Seg | 1 Mar 10
Depois dos palcos, o CD e o DVD

 

Resultado da colaboração dos Micro Audio Waves com Rui Horta, "Zoetrope" passou no ano passado por vários palcos nacionais e estrangeiros - como o da Culturgest, em Lisboa.

 

Quase todo assente em novas canções da banda, o espectáculo multimedia pode ser (re)descoberto numa edição em DVD, devidamente acompanhada por um álbum com todos os inéditos que se ouviram nos palcos (em versões ligeiramente diferentes e às quais se junta ainda uma bela remistura de "Long Tongue", assinada por DJ Ride).

 

Na entrevista do vídeo abaixo, o trio de C. Morg, Cláudia Efe, Flak faz o balanço da experiência ao vivo, apresenta a edição dupla e conta um pouco do que pode esperar-se dos seus concertos deste ano:

 

 



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Sex | 18 Set 09
O Cartaz de Sexta

 

Na noite desta sexta-feira, Lisboa tem, pelo menos, duas propostas promissoras no palco e no grande ecrã. Infelizmente não poderei ver nenhuma, mas para quem estiver pela capital ficam as sugestões.

 

Na música, o destaque vai para o concerto dos Micro Audio Waves no MusicBox (às 00h30), e conhecendo um pouco a banda já se prevê que será no mínimo bom (ou mais do que isso, como a actuação de há dois anos na mesma sala).

E este ainda tem a particularidade de ser filmado, já que o espectáculo surge integrado nos Club Docs, documentários sobre artistas nacionais que serão exibidos este ano na RTP2 (sábado é a vez dos também recomendáveis X-Wife).

 

No cinema, merece referência o arranque do Queer Lisboa 13, Festival de Cinema Gay e Lésbico de Lisboa. "Morrer como um Homem", o novo filme de João Pedro Rodrigues ("O Fantasma", "Odete") é o título da sessão de abertura (às 22h no Cinema São Jorge).

Tal como nas edições anteriores, o festival conta com curtas e longas-metragens, da ficção ao documentário, assim como com uma selecção de videoclips temáticos.

E este ano inaugura uma nova secção onde recupera alguns filmes marcantes - como "The Living End", de Gregg Araki (realizador do memorável "Mysterious Skin").

 

Ainda na sétima arte, chegaram esta semana às salas dois filmes a reter: o muitíssimo elogiado "Estado de Guerra", de Kathryn Bigelow (que tem no currículo o excelente "Estranhos Prazeres") e o menos aplaudido "Taking Woodstock", de Ang Lee (cujas sessões incluem a curta-metragem "Arena", de João Salaviza, premiada em Cannes).

 

E voltando à música... Mais a norte, no Porto, há Clubbing na Casa da Música com concertos de Ebony Bones e The Rakes. E se ainda for a tempo deles, pode ser que venha aqui contar como correram...

 



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Dom | 22 Fev 09
Sound & vision

As ideias são boas, mas não só não são novas como não foram aproveitadas de forma tão estimulante como o nome dos envolvidos sugeria. Foi esta a impressão que a colaboração entre os Micro Audio Waves e o coreógrafo Rui Horta, "Zoetrope", deixou na passagem do espectáculo pela Culturgest, em Lisboa, na quinta-feira passada.

 

Não se assumindo como um concerto, uma peça teatral ou uma instalação vídeo, este é um híbrido que funde traços de tudo isso, onde as canções da banda se conjugam com as imagens projectadas nas três telas atrás do palco (algumas gravadas no momento).

Entre estas surgem vários interlúdios com divagações dos elementos do grupo (principalmente da vocalista, Cláudia Efe), que reforçam a atmosfera densa e algo onírica do espectáculo.

 

 

A infância, a linguagem, o sonho, o movimento ou o medo são apenas algumas das temáticas que esta viagem propõe, de onde emana um intimismo que se pretende de apelo universal - não por acaso, algumas das sequências de animação tanto focam um quarto escuro como aglomerações de estrelas.

Esta simbologia nem sempre é muito subtil, embora não seja por isso que "Zoetrope" fique um pouco aquém do que poderia esperar.

Por um lado, a sua vertente multimédia não traz nada assim tão arrojado - o facto da banda se fotografar ou filmar em palco (ou ao público) é pouco mais do que um pormenor curioso e a maioria das restantes imagens que passam pelas telas também não são muito impressionantes.

 

Por outro, as novas canções dos Micro Audio Waves convencem mas não atingem, pelo menos ao primeiro embate, o nível das melhores de "Odd Size Baggage" - a excepção é "Sunshine Sunlight", magnífica criação pop que está no centro de um dos raros episódios (literalmente) reluzentes do espectáculo.

E embora conte com um ou dois momentos mais abrasivos, "Zoetrope" perde por não ter temas tão viscerais como "2night (U&I)" ou "Odd Size Baggage", que em concertos anteriores atiravam as actuações da banda para domínios de um musculado - e arrebatador - rock electrónico (do qual o grupo revelou querer afastar-se).

Aqui os ambientes são tendencialmente mais contemplativos e distantes, o que está muito longe de ser mau mas não esmaga a memória desse passado recente.

 

 

 

Quem se supera, contudo, é Cláudia Efe, que além da óptima e expressiva voz cativa pelas suas capacidades de performer, demonstrando uma carga teatral já presente em disco e alguns concertos e que tem agora oportunidade para se soltar.

É sobretudo pela sua presença que "Zoetrope" oferece alguns momentos hipnóticos, uma vez que a vocalista assumir a função de protagonista e a sua alternância de personas (com direito a trocas de indumentária entre o sombrio e o inocente) é interessante.

 

Pena que nem tudo o resto esteja à altura, tornando "Zoetrope" numa experiência que até pela duração (pouco mais de uma hora) acaba por saber a pouco - o que não o impede de ser um espectáculo com um rigor e sensibilidade estimáveis, sempre alicerçado em boas canções que merecem ser partilhadas com os seus autores num dos vários locais da digressão.

 

 

 

Excertos de "Zoetrope"

 



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Qui | 19 Fev 09
Luzes, câmaras... Zoetrope!

 

Finalmente chega a Lisboa Zoetrope, o muito elogiado espectáculo que associa os Micro Audio Waves a Rui Horta.

A aliança entre o trio de Claudia Efe, Flak e C. Morg e o coreógrafo está, segundo os próprios, "na origem de um concerto encenado, um híbrido entre música, movimento e multimédia".

 

O resultado desta colaboração estreou-se em Moscovo em Dezembro de 2008, já passou pelo Porto e poderá ser visto no Pequeno Auditório da Culturgest, em Lisboa, esta noite a partir das 21h30.

 

Se os concertos da banda já são por si só habitualmente imperdíveis, este espectáculo reforça o perfeccionismo e ainda tem a mais-valia de apresentar várias canções inéditas, criadas depois do recomendável "Odd Size Baggage" (2007), o terceiro disco do grupo - uma delas é a viciante "Sunshine Sunlight", que pode ser ouvida no myspace do grupo.

 

E quem não puder ver Zoetrope esta noite, fica a sugestão para as passagens por Frankfurt (dia 25), Guimarães (dia 28), Beja (3 de Março), Leiria (5 de Março), Torres Novas (14 de Março), Caldas da Rainha (4 de Abril), Montemor-o-Novo (16 de Abril), Portalegre (18 de Abril), Estarreja (25 de Abril) ou Gijon (1 de Maio).

 

 

Making of de Zoetrope

 


música: "Sunshine Sunlight", Micro Audio Waves

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Seg | 22 Set 08
Uma grande actuação com falta de ligação

Os últimos tempos têm corrido bem aos Micro Audio Waves. Depois de "Odd Size Baggage", o disco mais recente do trio, ter sido dos lançamentos nacionais mais elogiados do ano passado, a banda foi distinguida nos Qwartz Awards (pela terceira vez, na categoria de Melhor Canção dos prémios franceses de música electrónica) e tem actuado regularmente em várias cidades europeias.

 

Essa vasta rodagem em palco terá contribuído para que a noite de sábado no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém confirmasse, mais uma vez, que o projecto de Claudia Efe, Flak e C. Morg possui uma evidente química e eficácia ao vivo.

Acolhido por uma sala bem preenchida, o grupo nunca quebrou o ritmo ao longo de quase duas horas onde revisitou os seus dois álbuns, mesmo que algumas canções já nem tenham muito a ver com as versões gravadas. E ainda bem, pois a contribuição de dois músicos-extra - Francisco Rebelo (Cool Hipnoise) no baixo e o Fred (Rádio Macau) na bateria - ajudou a reforçar a carga física de composições electrónicas tendencialmente cerebrais.

 

Micro Audio Waves

 

Além do acréscimo instrumental, a mutação das canções deveu-se aos aparentes improvisos da banda, desde devaneios explosivos com regulares rasgos de electricidade (controlados e nunca exibicionistas) à estupenda postura de Claudia Efe, que cada vez mais se revela uma vocalista de excepção.

Não só demonstrou versatilidade vocal, quase mudando de persona de tema para tema, como manteve uma energia invejável, pulando de um lado ao outro do palco em quase todas as canções (feito difícil, calcula-se, tendo em conta os saltos altos) e apostando num headbanging capaz de fazer inveja a muitos metaleiros - contrariando a sua postura aparentemente frágil, traduzida nos longos cabelos louros e num delicado vestido lilás.

 

Não faltaram grandes momentos, tanto numa vertente apaziguada - a contemplativa "Shadow of Things", que Efe apresentou como "uma canção sobre a meteorologia e a conversa de chacha" - como numa mais abrasiva - cujo auge terá sido a genial "Odd Size Baggage", definida pela vocalista como "Stanley Kubrick meets Jean Michel Jarre". Infelizmente, episódios dinâmicos como este, embora tenham sido o pico de forma do grupo, também deixaram claro qual o grande ponto fraco do concerto: o espaço.

 

Se é certo que a sala possibilita conforto aos espectadores e consideráveis possibilidades cénicas aos artistas - o sóbrio e belo trabalho de iluminação foi exemplo disso -, também impede que descargas de energia cinética como as que os Micro Audio Waves ofereceram não tenham gerado grandes efeitos no público, que se manteve quase sempre estático (embora aplaudindo todos os temas).

Canções como "Down by Flow" ou "2night (U& I)" pedem dança e festa, e é difícil que esta se gere numa sala como o Grande Auditório do CCB (pelo menos para além do palco, onde o ambiente foi de facto festivo).

 

The Legendary Tiger Man

 

Desperdiçaram-se, assim, as colaborações com DJ Ride e Legenday Tiger Man, momentos dinâmicos que resultariam melhor noutra sala, e nem mesmo o apelo de Efe já no encore - "Esta é a última, levantem-se e dancem connosco!" - fez com que os espectadores se libertassem das cadeiras na vibrante "Fully Connected" (cujo título não se aplicou ao concerto, portanto).

Nada de muito grave, contudo, já que não foi por isso que este deixou de ser um concerto acima da média, mas poderia ter sido mais memorável uma vez que que o grupo se encontra em óptima forma.

 

Antes do trio, coube a Legendary Tiger Man proporcionar o aquecimento da noite, que consistiu em quase uma hora de rock e blues tão tenso quanto insinuante. O one-man show de Paulo Furtado foi competente, ainda que não tenha conseguido evitar alguma monotonia agravada por uma sala que também não é a ideal para o seu espectáculo.

Nota positiva para as projecções num painel ao fundo do palco, com vídeos para dada canção (realizados pelo próprio ou por terceiros, como Edgar Pêra), e para alguns episódios mais conseguidos como "Naked Blues" ou uma cover de "Route 66".

 

 

Fotos: sunday morning

 

 

Micro Audio Waves - "Fully Connected"

 



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Qui | 18 Set 08
Electrónica de sábado à noite

 

Autores de um dos melhores discos portugueses do ano passado, "Odd Size Baggage" - e de uma memorável actuação no MusicBox -, os Micro Audio Waves passam pelo Grande Auditório do Centro Cultural de Belém no próximo sábado.

 

A primeira parte fica a cargo de Legendary Tiger Man, também um dos convidados do espectáculo da banda, onde se incluem ainda DJ Ride e Rui Reininho (este ainda por confirmar). Avizinha-se um grande concerto, portanto.

 

 

Micro Audio Waves - "2night (U & I)"

 



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Seg | 30 Jun 08
(Super)Banda em palco

 

 

João Peste (Pop Dell'Arte), Claudia Efe (Micro Audio Waves), Pedro D'Orey (Wordsong, Mler Ife Dada) e Anabela Duarte (Mler Ife Dada) são alguns dos artistas que constituem a ORGanização, um novo projecto que aglomera músicos de várias origens.

 

Tendo como elementos orientadores o improviso e o experimentalismo, a ORGanização estreia-se em palco amanhã no MusicBox, em Lisboa, num concerto que será gravado para edição digital. Ainda não há disco, mas algumas canções podem ser ouvidas aqui.

 



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Seg | 29 Out 07
AS ÚLTIMAS ONDAS
Nos últimos dias dediquei um post ao disco e outro ao concerto dos Micro Audio Waves, e como às vezes não há dois sem três fica aqui mais um dedicado ao trio, desta vez com a entrevista que lhes fiz na semana passada. Que me desculpe quem não simpatiza com a banda, mas como não há muitos projectos nacionais que me tenham impressionado em 2007 acho que este merece a dose tripla:


Entrevista aos Micro Audio Waves



publicado por gonn1000 às 23:21
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Sab | 27 Out 07
ROCK IT 2NIGHT!
Faltavam cerca de dez minutos para a uma da manhã quando Cláudia Efe, Flak e C. Morg, mais conhecidos como Micro Audio Waves, iniciaram o concerto no MusicBox, em Lisboa, com quase uma hora de atraso que pareceu ter passado despercebida para grande parte do público, que até aí se entreteve com copos, música ambiente e conversas várias. Mas mesmo os que deram pelo atraso terão "perdoado" o trio - acompanhado por mais dois elementos - logo aos primeiros minutos de actuação, já que o grupo entrou em palco com "At the Age of Five", um dos melhores temas de "Odd Size Baggage", o seu terceiro registo de originais.
Para além de ser uma canção hipnótica e servir como brilhante introdução para o espectáculo, foi apresentada numa versão consideravelmente diferente da do disco, onde a bateria ganhou protagonismo e ajudou a implementar uma cadência mais enérgica e dançável. Esta situação não foi, de resto, caso único, já que a maioria dos temas do concerto surgiram com alterações face ao que se conhecia dos discos, não sendo meros decalques mas antes repensadas para melhor se adaptarem a um formato ao vivo.

Esta foi sem dúvida uma grande mais-valia, mostrando uma vertente mais orgânica da banda, pois embora a presença da electrónica tenha sido uma constante não o foi tanto como em disco, dando lugar a recorrentes devaneios de guitarra e bateria, esta última o elemento responsável pela força rítmica da maioria dos temas (a remeter para alguns territórios dos Moloko ou dos Spektrum).
A considerável rudeza instrumental, distante da sofisticação e sobriedade registadas nos álbuns, fez com que a voz de Cláudia Efe ficassse por vezes submersa no meio de momentos de descarga, mas isso não impediu que os Micro Audio Waves tenham gerado um concerto sem episódios menores, mantendo um perfeito domínio do ritmo e uma notável coesão.

 

 
 

Mesmo as canções menos interessantes de "Odd Size Baggage" ganharam aqui vida nova, caso de "Future Smile", que conseguiu cativar numa versão mais acelerada (e onde, mais uma vez, a bateria foi fulcral), ou "Curl Like a Cannonball", cujas imponentes camadas de distorção dos momentos finais foram um curioso contraponto à carga contemplativa inicial.

"Down by Flow" provou ser um single já bem conhecido pela maioria do público presente, não sendo poucos os que acompanharam a vocalista no refrão, e "2night (U & I)" parece seguir-lhe os passos pelas boas reacções que despoletou, levando muitos a dançar ao seu ritmo frenético.


 

Melhor ainda foi "Odd Size Baggage", o grande momento da noite, que resultou numa excelente centrifugadora de ruído tornado melodia, mais uma vez com um irrecusável apelo dançável. "Fully Connected", disparado logo a seguir, ofereceu competição à altura e também apareceu com texturas mais agressivas do que em disco, e outros temas como "Escape From Albania" mantiveram o alto nível de intensidade. No extremo oposto, "Shadow of Things" ou "Long Tongue" enveredaram por ambientes mais apaziguados e igualmente cativantes, mas não demorou muito para que a agitação voltasse a tomar conta do palco e dos espectadores.

Se "Odd Size Baggage" fora já um passo em frente para os Micro Audio Waves, a julgar pelo que demonstram em concertos como este terão avançado mais dois ou três, corrigindo alguns desequilíbrios que impediram que todo o disco estivesse à altura de uma série de momentos acima da média.

 

 

Para além de estetas exigentes em álbum, baseados num sólido domínio da electrónica, convencem ainda pela crueza e visceralidade rock que exibem ao vivo, e o mínimo que se pode dizer para resumir o espectáculo é que terá sido seguramente o melhor shot de adrenalina da noite, e nada indigesto.
 

E O VEREDICTO É: 4/5 - MUITO BOM


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Qui | 25 Out 07
(BOAS) ONDAS ELECTRÓNICAS
Nos seus dois registos anteriores – o EP homónimo e o álbum “No Waves” – os Micro Audio Waves destacaram-se como um dos projectos nacionais mais ousados na abordagem à electrónica, encetando manobras de considerável experimentalismo que, aos poucos, foram adoptando contornos mais pop.
“Odd Size Baggage”, o mais recente disco, reforça essa aproximação ao formato canção, quase fugindo aos ensaios por vezes herméticos que dominaram os primeiros trabalhos, e ao fazê-lo torna-se no melhor cartão de apresentação que o trio de Cláudia Efe, Flak e C.Morg criou até agora.

 

É certo que o grupo tinha já algumas composições interessantes, como o single “Fully Connected”, que lhes rendeu elogios de gente como o guru John Peel, embora não as suficientes para evitar que os seus discos fossem mais esboços de ideias do que a concretização destas. “Odd Size Baggage” não está ainda imune a desequilíbrios, mas exibe maior consistência, uma personalidade mais vincada e demonstra que os Micro Audio Waves parecem ter encontrado uma linguagem própria, devidamente expressa num estimulante conjunto de canções.

Versátil e imaginativo, o álbum apresenta alguma da melhor electrónica feita nos últimos tempos, interligando-a com passagens pelo rock ou R&B e equilibrando momentos de apelo dançável com episódios de tranquilidade e placidez. Da elegância de uma produção milimétrica, que traduz bom gosto e contemporaneidade, ao carisma de Claudia Efe, cuja voz é capaz de seduzir seja em estados mais frágeis ou austeros, “Odd Size Baggage” é, em vários momentos, um atestado de segurança e maturidade, pop nacional do melhor que se fez este ano.

A comprová-lo estão canções como “2night (U&I)”, que transpira intensidade e incita à festa; o spoken word visceral da faixa-título, impressionante devaneio centrado na letra de um manual de instruções para um computador; “At the Age of Five”, com um contagiante electro cru e cerebral; “Shadow of Things”, um belo interlúdio contemplativo; ou “Down By Flow”, um óptimo single onde Efe se encosta a uma Róisín Murphy no seu melhor.

Tivesse apenas estes temas e “Odd Size Baggage” seria um brilhante EP, mas tem o dobro e resulta num disco nem sempre tão inspirado, e que até demora a arrancar, já que as três primeiras canções do alinhamento são as menos apelativas, onde o experimentalismo se sobrepõe à pop e os Micro Audio Waves saem a perder. O instrumental “Russian Connection”, mais à frente, também não é especialmente marcante, e o facto de ser dos momentos mais longos volta a quebrar a coesão de um álbum que, de resto, tende a viciar e confirma a criatividade de uma banda em evidente estado de progressão.

E O VEREDICTO É: 3,5/5 - BOM

Os Micro Audio Waves actuam esta sexta-feira no MusicBox, em Lisboa, antes dos DJ sets de Richard Dorfmeister e Mike Stellar. O espaço abre às 22 horas.

 


Micro Audio Waves - "Down by Flow"



publicado por gonn1000 às 22:55
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'ETs In Da Bairro', de Joe Cornish
críticas: filmes de 2011


- "127 Horas", Danny Boyle
- "A Nossa Vida", Daniele Luchetti
- "A Pele Onde Eu Vivo", Pedro Almodóvar
- "Amigos Coloridos", Will Gluck
- "Blue Valentine - Só Tu e Eu", Derek Cianfrance
- "Cisne Negro", Darren Aronofsky
- "Drive - Risco Duplo", Nicolas Winding Refn
- "Green Hornet", Michel Gondry
- "Gritos 4", Wes Craven
- "Hanna", Joe Wright
- "Harry Potter e os Talismãs da Morte: Parte 2", David Yates
- "Insidioso", James Wan
- "Jane Eyre", Cary Fukunaga
- "Kaboom - Alucinação", Gregg Araki
- "Melancolia", Lars von Trier
- "O Amor é o Melhor Remédio", Edward Zwick
- "O Código Base", Duncan Jones
- "Os Agentes do Destino", George Nolfi
- "Os Bem-Amados", Christophe Honoré
- "Pequenas Mentiras Entre Amigos", Guillaume Canet
- "Sem Identidade", Pierre Morel
- "Sem Tempo", Andrew Niccol
- "Tournée - Em Digressão", Mathieu Amalric
- "X-Men: O Início", Matthew Vaughn