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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Docinho electropop

little_dragon

 

Se "High", o primeiro single do próximo álbum dos LITTLE DRAGON, insinuava que a banda continuava entregue ao flirt entre o R&B e o trip-hop, o novo avanço propõe outras paragens. E até são mais sugestivas do que a combinação que o quarteto sueco tem feito de forma competente, mas sem grandes variações ao longo dos últimos dez anos.

 

Com pulsão mais frenética do que o habitual, logo aos primeiros segundos, "SWEET" é uma pequena delícia electropop na qual o timbre de Yukimi Nagano chega a lembrar o de Kelis nas suas aventuras rumo à pista de dança. Os ritmos 8-bit são outro condimento-chave do festim de sintetizadores que pisca o olho o Verão enquanto acompanha a "sugar rush" da letra e atira "Season High" para a lista de álbuns a aguardar esta Primavera - chega a 14 de Abril e o videoclip junta-se ao single para ajudar a abrir caminho:

 

 

Dança com as estrelas

cameron_avery

 

Enquanto os Tame Impala não avançam novidades desde o terceiro álbum, "Currents" (2015), o baixista do projecto de Kevin Parker encarrega-se de oferecer um dos discos a ter em conta esta temporada. "Ripe Dreams, Pipe Dreams", a estreia a solo de CAMERON AVERY, músico que também já passou pelos Pond, chega esta sexta-feira e um dos primeiros temas, "Wasted on Fidelity", deixava vontade de ouvir mais.

 

"DANCE WITH ME", o novo single, continua a manter-se distante do rock ou da electrónica de outras aventuras do australiano e investe numa balada de travo clássico, conduzida por uma convincente voz de barítono, com potencial para agradar aos fãs de Leonard Cohen ou Nick Cave - ou aos dos mais recentes Gabriel Bruce e Jack Colwell, outros seguidores de um romantismo enxuto e literato.

 

Tal como a canção, o videoclip dispensa grandes efeitos: num cenário nocturno, limita-se a convidar a modelo e apresentadora Alexa Chung para uma (última) dança com o baixista que, se continuar assim, é bem capaz ficar mais conhecido enquanto cantor de charme melancólico. Admita-se que não veste mal o papel:

 

 

O que há de novo no amor?

the_xx_2017

 

Valeu a pena esperar cinco anos por "I See You"? Comparando o resultado com os dois álbuns anteriores dos THE XX, não especialmente. Embora esteja a ser louvado como o disco mais festivo de uma banda habituada à introspecção, não há assim tantos momentos de euforia ao longo de um alinhamento demasiado agarrado ao passado - e a uma fórmula que soava refrescante no final da década passada.

 

Mas mesmo sendo o registo menos obrigatório do trio britânico, "I See You" ainda vai oferecendo episódios a que vale a pena voltar. É o caso de "SAY SOMETHING LOVING", um dos temas que confirmam a faceta mais luminosa da banda já na idade adulta. A viragem conta com a ajuda do sample de "Do You Feel It?", canção esquecida dos Alessi Brothers, e de uma alternância das vozes de Romy Madley Croft e Oliver Sim feita de modo mais entusiasmante do que o piloto automático de outras faixas.

 

O tema foi das primeiras amostras do disco editado em Janeiro, mas o vídeo só chegou agora e é quase uma continuação directa do de "On Hold" - o que faz sentido tendo em conta que também é assinado por Alasdair McLellan, o realizador e fotógrafo de eleição para o novo álbum. Desta vez o foco salta do Texas para Londres, mas o retrato agridoce da adolescência mantém-se e casa bem com o embalo da canção:

 

 

O estado das coisas

novella

 

À medida que Donald Trump e o Brexit foram conquistando seguidores, foram também alimentando reacções (quase sempre negativas) no universo das artes. A famigerada última noite dos Óscares é um dos exemplos mais recentes e mediáticos, mas a música tem sido outro terreno permeável a contaminações políticas que tanto marcam estrelas pop globais como nomes de esferas mais restritas.

 

"Change of State", o novo álbum dos NOVELLA, não sendo propriamente composto por canções de intervenção, resulta das viagens que o quarteto londrino fez pelo Reino Unido no ano passado, através das quais testemunhou um ambiente de tensão social e ideológica que é parte da matéria-prima de um alinhamento igualmente inspirado pela escrita de Haruki Murakami, JG Ballard ou Kurt Vonnegut.

 

Mas se a liberdade de expressão foi o mote do disco, musicalmente o sucessor de "Land" (2015) não está tão interessado em registar o ar do tempo. A banda não foge à combinação de krautrock, shoegaze, indie pop e texturas psicadélicas de temas como "Land Gone" nem esconde o peso de discos dos Stereolab ou Lush enquanto lembra nomes mais recentes, na linha dos também algo anacrónicos Blouse e Veronica Falls (não por acaso, James Hoare, o vocalista e guitarrista destes últimos, foi um dos produtores).

 

Felizmente, a consistência instrumental, rítmica e melódica, também se mantém intacta e chega para compensar a relativa falta de risco de momentos como "CHANGE OF STATE", o novo single, com o videoclip a reforçar o conforto de uma banda a jogar em casa - mas atenta ao que se passa lá fora: