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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

A rainha da noite

Tracey Thorn

 

Além de eterna voz dos Everything but the Girl ou de várias colaborações, TRACEY THORN tem-se destacado por um percurso em nome próprio com lançamentos ocasionais. Desde que a dupla que compunha com Ben Watt disse adeus na viragem do milénio, a britânica assinou três álbuns (dois de originais e um natalício), sucessores da mais longínqua estreia a solo "A Distant Shore", de 1982.

 

O próximo chega este trimestre, a 2 de Março, seis anos depois de "Tinsel and Lights", e deverá aprofundar a filiação numa pop electrónica dançável, à qual THORN é geralmente associada (apesar de uma fase inicial mais próxima da folk).

 

"QUEEN" dá o mote de forma directa e pulsante q.b., embora nem os sintetizadores nem a guitarra que se intromete a meio cheguem a ameaçar o protagonismo vocal, numa canção que convida Sella Mozgawa e Jenny Lee Lindberg, das Warpaint, para a percussão e baixo, respectivamente.

 

Corinne Bailey Rae e Shura são os outros nomes já confirmados para um disco que promete aliar o feminismo à pista de dança em faixas como "Smoke", "Guitar" ou "Dancefloor". Nada contra quando o aperitivo é um exemplo de synthpop redondinha e orelhuda, defendida por uma voz sem grandes paralelos no género:

 

 

O rock não morreu e ainda merece ser abraçado

Moaning

 

Foi desta que o rock morreu? A popularidade inegável do hip-hop junto do público mais jovem (e não só), o acomodamento de muitos veteranos ou a enésima réplica de glórias antigas no ADN de uma nova banda levam muitos a garantir que sim, mas convém não arrumar já as guitarras. Pelo menos enquanto continuarem a surgir revelações como uma das últimas apostas da (insuspeita) Sub Pop.

 

É verdade que não serão os MOANING a salvar, por si só, um género cuja morte tem vindo a ser decretada há décadas, até porque não trazem nenhuma novidade de maior nas suas primeiras canções. E se também é certo que a sua música convoca várias escolas em tempos tidas como alternativas - dos Joy Division aos Nirvana, passando pelo lado mais agreste dos Smashing Pumpkins -, há por aqui um sentido de urgência e uma coesão instrumental que tem faltado a muitas promessas.

 

Parte do efeito do power trio de Los Angeles nasce da forma como consegue juntar elementos pós-punk, góticos ou grunge na mesma canção, assim como sugestões de algum shoegaze (ou não fossem os Slowdive uma das influências assumidas), o que dá às primeiras amostras uma combinação equilibrada de familiaridade e imprevisibilidade.

 

A experiência em palco terá ajudado, já que Sean Solomon (voz e guitarra), Pascal Stevenson (baixo) e Andrew MacKelvie (bateria) têm tido presença regular na cena independente local nos últimos dez anos, desde que se conheceram na adolescência e aliaram a amizade à colaboração em projectos fugazes. Mas parece ser com os MOANING que irão mais longe, com um álbum de estreia em preparação desde 2014 e que conhece finalmente a luz do dia a 2 de Março.

 

O disco, homónimo, é produzido por Alex Newport (At The Drive-In, The Melvins, Bloc Party) e tem em "The Same", "Don't Go" e no mais recente "Artificial" três singles que sugerem estar aqui uma das surpresas de 2018 - além de revitalizante q.b. no campeonato das guitarras: 

 

 

 

 

Rastilho para um regresso

Keep Razors Sharp

 

Em equipa que ganha não se mexe e a dos KEEP RAZORS SHARP mantém-se intacta, quatro anos depois do álbum de estreia (que continua a poder ser ouvido e descarregado gratuitamente aqui).

 

Afonso (Sean Riley & The Slowriders), Rai (The Poppers), Bráulio (ex-Capitão Fantasma) e Bibi (Pernas de Alicate) voltaram a juntar-se para um dos discos a aguardar entre a produção nacional de 2018, ainda sem data de lançamento mas já com uma pista do que aí vem.

 

"ALWAYS AND FOREVER", o single de apresentação, retoma a efervescência do grupo num portento psicadélico de travo shoegaze, directo e propulsivo, com o contraste de vozes e guitarras a levar a uma vertigem de três minutos (e a mostrar potencial para sair ampliada ao vivo). O refrão orelhudo também ajuda, mesmo que não seja tão pegajoso como o de um tema na linha de "Can't Get You Out of My Head" (sim, a canção de Kylie Minogue que teve direito a uma tremenda versão da banda).

 

O videoclip, realizado por Leonor Bettencourt Loureiro, foi filmado nos Blacksheep Studios, em Mem Martins, mas a música atira-nos mais facilmente para o deserto norte-americano num dia agreste q.b. e com eventual mergulho em demónios interiores. Para começar a aquecer o ano enquanto abre caminho para o álbum, não está nada mal:

 

 

Animais nocturnos

jamiroquai

 

"Automaton" (2017), o oitavo álbum dos JAMIROQUAI, esteve longe de ser um mau regresso, mas o excelente single de apresentação e faixa-título não chegou a ter correspondência num alinhamento que mostrava, afinal, uma banda (ainda) demasiado igual a si própria - e a contrariar assim o travo mais sintético e futurista do primeiro avanço.

 

De qualquer forma, um passo que foi sobretudo um exemplo de evolução na continuidade ainda trouxe outros momentos meritórios, que embora não sejam capazes de disputar com os singles clássicos dos britânicos justificam que continuemos da dar-lhes alguma atenção.

 

Foi o caso de "NIGHTS OUT IN THE JUNGLE", um dos temas mais hedonistas do álbum e prova de que o grupo ainda consegue ser uma máquina muito bem oleada entre o electrofunk e o disco, com um novelo instrumental onde sintetizadores, baixo, guitarra, flauta ou percussão se entrelaçam e intercalam o protagonismo, lado a lado com o falsete de Jay Kay.

 

O mentor da banda está também no centro do videoclip, incursão nocturna bem menos selvagem do que o título da canção pode dar a entender - e desta vez com o vocalista e apostar no smoking enquanto deixa novos (ou velhos) chapéus em casa: