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Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Entre a melancolia e a festa, o melhor e o nem por isso

Placebo_Foto de Rita Sousa Vieira

 

Vale a pena celebrar os 20 anos do álbum de estreia dos PLACEBO - e por arrasto, da carreira da banda? Claro que sim, mas Brian Molko e Stefan Osdal fizeram uma revisitação tímida dos seus primeiros discos, esta semana em Lisboa, num concerto que também contou com o pior (leia-se canções mais recentes) do grupo. Recordo a noite no Coliseu dos Recreios neste artigo do SAPO Mag.

 

Caso de uma noite? Não, amor para a vida

Os HERCULES & LOVE AFFAIR estão longe de ser uma novidade em palcos nacionais, mas voltar a vê-los é uma proposta difícil de recusar. Sobretudo quando o projecto de Andy Butler foi um dos cabeças de cartaz da segunda edição do Lisboa Dance Festival, no sábado passado, e esteve à altura desse estatuto na LX Factory.

 

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Desta vez, quem viu os nova-iorquinos até teve direito a um bónus. Ao entrar em palco, a banda avisou que a actuação seria a primeira a apresentar alguns temas do próximo álbum, previsto para este ano, e o alinhamento insistiu em material novo logo aos primeiros minutos. E não demorou muito para se perceber que a fórmula entre a house, o disco e a pop do grupo continua apurada, com as reacções de um público que foi aumentando em volume e entusiasmo a confirmarem a adesão à dança.

 

Rouge Mary e Gustaph, a dupla de vocalistas que acompanhou Butler e outro músico, já tinha passado por Lisboa na última edição do Rock in Rio e comprovou que o DJ e mentor do projecto é especialmente criterioso na escolha de quem defende as suas canções - depois de a estonteante Nomi Ruiz já ter comandado um concerto memorável no Optimus Alive ou de outra formação ter deixado o mesmo efeito no Lux em anos anteriores. Até porque se tanto os temas antigos como os novos não dispensam batidas, têm na voz um elemento tão ou mais nuclear, num contraste com a maioria da música que se ouviu no festival.

 

Com um timbre que lembrou Marc Almond, Rouge Mary deu início à noite com uma canção inédita, e das mais calmas do alinhamento, cuja atmosfera também remeteu para os ambientes mais tranquilos dos Soft Cell - ou das torch songs do seu mentor a solo cruzadas com as baladas de Martin Gore nos Depeche Mode. Mas o ritmo rapidamente acelerou noutras novidades que denunciaram mais audições de electrónica dos anos 80 e 90 ("Controller", o viciante novo single, arrisca pela EBM), estreias perfeitamente entrosadas com o desfile de episódios-chave dos três álbuns do grupo.

 

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Tal como em concertos anteriores, Butler não se preocupou em ser muito fiel à matriz original das canções já conhecidas. "Visitor" surgiu numa aura mais intempestiva, quase industrial, com cenografia negra a condizer, enquanto os vocalistas lembravam que era tempo de saltar. Não que fosse preciso insistir, já que o público aderiu e assim continuou nas aguardadas "You Belong" (com os músicos a puxarem mais pelos espectadores, convidando-os a cantar), "My House" ou a jóia da coroa "Blind", que fechou pouco mais de uma hora de festa de forma tão estrondosa como seria de esperar - mesmo que numa moldura mais sintética e robusta, sem o arranjo de cordas do original, omissão que também marcou uma "Painted Eyes" de compasso metronónimo e igualmente irresistível. Regresso garantido ainda este ano, tendo em conta que há álbum a caminho?

 

 

Se os Hercules & Love Affair serviram hedonismo desenfreado, certeiro num sábado à noite, os MOUNT KIMBIE foram preparando o público da Fábrica XL de forma bastante mais contida. Mas sedutora à sua maneira, ainda que a introspecção do duo londrino (que surgiu no palco enquanto quarteto) não seja a escolha mais óbvia para um festival de música de dança. O que não é necessariamente mau quando também não há nada de óbvio nas composições do grupo, capazes de embalar os curiosos que se foram aglomerando ao início da noite com viagens entre o R&B, a house e o indie rock com tangentes ao techno minimal, ao krautrock ou ao downtempo. Também com material novo em primeira mão, dispensaram quase sempre a voz para darem protagonismo a um novelo intrincado mas envolvente de teclados e sintetizadores, num crescendo de intensidade que lá para o final, com o ritmo circular de "Made to Stray", atingiu uma euforia a milhas da quase timidez do início. Resultado? Uma bela surpresa, com uma versatilidade que não se adivinhava nos discos anteriores mas deixa muita curiosidade em relação ao próximo.

 

 

 

Fotos: Pedro B. Maia/SAPO On The Hop

 

55 de 2016

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Organizar uma lista de melhores do ano no cinema, na televisão e na música numa altura em que, como nunca antes, há filmes, séries e álbuns em doses industriais e em cada vez mais plataformas só pode pecar por defeito. Mas quantidade não é necessariamente sinónimo de qualidade, sobretudo quando chegam a estrear dez filmes em algumas semanas sem que muitos dos mais discretos (e às vezes mais interessantes) consigam ter tempo de aquecer as salas (como "O Inimigo da Turma", "A Filha" ou tantos outros poderão confirmar). O mesmo vale para o pequeno ecrã, com a "idade de ouro" da televisão a debitar tantas novidades que se torna difícil manter uma relação fiel com mais de meia dúzia de séries em simultâneo. E também já lá vai o tempo em que a ligação a um álbum podia durar meses, ou pelo menos semanas, quando a nova promessa ou suposta epifania do momento pode ser ouvida num encontro imediato via streaming - mesmo que nem chegue a haver um segundo contacto. Por outro lado, quando a oferta é tanta e tão recorrente, a tradição do top anual talvez faça ainda mais sentido, nem que seja para ir obrigando a lembrar o que vale mesmo a pena reter dos últimos meses. E 2016 foi bem melhor quando contou com estes 55 para ver e/ou ouvir:

 

10 FILMES

 

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"Agnus Dei - As Inocentes", Anne Fontaine
"Ela", Paul Verhoeven
"Ensurdecedor", Joachim Trier
"A Filha", Simon Stone
"O Inimigo da Turma", Rok Bicek
"Meu Rei", Maïwenn
"Muito Amadas", Nabil Ayouch
"Mustang", Deniz Gamze Ergüven
"Regresso a Ítaca", Laurent Cantet
"Suburra", Stefano Sollima

 

Fora de circuito: "Spa Night", Andrew Ahn (no QueerLisboa)
Maior perda de tempo: "Nem Respires", Fede Alvarez

 

10 SÉRIES

 

BLOODLINE

 

"The Americans" (T4), FOX
"Atlanta" (T1), FX
"Black Mirror" (T3), Netflix
"Bloodline" (T2), Netflix
"The Expanse" (T1), Syfy
"O Gerente da Noite", AMC/BBC One
"The Get Down" (T1), Netflix
"A Guerra dos Tronos" (T6), HBO
"House of Cards" (T4), Netflix
"London Spy", BBC Two

 

Desilusão do ano: o regresso de "Ficheiros Secretos"

 

10 DISCOS

 

Musician PJ Harvey beside River Anacostia. Anacostia. SE Washington D.C. April 2014

 

"Amnesty (I)", Crystal Castles
"Ash & Ice", The Kills
"Chaosmosis", Primal Scream
"Distortland", The Dandy Warhols
"Mirage", Digitalism
"Silver Souls", Compact Disk Dummies
"The Hope Six Demolition Project", PJ Harvey
"The Triad", Pantha Du Prince
"They Moved in Shadow All Together", Emily Jane White
"United Crushers", Poliça

 

Desilusão do ano: "Strange Little Birds", Garbage

 

5 DISCOS NACIONAIS

 

Throes+The_Shine

 

"Acho que é meu dever não gostar", Señoritas
"Língua", Octa Push
"Miopia", Osso Vaidoso
"Terra do Corpo", Medeiros/Lucas
"Wanga", Throes + The Shine

 

15 CANÇÕES

 

Bat_for_Lashes

 

"100% or Nothing", Primal Scream
"Ablaze", School of Seven Bells
"Anxiety", Preoccupations
"Apathy", Night Shade
"Baroque", Xeno & Oaklander
"Burn", Pet Shop Boys
"Close Encounters", Bat For Lashes
"D7-D5", Blanck Mass
"Falling", Beth Orton
"Let It Drop", The Kills
"Nightmares on Repeat", Emily Jane White
"STYGGO", The Dandy Warhols
"The Wheel", PJ Harvey
"Utopia", Digitalism
"You Want It Darker", Leonard Cohen

 

5 CONCERTOS

 

The_Kills_Foto_Rita_Sousa_Vieira

 

The Comet is Coming no FMM Sines
Crystal Castles no Paradise Garage
Florence + The Machine no MEO Arena
The Kills no Coliseu dos Recreios
PJ Harvey no Coliseu dos Recreios

 

Barretes do ano: Anohni no Coliseu dos Recreios e Tricky na Aula Magna

 

"Ninguém parado, ninguém calado"

elza_soares

 

Apesar de não ter contado com um cartaz tão sonante como os de algumas edições anteriores, o VODAFONE MEXEFEST, que regressou a Lisboa na passada sexta e sábado, ainda contou com uma mão cheia de bons concertos. No SAPO Mag, recordo os dos Jagwar Ma, Nao, Sunflower Bean e Medeiros/Lucas, no primeiro dia, e de Elza Soares, Digable Planets e Señoritas, no segundo.