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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Anos 80 bem medidos

marnie

 

"Crystal World" provou, há quatro anos, que Helen MARNIE, uma das vozes dos Ladytron, era a melhor alternativa à falta de novidades da sua banda - que ainda está para editar o sucessor de "Gravity the Seducer" (2011). 

 

Com o segundo álbum a solo, "Strange Words and Weird Wars", agendado já para 2 de Junho, é legítimo continuar a esperar mais uma boa colheita de pop electrónica, provavelmente ainda mais devedora dos anos 80 do que o registo anterior. Ou pelo menos é que têm dado a entender os primeiros avanços: o excelente "Alphabet Block", o mais denso "Lost Maps" e agora "ELECTRIC YOUTH".

 

Rebuçado boy meets girl directo e melódico, não será dos temas mais surpreendentes da cantora britânica mas é mais um single promissor, a abrir o apetite para um dos regressos da temporada. O videoclip, também com os anos 80 bem presentes, condiz com a nostalgia e inocência da letra:

 

 

A solo, mas solidária

marnie_2017

 

"Where's the revolution? Come on, people, you're letting me down", questionam e desabafam os Depeche Mode no primeiro single do seu novo álbum. "Is there anybody out there speaking the truth? Don't believe what they tell you", dispara por sua vez Helen MARNIE, uma das vocalistas da banda que melhor tem seguido os passos, neste milénio, da escola da pop electrónica que Dave Gahan e companhia ajudaram a criar há quatro décadas.

 

Mas enquanto os Ladytron não anunciam um sucessor para o já distante "Gravity the Seducer" (2011), um dos seus elementos já vai a caminho do segundo álbum em nome próprio. Como sugere o novo single, "LOST MAPS", o alinhamento do disco que se segue a "Crystal World" (2013) e está previsto para 2 de Junho é mais político, desde logo no título, "Strange Words and Weird Wars". E se o cartão de visita anterior, o brilhante e irresistível "Alphabet Block", não o deixava muito evidente, a letra da nova aposta é bem mais esclarecedora.

 

"Is anybody out there looking for you? Do they know what you've been through?", pergunta Marnie, e as frases ganham outra ressonância no videoclip, com inspiração directa na crise dos refugiados. Tal como os Depeche Mode, a britânica arrisca medir o pulso do clima social sem adiantar grandes soluções, mas nem eram necessárias imagens para a canção ganhar um sentido de urgência assinalável: basta a marcha synthpop, imponente e infecciosa, e uma voz que continua a ser das mais confiáveis destes tempos entre texturas electrónicas:

 

 

Mãos ao ar (em nome da boa pop)

 

Enquanto não há novo disco dos Ladytron - e ainda parece demorar a chegar - vai havendo, pelo menos, música nova de alguns dos seus elementos. Daniel Hunt prepara a estreia dos Tamoios, aventura paralela em São Paulo, e no ano passado produziu o primeiro álbum de Marnie, uma das vocalistas da banda de Liverpool.

 

As canções de "Crystal World" ainda não dão sinais de cansaço, mas a cantora e compositora não quer ficar por aí e já tem um single novo, "Wolves", inspirado pelo referendo sobre a independência da Escócia embora não o aborde directamente. Tal como nos Ladytron e no disco a solo, a electrónica continua a ser o caminho a seguir e volta a gerar bons resultados. E também como em grande parte de "Crystal World", a matriz parece ser "Gravity the Seducer", agora numa versão ainda mais polida e directa.

 

Infelizmente, um refrão orelhudo e imponente não parece ser suficiente para que um single destes consiga furar a maioria das playlists, sejam televisivas ou de rádios de "grandes músicas" - e assim algumas distinções continuam dar má fama à pop. Ainda haverá esperança? Marnie até nos convence que há sempre, numa bonita ode à mudança a pedir mãos no ar, como no videoclip:

 

Os tribalistas

 

E se os Ladytron sambassem? O novo projecto de um dos elementos da banda não dá propriamente a resposta, mas faz a aproximação possível. Depois de produzir o disco de estreia a solo da colega Helen Marnie, no ano passado, Daniel Hunt tem andado ocupado com Tamoios, aventura paralela ao lado dos brasileiros Luisa Maita e Fernando Rischbieter.

 

A morar em São Paulo desde 2012, o multi-instrumentista britânico promete um álbum entre a pop electrónica através da qual se distinguiu e influências tropicais, uma novidade no seu percurso - por muito que os ambientes dos Ladytron tenham mudado ao longo de cinco discos. A viragem sul-americana começa logo pelo nome do projecto, que designava uma tribo indígena do litoral brasileiro, e mantém-se num primeiro single com percussão tribal moderada e voz feminina lânguida, a abrir caminho para um longa-duração no Outono. Soa mais aos Brazilian Girls do que aos Ladytron, mas soa bem.

 

A aproximação ao Brasil em geral e a São Paulo em particular sai reforçada no videoclip de "Alto lá", que tem como cenário o Memorial da América Latina, um dos marcos arquitectónicos da cidade, da autoria de Oscar Niemeyer - embora as imagens até vivam mais da(s) figura(s) da vocalista, quase sempre em contraluz: