexander Payne
críticas: filmes de 2011


- "127 Horas", Danny Boyle
- "A Nossa Vida", Daniele Luchetti
- "A Pele Onde Eu Vivo", Pedro Almodóvar
- "Amigos Coloridos", Will Gluck
- "Blue Valentine - Só Tu e Eu", Derek Cianfrance
- "Cisne Negro", Darren Aronofsky
- "Green Hornet", Michel Gondry
- "Gritos 4", Wes Craven
- "Hanna", Joe Wright
- "Harry Potter e os Talismãs da Morte: Parte 2", David Yates
- "Insidioso", James Wan
- "Jane Eyre", Cary Fukunaga
- "Kaboom - Alucinação", Gregg Araki
- "Melancolia", Lars von Trier
- "O Amor é o Melhor Remédio", Edward Zwick
- "O Código Base", Duncan Jones
- "Os Agentes do Destino", George Nolfi
- "Os Bem-Amados", Christophe Honoré
- "Pequenas Mentiras Entre Amigos", Guillaume Canet
- "Sem Identidade", Pierre Morel
- "Sem Tempo", Andrew Niccol
- "Tournée - Em Digressão", Mathieu Amalric
- "X-Men: O Início", Matthew Vaughn