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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

30 de 2015

Cada vez mais estreias, cada vez menos filmes que deixam marca? Mesmo com as omissões habituais (agravadas pelo pouco tempo em sala de algumas propostas), acaba por ser esse o balanço do primeiro semestre. Tanto que se tornou particularmente difícil, mais do que em anos anteriores, escolher uma dezena de filmes a reter (daí a lista ter ficado pelos cinco). Melhor foi a oferta musical, por muito que o formato álbum esteja em desuso - felizmente, há excepções que confirmam a regra e não seria complicado acrescentar mais uma ou outra aos "keepers" dos últimos seis meses. A lista de séries também podia ser maior, embora seja mais prudente esperar para ver como acabam algumas temporadas ("Borgen" já tem uns anos, é verdade, mas como só chegou há poucos meses à televisão nacional, ainda entra nestas contas). Para saber mais sobre cada filme, disco, canção ou série, é só clicar abaixo:

 

5 FILMES

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"As Vozes", Marjane Satrapi
"Divertida-Mente", Pete Docter e Ronaldo Del Carmen
"Força Maior", Ruben Östlund
"O País das Maravilhas", Alice Rohrwacher
"Os Combatentes", Thomas Cailley

Maior perda de tempo: "Ascensão de Júpiter", Andy e Lana Wachowski/ "Vício Intrínseco", Paul Thomas Anderson

 

10 DISCOS

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"California Nights", Best Coast
"Vulnicura", Björk
"Dumb Flesh", Blanck Mass
"The Magic Whip", Blur
"I Don't Want to Grow Up", Colleen Green
"FROOT", Marina and the Diamonds
"Mar Aberto", MEDEIROS/LUCAS
"Deeper", The Soft Moon
"Foil Deer", Speedy Ortiz
"Viet Cong", Viet Cong

Desilusão do semestre: "Rebel Heart", Madonna
Ansiosamente à espera de: "Destroyer", Telepathe (7 de Agosto)

 

 10 CANÇÕES

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"Notget", Björk
"Cruel Sport", Blanck Mass
"Miniskirt", Braids
"Deeper Than Love", Colleen Green
"Storm's End", Leftfield
"Savages", Marina and the Diamonds
"Hotel", Nocturnal Sunshine
"Meet Your Maker", Shlohmo
"Tira Bilhete", Smix Smox Smux
"Euadaemonia", Them Are Us Too

Canção do Verão: "Milk-Choc", Kazaky

 

 5 SÉRIES

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"A Guerra dos Tronos", HBO
"Borgen", DR1
"House of Cards", Netflix
"Looking", HBO
"The Americans", FX

Melhor primeira impressão: "Mr. Robot", USA Network
Melhor última impressão: "Como Defender um Assassino", ABC

 

O Verão arranca em Braga

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Um disco de fazer despir a t-shirt depois de um banho de cerveja gelada.

 

É assim que os SMIX SMOX SMUX descrevem "VIVER PARA SEMPRE", o seu novo EP - embora, lá está, prefiram rotulá-lo apenas como disco -, o sucessor que já tardava para o seu segundo álbum, "Os Gloriosos Smix Smox Smux Derrotarão os Exércitos Capitalistas" (2011).

 

Se os registos anteriores já passavam quase sempre a correr, estas cinco canções ouvem-se de um trago, a começar na euforia da faixa título e de "Algodão Doce", dois temas que os três bracarenses já tinham oferecido no ano passado. Agora a oferta alarga-se e o disco pode ser ouvido na íntegra, gratuitamente, no site da Azul de Tróia, numa espécie de prenda especial para a chegada do Verão, época convidativa para canções sobre a juventude eterna ou passeios a feiras.

 

As faixas inéditas da segunda metade do alinhamento nem são, no entanto, assim tão veraneantes, e mostram uma faceta menos descontraída da banda. "Nunca Mais!" e "Slows" reforçam a distorção do rock despojado do trio e "Tira Bilhete" aprimora a fórmula num dos momentos mais intempestivos de sempre dos Smix Smox Smux, entre uma espiral viciante de guitarra, bateria e vozes assombradas. Esta pede para subir o volume das colunas mas também vale bem a pena descobri-la ao pormenor com headphones - e ao vivo tem tudo para ser regada com muita cerveja gelada.

 

Nossa Senhora, rogai por eles

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Foto @Rita Sousa Vieira/SAPO On The Hop

 

Apesar de convocar a Virgem Maria, o novo videoclip de MEDEIROS/LUCAS está longe de ser uma proposta canónica para a quadra pascal. Tal como as palavras da maioria das canções da dupla, as imagens de "FADO DO REGRESSO" contemplam o sagrado para mergulharem no profano logo a seguir, resultado de um roteiro que atravessa desertos e praias, cemitérios com campas até perder de vista e quartos com nudez parcial, iconografia religiosa e pop art.

 

O contraste de referências dificilmente se estranha quando o álbum de estreia do projecto açoriano, "Mar Aberto", já virava a tradição do avesso. A mais recente aposta do disco, depois de "Canção do Mar Aberto", é um bom exemplo desse desvio: ao início parece estar ancorada na voz de outro tempo de Carlos Medeiros, mas acaba por se entregar às programações electrónicas de Pedro Lucas. Da partilha de sensibilidades nasceu uma das revelações nacionais do ano, convincente no registo gravado e com potencial para ganhar novos mundos em palco - o concerto de apresentação no Musicbox, há poucos dias, sugeriu que o fado desta digressão vai ter pouco de triste.

 

 

Experimentar não os incomoda

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Pedro Lucas já repescou e reinventou música tradicional açoriana nos dois álbuns do projecto O Experimentar Na M’Incomoda, em 2011 e 2012, com o update de canções da suas raízes para linguagens pop-rock e electrónica. Mas a viagem musical e geográfica não parece ficar por aí e continua agora em formato dupla, no disco de estreia de MEDEIROS/LUCAS.

 

O músico juntou-se a Carlos Medeiros, responsável por algumas das recolhas que inspiraram o projecto anterior, a voz principal do novo "Mar Aberto", álbum agendado para 2 de Março e com apresentação no Musicbox, em Lisboa, a 19. Mitó Medes (d'A Naifa) ou Pedro Gaspar (dos Bandarra) estão na lista de convidados e outro dos colaboradores é Gonçalo Tocha, realizador dos documentários "É na Terra, não é na Lua" e "Balaou" e do primeiro videoclip da dupla, "CANÇÃO DO MAR ABERTO".

 

Com ponto de partida no arquipélago, a rota avançada passa pela Pensínsula Ibérica e norte de África - Magrebe, Andaluzia ou Algarve -, guiada pelos textos de Miguel Cervantes ou Armando Côrtes-Rodrigues. O single, no entanto, não se agarra muito às raízes (tirando a percussão e o canto de Medeiros) e deixa-se levar por mares já navegados, mas não assim, rumo a uma dream pop da escola 4AD, com a guitarra eléctrica a desenhar um bonito ambiente etéreo (chillwave à açoriana?). Se os "dois marinheiros e Quixotes" seguirem por estas águas ao longo do álbum, não deverão fazer a viagem sozinhos...