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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Voz e guitarra, colecção Outono/Inverno

chastity_belt

 

"I Used to Spend So Much Time Alone", o terceiro álbum das CHASTITY BELT, ficou meio perdido entre os lançamentos deste Verão mas até tem um perfil mais apropriado para banda sonora dos primeiros avanços do Outono.

 

Desde o título já de si introspectivo à diluição de shoegaze, pós-punk e grunge com tanto de familiar como de personalizado, o novo lote de canções do quarteto de Seattle reforça a melancolia dos antecessores sem deixar de parte o sarcasmo adolescente - a vincar os relatos da vocalista Julia Shapiro desde "No Regerts", de 2013 (assim mesmo, com gralha no título).

 

Boas notícias para quem gosta de entrosamentos de vozes femininas e guitarras (mais insinuantes do que explosivas), para guardar ao lado de discos de colegas de geração como as Warpaint, Speedy Ortiz ou Best Coast da fase mais recente (e menos soalheira), mas também dos de veteranos como os Lush, Slowdive ou Kristin Hersh.

 

"STUCK", o novo single, é um cartão de visita convidativo e com a particularidade de ter a composição e interpretação a cargo da baterista Gretchen Grimm. O videoclip, declaradamente lo-fi, ajusta a viagem interior a um desvio para a América profunda:

 

 

O caminho das estrelas

depeche_mode_2017

 

Boa parte do que se tem dito sobre o último álbum dos DEPECHE MODE passa pela vertente política acentuada, mas "Spirit" até é mais interessante quando se concentra no universo individual. E nem é preciso ir mais longe do que "COVER ME", uma das melhores canções de um disco que dificilmente ficará entre os clássicos do trio britânico.

 

A arrancar em modo bluesy antes de se entregar a um instrumental que reforça os sintetizadores, e apresentando um Dave Gahan em óptima forma, a canção mostra que a banda ainda é a mais credível a trabalhar a fórmula que instituiu. Essa personalidade sai ampliada no videoclip, nova colaboração com o cúmplice Anton Corbijn, e o resultado pode ser visto como um sucessor temático e espiritual do clássico "Enjoy the Silence".

 

Tal como nas imagens do hino de "Violator" (1990), o vocalista está no centro de uma viagem que parte agora das ruas quase desertas de Los Angeles para uma nave espacial. O rei deu lugar ao astronauta, mas a solidão em modo contemplativo mantém-se, agora a preto e branco:

 

 

"COVER ME" é o novo single extraído do álbum e abre caminho para a edição de várias remisturas em formato digital, CD e vinyl a 6 de Outubro. Entre os nomes que as assinam destacam-se as Warpaint, Ellen Allien, Erol Alkan ou Josh T. Pearson.

 

Haja charme e savoir faire

Paupière

 

Revelados no EP "Jeunes instants", no ano passado, os PAUPIÈRE deixavam aí boas pistas para apreciadores de uma synthpop atenta aos ensinamentos dos Human League, Visage, Depeche Mode (dos primeiros tempos) ou dos mais esquecidos Deux - apenas alguns nomes da lista de favoritos do trio canadiano.

 

Essa primeira impressão não enganou. "À JAMAIS PRIVÉ DE RÉPONSES", o álbum do projecto de Pierre-Luc Begin, Julia Daigle e Eliane Préfontaine, mantém-se entre essas coordenadas mas expande um universo que deve tanto à geração new romantic como à chanson, com temas entoados a três vozes e sempre a optar pelo francês como idioma.

 

O disco é um dos lançamentos mais recentes da Lisbon Lux Records, editora de Montreal dedicada à pop electrónica, e talvez por isso não ande longe dos ambientes de alguns colegas de etiqueta, como os Sans Sebastien, outros que juntam melancolia, boémia e romantismo com um savoir faire assinalável. Mas os Automelodi, Xeno & Oaklander, Yelle ou Vive la Fête também podem ser apontados como parentes próximos da banda, que diz encontrar nos filmes de Xavier Dolan uma sensibilidade comparável à dos seus olhares sobre as relações modernas.  

 

Embora só seja editado a 15 de Setembro, "À jamais privé de réponses" já pode ser ouvido até lá, gratuitamente e na íntegra, no site da ICI Musique.

 

Como aperitivo, servem-se os vídeos de duas canções do EP de estreia, "Elle et luie" e "Cinq heures", e o do novo single, "Rex". Bon appétit!

 

 

 

 

Alison do outro lado da câmara

goldfrapp_2017

 

Nova chamada de atenção para um dos melhores regressos do ano. "EVERYTHING IS NEVER ENOUGH" é a aposta oficial mais recente para o sétimo disco dos GOLDFRAPP, "Silver Eye", o tal que devolveu a dupla britânica a domínios electrónicos - aqueles nos quais habitualmente está mais inspirada, pelo menos no formato álbum.

 

Percebe-se a escolha do tema, já que é dos mais imediatos do alinhamento, mas quem se tinha habituado a ele na versão original, que ultrapassava os cinco minutos de duração, talvez estranhe a edição promocional, que não chega aos quatro.

 

Nada que retire o apelo de um acesso dançável cujo travo místico parece sair reforçado no videoclip. Tal como o do single anterior, "Systemagic", a realização ficou a cargo da própria Alison Goldfrapp, que aqui aposta num tom mais luminoso - tendo Fuerteventura, nas Canárias, como cenário - enquanto volta a recorrer a ambientes oníricos q.b. habitados por corpos esculturais com pouco a esconder (neste caso só um, masculino, além da presença da cantora). Alguns novos anúncios a margarinas e detergentes que se cuidem: