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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Olha o passarão

Bird_Brains

 

Enquanto não chega a rentrée e, com ela, uma série de novos álbuns, um dos bons lançamentos do Verão fica por conta dos HOLY FUCK. O EP "Bird Brains" é o sucessor do quarto álbum dos canadianos, "Congrats", editado no ano passado, e deixa mais quatro temas (quase todos instrumentais, como é habitual na banda) que se movem entre uma mistura de rock, electrónica, noise ou industrial sem se decidirem necessariamente por um território.

 

A faixa título é a primeira amostra oficial e arranca a lembrar uma versão mais robusta de "Flat Beat", o clássico de Mr. Oizo, antes de se atirar a outros ambientes. O frenesim apontado às pistas de dança mantém-se no videoclip, um concentrado de hedonismo que a realizadora Allison Johnston diz ter partido dos lugares comuns associados às festas - e motivados por vídeos como o de "Hot In Herre", de Nelly.

 

O protagonista do deboche mostra que o grupo de Toronto continua interessado em seguir animais fora do seu ambiente, alucinados q.b. (vale a pena recordar "Red Lights"), num shot de adrenalina a condizer com um single daqueles para irritar os vizinhos:

 

 

Em boa companhia

feist_century

 

Jarvis Cocker já tinha colaborado com FEIST em "CENTURY", um dos temas do último álbum da canadiana, e por isso não surpreende que também surja no final do videoclip do novo single. Mas antes há outra convidada, mais inesperada: Maria Doyle Kennedy, bem conhecida dos fãs da série "Orphan Black" (como a intrépida Siobhan, ou Mrs. S.), que entra em conflito com a cantautora antes de conseguir alguma sintonia.

 

O salto entre o confronto e o abraço já vem, aliás, da própria canção, um belo exemplar da faceta agreste de "Pleasure", na linha da viragem austera q.b. do antecessor "Metals" (2011). Assente num braço de ferro entre percussão e guitarras, o tema é um portento de rock terra-a-terra que assume um tom mais meditativo no desfecho, com a contribuição spoken word do ex-vocalista dos Pulp a ser acompanhada por imagens que se afastam da batalha coreografada do arranque do videoclip. Além de um single imponente, "CENTURY" serve de lembrete para ir voltando a um disco que insiste, e bem, em não se revelar de forma tão directa:

 

 

Trance à islandesa

gusgus_2017

 

20 anos depois de "Polydistortion", o disco que os colocou entre as maiores revelações islandesas da década de 90, os GUSGUS preparam-se para editar aquele que será já o seu décimo álbum. "Lies Are More Flexible" deve chegar na rentrée, mas a banda apresentou entretanto o primeiro single, que será também o tema de abertura dos seus concertos deste Verão.

 

"FEATHERLIGHT" segue a linha dos alinhamentos de "Mexico" (2014) ou "Arabian Horse" (2011) ao investir em electrónica atmosférica e dançável, com influências vincadas do trance mas sem cair nos traços mais óbvios e espalhafatosos do género.

 

A voz reconhecível de Daníel Ágúst Haraldsson e a produção minimalista e subtil ajudam a fazer da receita dos GUSGUS um caso à parte na música de dança, mesmo que este nem seja dos seus singles essenciais. Mas é suficientemente envolvente para deixar curiosidade sobre o que aí vem, ao mesmo tempo que promete ser um bom aquecimento para actuações que não dispensam momentos mais frenéticos (como o brilhante "Airwaves", da colheita recente). O videoclip mantém o lado performativo de outros complementos visuais do grupo:

 

 

De França com louvor

maud_geffray_polaar

 

Numa altura em que já começam a surgir balanços provisórios do ano musical, o álbum de estreia de MAUD GEFFRAY merece juntar-se à lista de boas surpresas. A Les Inrocks até diz que "Polaar" é o segundo melhor disco de música electrónica do primeiro semestre (logo atrás do mais recente de Arca, homónimo), escolha que talvez empole em demasia a prata da casa mas que pelo menos chama merecidas atenções para a cantora e produtora francesa.

 

Se a faixa título tinha deixado uma óptima impressão inicial, o alinhamento mostra que a metade feminina dos Scratch Massive também convence em nome próprio, apesar de nem sempre brilhar tanto como nesse single. Em contrapartida, tem o mérito de seguir noutras direcções em vez de se ficar por uma synthpop orquestral.

 

É o que acontece em "FOREVER BLIND", a nova aposta, que nasce de cruzamentos electro, house e techno e introduz uma voz feminina a meio (na linha de Grimes ou Kelly Lee Owens) quando aparentava ser apenas instrumental - como o são algumas das melhores faixas do álbum. O videoclip alarga a faceta onírica do tema e não destoaria no saudoso "Chill Out Zone", da MTV, a altas horas da madrugada de um fim de semana.