
Enquanto estão a gravar o próximo álbum - com edição prevista para inícios de 2012 -, os Garbage parecem estar também, finalmente, a aceder a um dos pedidos mais frequentes dos fãs: a edição de um disco de lados B.
É certo que havia já um bootleg, "The G-Side Collection" (1998), que juntava alguns deles a remisturas - de temas dos dois primeiros álbuns -, mas desta vez é oficial... ou quase, já que a banda não confirmou a edição, embora tenha revelado estar a considerar a hipótese.
Por enquanto, disponibilizou oito temas para audição na secção Garbage Radio da sua página do Facebook - entre estes a bela versão de "Thirteen", dos Big Star, a mais bizarra e atmosférica "Alien Sex Fiend" ou a frenética "Girl Don't Come" - e avançou que há mais a caminho. Mais e melhor, como os dois exemplos dos vídeos abaixo - "13 X Forever", lado B de "Special" (1998), e "Use Me", que acompanhou "Cherry Lips" (2001) e teria ficado muito bem no álbum "Beautiful Garbage":

O Dia de São Valentim serve, pelo menos, como pretexto para recuar até 1996, ano em que Baz Luhrmann fez a sua versão - para a geração MTV - do clássico "Romeu e Julieta", de Shakespeare.
O primeiro dos dois singles da banda-sonora foi assinado pelos Garbage (o segundo seria "Lovefool", dos Cardigans) e custa a acreditar que tenha sido editado originalmente como um lado B de "Vow", no ano anterior.
Felizmente, o tema não ficou apenas ao alcance dos fãs mais atentos da banda e a versão que acompanhou o filme, remisturada por Nellee Hooper, soube aprimorar (ainda mais) a canção - sobretudo pelo sample vocal, que alguns dizem ter sido retirado de "Bedtime Story", de Madonna.
Mas mesmo sem esse acréscimo, bastaria a intensidade de Shirley Manson para tornar "#1 Crush" num dos temas mais devastadores dos Garbage:

Garbage editam quinto álbum em 2011
When I grow up, I'll be stable,
When I grow up, I'll turn the tables

O que é que zombies gay, jovens que ambicionam ser terroristas, muçulmanos divididos entre a religião e a sexualidade e os Pet Shop Boys têm em comum? Entre outras hipóteses, fazem parte da programação da 12ª edição do Queer Lisboa, a decorrer a partir de hoje e até dia 27 no cinema São Jorge.
Nos últimos anos, o Festival de Cinema Gay e Lésbico de Lisboa tem apostado de forma inteligente num cartaz mais ecléctico e numa reformulação do seu conceito (inclusive do nome), e agora apresenta 130 obras inéditas em salas nacionais, que se distribuem por vários géneros e nacionalidades.
Curtas e longas-metragens, documentários, videoclips, debates e festas são alguns dos destaques da maior - e talvez melhor - programação de sempre do evento.
Espera-se que haja por lá obras tão surpreendentes como o arrebatador "The Bubble", de Eytan Fox, uma das melhores da edição anterior, e que o nível médio mantenha a consistência evidenciada em 2007.
"Chuecatown", do espanhol Juan Flahn, é o filme de abertura, exibido hoje às 21h30 no São Jorge, e a partir de amanhã haverá cerca de quatro sessões por dia (em alguns casos, mais) nas salas 1 e 3 do mesmo cinema. Mais informações neste artigo.
Deixo um videoclip que bem poderia fazer parte da secção Queer Pop, e até pode ficar como sugestão para a próxima edição:
Garbage - "Queer"

"Tell Me Where It Hurts", o single lançado quando os Garbage anunciaram uma pausa por tempo indeterminado, foi uma triste confirmação do percurso criativo descendente da banda. Um tema linear, sem alma, a milhas do que demonstraram antes.
Felizmente, "Samson & Delilah", a primeira canção de Shirley Manson a solo gravada para a série "Terminator: The Sarah Connor Chronicles" (onde também participa como actriz), está vários degraus acima e recupera o carisma e presença da cantora.
Aqui sim, sente-se entrega e intensidade, numa cover dos Grateful Dead que supera em muito o original (mas eu, admito, sou suspeito).
Um belo regresso a reforçar ainda mais a expectativa para o tal álbum a solo onde colaboram Billy Corgan, Beck, Jack White, Butch Vig ou David Arnold, e que está difícil de sair.
Shirley Manson - "Samson & Delilah"
Garbage - "Vow"
Garbage - "Androgyny (DJ Lee Hermaphrodite Mix)"
Quando ouvi o primeiro single do novo álbum dos Garbage, "Bleed Like Me", temi o pior. Cançãozinha de fúria enlatada, com uma estrutura linear de verso-refrão-verso e incapaz de aproveitar a maleável voz de Shirley Manson, antecipava um disco desinspirado.
Foi editado hoje o novo álbum dos Garbage, o quarto de originais do grupo. O anterior, "beautifulgarbage", foi uma semi-desilusão, e estava uns furos abaixo dos óptimos "Garbage" e "Version 2.0.".
O recente "Bleed Like Me" também não consta entre os melhores da banda, mas confesso que não é tão mau como esperava, tendo em conta algumas críticas pouco positivas que já circulavam na net ("Why Do You Love Me", o pouco auspicioso primeiro single, é um dos piores temas do álbum)...Sim, reduz a carga electrónica e aumenta a dose de guitarras, é muito mais convencional e acessível, mas ainda se aguenta durante algumas audições. Mas, claro, a minha opinião é suspeita, ou não fosse este um dos meus grupos preferidos...
Não digam a ninguém, mas aqui podem ouvir o disco na íntegra gratuitamente :D
Com o seu segundo álbum de originais, os Garbage proporcionaram, em 1998, um dos melhores registos pop de final do milénio.
Em "Version 2.0.", a amálgama de rock e electrónica aprimora as desafiantes sonoridades do igualmente recomendável disco de estreia e oferece um saboroso conjunto de doze canções, qualquer delas candidata a single perfeito e inesgotável.
Se em "Garbage" a banda apostava numa simbiose de influências que percorriam o grunge, indie rock, shoegaze e alguns travos góticos, devidamente acompanhadas por uma considerável carga electrónica, em "Version 2.0." os ambientes centram-se numa estimulante power-pop mesclada com reminiscências techno/industriais e trip-hop.
Mais acessível do que o álbum antecessor, não é por isso menos ousado e inventivo, dado que as cativantes e trauteáveis melodias encontram-se imersas numa complexa rede electrónica composta por um minucioso trabalho de produção.
Devido à densa presença de loops e samples (profissionalmente trabalhados), "Version 2.0." consegue surpreender ao longo de várias audições, e cada canção possui um recanto com territórios inexplorados e refrescantes.
As absorventes texturas e camadas sonoras que o grupo utiliza nas suas composições já seriam suficientes para entusiasmar, mas a sedutora e carismática voz de Shirley Manson fornece uma considerável mais-valia. Por vezes frágil e delicada, como na etérea balada "You Look So Fine", noutros momentos portentosa e rude, como na dinâmica "I Think I'm Paranoid", a presença da vocalista é um condimento tão essencial como o intrincado trabalho de estúdio originado por Buth Vig e demais elementos da banda.
Mais polido e "limpo" do que "Garbage", uma vez que não possui atmosferas tão claustrofóbicas e nebulosas como este, "Version 2.0." contém, ainda assim, uma série de canções pop de alto calibre, como a intrigante "Sleep Together", a belíssima "The Trick is to Keep Breathing", a irresistível e ultra-dançável "Dumb" ou a criativa e viciante "Hammering in My Head" (com uma estranha, mas hipnótica, mistura de techno e spoken word, num dos momentos mais experimentais do álbum).
Apelativo, ecléctico e consistente, "Version 2.0." é um brilhante sucessor de "Garbage", destacando-se, juntamente com este, como um dos mais interessantes discos da década de 90 a interligar as linguagens do rock e da electrónica, numa soberba combinação de referências e universos cada vez mais indissociáveis.
E O VEREDICTO É: 5/5 - EXCELENTE

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