Ter | 24 Jan 12
Os homens que adoram bandas sonoras

 

"The Girl with the Dragon Tattoo", a nova colaboração de Trent Reznor e Atticus Ross

 



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Qua | 28 Set 11
Ladrão que rouba ladrão...

 

Instrumentalmente quase poderia ser uma canção dos Nine Inch Nails, mas a voz não engana: "The Fall" é mesmo de Gary Numan.

E a julgar por esta primeira amostra, "Dead Son Rising", o novo disco do autor de "Cars" ou "Are 'Friends' Electric?", editado no passado dia 15, deve alguma coisa aos ambientes típicos do projecto de Trent Reznor (como aliás se tem notado desde "Pure", de 2000).

É justo, uma vez que os Nine Inch Nails talvez nem tivessem nascido (pelo menos da forma como os conhecemos hoje) sem o caminho aberto por Numan.

 

"The Fall" já tinha sido revelada há alguns meses, embora só há poucos dias tenha tido direito a videoclip. É verdade que nem a música nem as imagens são particularmente surpreendentes, mas deverão agradar, pelo menos, aos apreciadores de rock industrial e aparentados:

 



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Seg | 28 Fev 11
A espiral ascendente

 

Além de ser um belo acompanhamento para as imagens de "A Rede Social", de David Fincher, o conjunto de composições de Trent Reznor e Atticus Ross vale enquanto álbum por si só (e foi, aliás, dos melhores do ano passado).

 

A sua distinção na categoria de Melhor Banda-Sonora, ontem à noite, constou entre as raras surpresas da cerimónia de entrega dos Óscares, numa das escolhas menos conservadoras da Academia.

 

Trent Reznor, que já tinha deixado boas pistas na música para filmes - em "Assassinos Natos" (1994), de Oliver Stone, ou "Estrada Perdida" (1997), de David Lynch -, mostrou-se aqui mais inspirado do que nos últimos discos dos Nine Inch Nails - desde "With Teeth" (2005) que já não fazia nada a este nível.

 

Depois desta distinção (ou da dos Globos de Ouro), a opção por instrumentais (que já eram alguns dos melhores momentos de álbuns como "The Fragile" ou "Still") pode ser um bom caminho a seguir. E se continuar ao lado de Atticus Ross - dos How to Destroy Angels ou dos infelizmente extintos 12 Rounds -, tanto melhor, como se comprova neste videoclip não-oficial:

 

 

 


música: "Hand Covers Bruise", Trent Reznor and Atticus Ross

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Seg | 3 Ago 09
Que bem que se esteve no campo (mesmo em modo workaholic)

 

O cartaz de Paredes de Coura deste ano pode não ter sido dos melhores de sempre do festival, mas ainda assim o balanço foi satisfatório.

 

Desde os cabeças de cartaz - todos defenderam muito bem o título - a boas supresas ou confirmações como os Blood Red Shoes, Kap Bambino ou Howling Bells (na foto), os quatro dias de música levaram bons concertos ao Minho.

 

Aqui ficam os links para os artigos com o acompanhamento diário e os vídeos de alguns concertos e entrevistas, feitos por mim e pelo Eduardo Santiago (que também tirou fotos):

 

29 de Julho: A hora do lobo

30 de Julho: Ontem à noite: Franz Ferdinand!

31 de Julho: Uma noite de regresso e de despedida

1 de Agosto: O melhor guardou-se para o fim

 

 

Patrick Wolf

 

 

Franz Ferdinand

 

 

Supergrass

 

 

Nine Inch Nails

 

 

Peaches

 

 

Mundo Cão

 

 

The Hives

 

 

Portugal. The Man em entrevista

 

 

Praia sem banhos

 

 

Os artistas mais concorridos

 

 

O ambiente de Paredes de Coura

 

 

Piruças, o cão mais popular do festival

 


música: "Skeleton Boy", Friendly Fires

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Sab | 11 Abr 09
Anos 90 para o Verão de 2009

 

As novidades já têm uns dias, mas tendo em conta as bandas em causa há que destacá-las por aqui.

 

Depois de há dois anos se terem estreado em palcos nacionais, os Nine Inch Nails são a mais recente confirmação para o festival de Paredes de Coura, onde actuam a 31 de Julho.

 

Mesmo que o cartaz não tivesse mais nomes a ter em conta - e até tem, os Franz Ferdinand actuam na véspera -, este já seria motivo mais do que suficiente para marcar presença (pelo menos a julgar pelas óptimas memórias do concerto de Lisboa).

 

Também de regresso, os Prodigy levam ao Alive!09 "Invaders Must Die", o seu novo (e interessante) disco. O trio liderado por Liam Howlett actua a 10 de Julho no Passeio Marítimo de Algés.

 

Talvez mais inesperada é a confirmação dos Lamb no festival Marés Vivas (a 16 de Julho em Vila Nova de Gaia), no seu primeiro concerto após o recente reencontro de Lou Rhodes e Andy Barlow.

É também a que deixa mais dúvidas, porque embora a discografia da banda não seja nada de se deitar fora (sobretudo os dois primeiros discos), seria triste que o concerto não fosse mais do que uma desculpa para um exercício de saudosismo. Mas nada como esperar para ver e ouvir.

 

 

Nine Inch Nails - "That's What I Get (Remixed)"

 


música: "1 Ghosts I", Nine Inch Nails

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Ter | 12 Ago 08
Bom marketing, música mediana

"The Slip", o sétimo álbum de originais dos Nine Inch Nails, é dos que gerou mais burburinho pela forma como foi disponibilizado do que pela música que contém. Tal como o também recente "In Rainbows", dos Radiohead, foi colocado no site oficial do projecto para download, em Maio, cabendo ao utilizador decidir o que pagar por ele - isto caso quisesse pagar alguma coisa, já que o acesso gratuito era uma das opções.

 

O disco confirmou a separação de Trent Reznor da Interscope, depois da aposta na auto-edição já avançada no anterior "Ghosts I-IV", álbum quádruplo lançado também este ano e cujo primeiro tomo foi igualmente disponibilizado gratuitamente.

 

 

 

"The Slip" conhece agora edição em formato físico, indo da internet para as lojas após mais de 1,4 milhões de downloads, e se atesta que o seu autor é uma das figuras mais pespicazes e atentas do panorama musical actual, também deixa claro que hoje a sua criatividade reflecte-se mais na promoção do que na criação.

 

A suspeita já vinha a reforçar-se de há uns discos para cá, quando Reznor passou a ser mais prolífico - longe vão os dias em que demorava meia década a apresentar um novo álbum -, mas infelizmente o reforço da quantidade não tem tido paralelo na qualidade.

Não é que "The Slip" seja uma obra embaraçosa, longe disso, o problema é que nada acrescenta a uma discografia cujos primeiros trabalhos geraram algumas das melhores combinações - e transformações - entre rock e electrónica nos últimos vinte anos.

 

 

 

Sem a inovação de "Pretty Hate Machine" (1989), a visceralidade de "The Downward Spiral" (1994) ou a complexidade de "The Fragile" (1999), o disco recolhe elementos das várias fases dos Nine Inch Nails mas não só nao percorre novos territórios como não tem canções especialmente memoráveis.

 

Alternando cenários agrestes com episódios mais contemplativos, "The Slip" arranca com dois temas de pujança assinalável, "1,000,000" e "Letting You", eficazes na sua carga abrasiva embora soem a sobras de "Year Zero".

O primeiro é, de resto, quase uma variação de um dos singles desse álbum, "Survivalism". Mais interessante, "Discipline" é provavelmente o ponto alto do disco, e também o mais imediato, com uma cadência dançável a lembrar as aproximações à electropop ensaiadas em "With Teeth" (2005).

 

 

 

Também com uma pulsão rítmica envolvente, "Echoplex" conjuga bem a tensão controlada das guitarras com texturas electrónicas, e o instrumental "Corona Radiata" vai de discretos tons ambient a uma claustrofobia pós-rock, a reflectir as experiências de "Ghosts I-IV", revelando-se um tema intrigante ainda que demasiado longo.

Não tão conseguido, o introspectivo "Lights in the Sky" passa quase despercebido e podia ser um lado-b dos singles de "The Fragile", enquanto que "Head Down" e "Demon Seed", nos seus antípodas, mostram uns Nine Inch Nails em piloto automático, versão acelerada .

 

O balanço resulta num álbum mediano, que não compromete mas também não encoraja muitas audições, mesmo que a produção - a cargo dos confiáveis Alan Moulder e Atticus Ross - demonstre o savoir faire habitual e que as atmosferas apostem numa imagem de marca própria e reconhecível.

Infelizmente, demasiado reconhecível, o que pode ser frustrante para quem ainda esperava grandes surpresas por estas paragens.

 

 

 

Nine Inch Nails - "Discipline"

 



publicado por gonn1000 às 19:35
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Seg | 9 Jun 08
Ah, grande Trent! (bis)

Em Março disponibilizou parte do álbum instrumental, "Ghosts". Em Maio, ofereceu também o download gratuito das dez faixas de "The Slip".

Agora, Trent Reznor reforça a tendência com "Lights in the Sky", um EP que inclui canções das bandas que acompanham os Nine Inch Nails na mais recente digressão norte-americana.

 

 

 

Mais uma vez, o disco pode ser descarregado no site oficial do projecto, e inclui temas dos Crystal Castles, Deerhunter, Does It Offend You, Yeah? e A Place to Bury Strangers.

Além de música recomendável, o ficheiro traz também extras como wallpapers e web graphics, que como é habitual nos NIN são pequenos prodígios visuais. Venham mais!

 


música: "To Fix the Gash in Your Head", A Place to Bury Strangers

publicado por gonn1000 às 19:24
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Ter | 6 Mai 08
Ah, grande Trent!

 

Editou há apenas dois meses "Ghosts I-IV", o seu álbum quádruplo de instrumentais, mas já está de volta com um novo registo, "The Slip", produzido por Alan Moulder e Atticus Ross (dos saudosos 12 Rounds). E o melhor é que, à semelhança do primeiro volume do antecessor, o disco pode ser adquirido gratuitamente.

 

Falo, claro, de Trent Reznor, o mentor dos Nine Inch Nails, que volta a dar mais uma machadada às editoras ao disponibilizar outro álbum para download gratuito no seu site oficial.

No aviso que acompanha as dez novas canções, Reznor prova que, além de invulgarmente prolífico nos últimos tempos, também parece ser o altruísmo em pessoa: "We encourage you to remix it, share it with your friends, post it on your blog, play it on your podcast, give it to strangers, etc.". E se ele o diz, quem somos nós para discordar?

 


música: "8 Ghosts I", Nine Inch Nails

publicado por gonn1000 às 01:27
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Ter | 4 Mar 08
Acabadinhos de sair e à distância de um link

 

Ainda há pouco tempo saiu "Y34RZ3R0R3M1X3D", o disco de remisturas de "Year Zero", e entretanto os Nine Inch Nails apresentaram já mais novidades. Neste caso é "Ghosts I-IV", um álbum de quatro discos que contém apenas temas instrumentais gravados em finais de 2007.

 

O registo só pode ser adquirido por encomenda online através do site do grupo, mediante o pagamento de cinco dólares - a mais barata das quatro modalidades -, embora o primeiro disco seja disponibilizado gratuitamente (basta indicar o endereço de e-mail para onde será enviado um link que possibilita o download de um ficheiro ZIP com nove canções).

 

Já ouvi o álbum e parece-me que vai demorar um bocado a absorver, e se há momentos interessantes há outros que não soam a muito mais do que interlúdios que funcionariam melhor noutro contexto (numa banda-sonora, por exemplo).

Quem gostou da faceta que Reznor demonstrou em "Still", o belo disco que acompanhou algumas edições do registo ao vivo "And All That Could Have Been", deverá ter aqui uma boa surpresa, já os adeptos da sua postura mais industrial e agressiva não encontrarão tantos exemplos desses.

 

Seguidores de uma estratégia semelhante, os Charlatans já tinham anunciado há meses que "You Cross My Path" estaria disponível para download gratuito a partir de 3 de Março, através de uma colaboração com a Xfm, e que apenas será editado em suporte físico em Maio. A banda de Tim Burgess cumpriu o prometido e o álbum já pode ser descarregado através deste link.

 

Tal como os últimos da banda é um disco correcto mas não muito surpreendente, sendo mais recomendável para quem anseia por um revival britpop, ainda que tenha alguns momentos a reter - em especial "The Misbegotten" ou "Bad Days" (para o download individual das canções basta ir aqui).

 

Depois do mote dado pelos Radiohead, onde a plataforma online foi o canal primordial na distribuição de um novo álbum (que apesar de ser a estratégia mais mediática já tinha sido desenvolvida, por exemplo, pelos Stealing Orchestra ou pelos Curve), espera-se que haja mais bandas a seguir este modelo a partir de agora.



publicado por gonn1000 às 23:20
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Sab | 21 Jul 07
Espiral descendente
Nos meses que antecederam a sua edição, "Year Zero" foi alvo de uma forte campanha promocional empreendida por Trent Reznor, longe das manobras habituais de divulgação de música. O plano passou pela criação de vários sites supostamente relacionados com canções do disco, t-shirts com mensagens que retinham códigos por decifrar ou pelas drives USB que foram sendo deixadas em alguns locais da tour europeia dos Nine Inch Nails, cujos ficheiros incluíam temas nunca disponibilizados antes. O mini-fenómeno alargou-se com o mini-site centrado no álbum, que entre outros elementos tinha um teaser e mais tarde permitiu a audição integral do disco em streaming.

Esta estratégia estava, segundo Reznor, em sintonia com o conceito do quinto álbum de originais do projecto, uma vez que a descodificação das várias pistas lançadas partilhava da mesma aura intrigante que envolve "Year Zero", cujo âmago é uma visão futurista do mundo, em particular dos EUA de daqui a quinze anos. Primeiro tomo de um díptico - a segunda parte tem edição prevista para 2008 -, o disco foca um regime totalitário, vincado por alusões ao "1984" de Orwell, e deixa perpectivas pouco optimistas sobre alguns dos pilares estruturais das sociedades, tecendo críticas a entidades políticas, religiosas ou militares.


Sendo um dos registos dos Nine Inch Nails onde a vertente conceptual surge mais pronunciada, "Year Zero" possuía potencial para se tornar num objecto sugestivo, mas se tematicamente não faltam aqui ideias a nível musical o cenário é menos profícuo. A maioria das composições, além de não ultrapassarem a mediania, pouco trazem de novo à sonoridade da banda, recuperando e mesclando traços de registos anteriores sem no entanto lhes depositarem grande carga inventiva. Tendencialmente mais abrasivas do que as da fase mais recente do projecto, as canções trazem de volta o nível de distorção e crueza de "The Downward Spiral", encontrando-se imersas em texturas experimentais, com a diferença de que agora a electrónica retira primazia às guitarras.

Reznor exibe a habitual minúcia no cut n' paste de samples e loops, tendo reclamado a influência dos primeiros álbuns dos Public Enemy na construção dos tecidos sonoros, e ainda que haja por aqui resultados interessantes ficam muito aquém das superlativas atmosferas conseguidas em "The Fragile".
A produção continua consistente, e outra coisa não seria de esperar dadas as colaborações de Alan Moulder e Atticus Ross (dos 12 Rounds); e as letras revelam, ao contrário do que é habitual na escrita de Reznor, uma perspectiva mais centrada no colectivo do que no individual, deixando para trás alguma auto-indulgência.


Do espectro sonoro emergem sobretudo temas rudes de caução industrial como "Hyperpower!" ou "Survivalism", pontualmente interrompidos por outros mais ambientais onde figuram "Zero-Sum" ou "The Greater Good". Embora a competência nunca chegue a ser posta em causa, são raros os momentos que de facto seduzem, contando-se entre estes "Capital G" (um ataque a George Bush) ou "God Given", sólidas simbioses electrofunk que, mesmo imponentes, estão longe dos clássicos instantâneos que todos os álbuns dos Nine Inch Nails foram capazes de proporcionar.

 


"Year Zero" arrisca-se a ficar, por isso, como um episódio menor na sua discografia, acusando uma estagnação que já se encontrava no antecessor "With Teeth" mas que aí era compensada por algumas canções de recorte superior. Desta vez, nada é particularmente desafiante, o que se lamenta vindo de um projecto que, até agora, nunca tinha dado nenhum passo em falso.


E O VEREDICTO É: 2,5/5 - RAZOÁVEL


Nine Inch Nails - "Survivalism"



publicado por gonn1000 às 15:47
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Dom | 11 Fev 07
APOCALIPSE NA ARENA

O início foi logo arrebatador, com a violenta descarga de “Mr. Self Destruct”, uma das canções mais emblemáticas de “The Downward Spiral”, para muitos a obra-prima dos Nine Inch Nails e um dos marcos do rock dos anos 90. A banda de Trent Reznor, que se estreou na noite de ontem em palcos portugueses, no Coliseu de Lisboa, era aguardada por uma multidão de fãs que esgotou o recinto no primeiro de três concertos agendados, a maioria privilegiando o preto como cor dominante da indumentária, condizente com o tom apocalíptico do espectáculo.

A explosão de energia cinética das canções do grupo não deixou indiferente a iluminação do palco, que ao fim da terceira, “Terrible Lie”, foi subitamente abaixo. Nada que tenha impedido Reznor de continuar, levando-o a afirmar que este nem seria o primeiro concerto caso não houvesse problemas técnicos e pedindo para que ligassem as luzes da sala, iluminando o público e deixando os músicos envoltos em névoa durante a visceral “March of the Pigs”.

 

No tema seguinte, “Something I Can Never Have”, já os problemas estavam resolvidos, que segundo o vocalista se deveram ao detector de fumo. Impondo uma serenidade quase sepulcral, em tudo contrastante com a abrasiva atmosfera presente até então, a canção do já longínquo “Pretty Hate Machine” (o influente álbum de estreia do projecto, de 1989) voltou a confirmar-se como uma das mais belas que os Nine Inch Nails já criaram. Foi também um exemplo da versatilidade de Reznor, que tanto convence num registo contido, entregue à placidez do piano, como nos mais frequentes e também magnéticos acessos de fúria descontrolada, com expoente máximo nos espinhosos “Burn” e “Wish”, dominados pela negra vibração das guitarras.

Ecléctico e bem estruturado, o alinhamento percorreu todos os discos da banda sem deixar espaço para qualquer hipótese de descanso ao longo de hora e meia. Os músicos foram imparáveis na sua entrega, e se apenas o mentor trocou algumas (poucas) palavras com a audiência, tal não parece ter impedido os espectadores de aderir à intensidade que emanava do palco, sendo recorrente a agitação na plateia através de muitos aplausos ou da resposta imediata ao irresistível apelo dançável de momentos como “Only” ou “The Hand That Feeds” (as canções de “With Teeth” que melhor resultaram ao vivo).
 

 

Com tantos episódios memoráveis, é no mínimo discutível eleger os mais marcantes, embora o dos candeeiros no sorumbático “Eraser”, o crescendo do subtil “La Mer” interligado com o hipnótico “Into the Void” - a par de “No, You Don’t”, as únicas incursões pelo díptico “The Fragile” - e, claro, o inevitável hino “Closer”, estejam entre os de referência obrigatória.
Obrigatória era também a interpretação de “Hurt”, a canção a que mesmo a maior parte dos detractores dos Nine Inch Nails reconhece qualidades, quanto mais não seja pela sentida versão de Johnny Cash. Incitando à presença de isqueiros, que contribuíram para a consolidação de uma aura quase solene, instalou um raro momento de intimismo já na recta final do concerto, que terminou da melhor forma com o clássico “Head Like a Hole”, mais um forte exemplo de comunhão entre banda e público.

Face a tão irrepreensível prova de vitalidade e carisma, lamenta-se apenas que não tenha havido o tão requisitado encore e a escolha da banda responsável pela primeira parte, os The Popo, competentes e esforçados mas pouco entusiasmantes (sobretudo quando havia a hipótese do seu lugar ser ocupado pelos bem mais recomendáveis Ladytron).
De qualquer forma, a espera valeu a pena, e mesmo actuando em Portugal com anos de atraso comprovou-se que os Nine Inch Nails ainda estão longe de ultrapassar o prazo de validade. Que venha então o novo álbum, “Year Zero”, previsto para Abril, e que não demorem tanto tempo a regressar a palcos nacionais.


E O VEREDICTO É:
4/5 - MUITO BOM

 



publicado por gonn1000 às 21:07
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Sab | 16 Jul 05
COM UNHAS E DENTES

Seis anos depois da prova de vitalidade assinalada em “The Fragile”, os Nine Inch Nails (ou, simplificando, Trent Reznor) regressam com “With Teeth”, o seu novo registo de originais. Neste hiato temporal, a discografia do projecto aumentou devido à edição do curioso, mas desigual “Things Falling Apart” (álbum de remisturas de “The Fragile”) e “And All That Could Have Been” (um portentoso disco ao vivo que, em edições especiais, trazia como bónus outro CD, o belíssimo “Still”).

Apresentando mais um capítulo ao seu projecto, Trent Reznor proporciona mais um conjunto de canções caracterizadas por atmosferas góticas onde a visceralidade das guitarras convive com a envolvência das electrónicas.

Atingindo o pico do sucesso em meados da década de 90, com o incontornável “The Downward Spiral”, os Nine Inch Nails tiveram posteriormente a adesão de um núcleo mais restrito de seguidores quando as sonoridades industriais abandonaram a sua curta passagem por domínios mainstream (num período em que nomes como os Prodigy ou Marilyn Manson também se tornaram mais mediáticos).

Dando continuidade aos ambientes mais apaziguados e etéreos que “The Fragile” e “Still” continham, “With Teeth” é um disco que expõe uns Nine Inch Nails menos abrasivos, possuindo alguns momentos de invulgar intimismo e tranquilidade. As descargas de raiva e energia já não preenchem a maioria das composições, e por isso os domínios que o álbum percorre são menos efusivos do que os de clássicos como “Sin” ou “Mr. Self Destruct”.

Esta mudança torna “With Teeth” num registo mais acessível do que os anteriores, reduzindo a aspereza e alguma complexidade rítmica que gerava alguma estranheza em ouvidos menos audaciosos, mas tal não significa que as canções sejam menos interessantes. O disco contém, aliás, vários momentos inspirados, desde o forte tema de abertura, “All the Love in the World”, próximo de territórios ambient/ trip-hop, até ao belíssimo desenlace com a viciante inquietação de “Right Where it Belongs”.

Apesar de algumas alterações, “With Teeth” é, contudo, um disco algo indeciso, que sugere uma mutação considerável dos Nine Inch Nails mas não chega a concretizá-la inteiramente. Se, por um lado, temas como os destacados desbravam caminhos novos, outros como “The Collector”, “Love is Not Enough” e “With Teeth” limitam-se a repisar os modelos habituais do projecto, exibindo eficácia mas limitadas doses de surpresa.

Ao situar-se neste impasse, Trent Reznor oferece um álbum que oscila entre o razoável e o muito bom, gerando um resultado irregular e impedindo “With Teeth” de se tornar num grande disco.
No entanto, episódios como a cativante desolação de “Every Day is Exactly the Same”, a vibrante claustrofobia de “Beside You in Time”, o irresistível travo electropop de “Only” ou a crescente intensidade emocional de “Sunspots” (o melhor momento do álbum) fazem com que este seja ainda um conjunto de 14 canções acima da média e uma das boas colheitas musicais de 2005, evidenciando a boa forma de um projecto sólido como poucos.

E O VEREDICTO É: 3,5/5 - BOM



publicado por gonn1000 às 13:59
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Seg | 28 Fev 05
A DROGA PERFEITA

Não seria fácil criar um sucessor para "The Downward Spiral", o disco mais emblemático dos Nine Inch Nails e, para muitos, um dos melhores da década de 90.
A banda de Trent Reznor assinalou um regresso ambicioso, em 1999, através de um álbum duplo e, mais uma vez, conceptual, registando mais uma decisiva etapa no percurso do grupo.

Apesar de não ter sido tão aclamado como o seu antecessor - a recepção do público e da crítica foi mais discreta e o disco não marcou uma época - "The Fragile" não deixa de ser um portentoso trabalho, consolidando uma linguagem pessoal e singular e distanciando-se cada vez mais de algumas influências - Ministry ou Skinny Puppy, entre outros - presentes nos primeiros discos dos Nine Inch Nails.
Paralelamente, o álbum ensina a projectos na linha dos Marilyn Manson como fazer rock de contornos industriais/góticos/electrónicos sem cair em facilitismos ou estruturas formatadas. Sim, Marilyn Manson pode gerar mais controvérsia, com inevitáveis ódios e paixões, mas musicalmente a banda de Trent Reznor está num plano bem mais elevado e influente, como "The Fragile" pode confirmar.

O disco apresenta atmosferas um pouco mais apaziguadas e calmas do que os registos anteriores do grupo, embora ainda contenha múltiplos momentos carregados de dinamismo e energia cinética, quase sempre envolventes e intrigantes.
Os ambientes encontram-se dominados por densas auras de tensão, despoletando uma considerável carga claustrofóbica a espaços, o que pode tornar muitas das canções pouco imediatas e cativantes às primeiras audições. No entanto, "The Fragile" é um disco - ou antes, dois, uma vez que é duplo - para ir descobrindo aos poucos, dado que as complexas estruturas das composições e a minuciosa produção o tornam num álbum difícil de assimilar rapidamente.
Quando a estranheza inicial desvanece, "The Fragile" assume-se então como um conjunto de canções viciantes e absorventes que exigem diversas audições, gerando um todo que é mais do que a soma das partes. O alinhamento dos temas está criteriosamente pensado, de forma a que cada canção flua naturalmente e se torne indissociável da seguinte, e verifica-se ainda um bom doseamento entre temas instrumentais e os que recorrem à voz de Trent Reznor.

Repleto de nuances, apostando tanto em momentos melancólicos e lacónicos como em episódios de maior rudeza e visceralidade, "The Fragile" destaca-se como um muito interessante concentrado que funde o universo do rock com electrónicas negras, um dos melhores dos NIN.

As atmosferas penumbrentas e sinistras não se encontram muito distantes de composições próprias para uma banda-sonora de um eventual filme de culto, dada a carga cinemática de grande parte das canções (o que nem é de estranhar, tendo em conta que a banda colaborou nas bandas-sonoras de "Estrada Perdida", de David Lynch, ou "Assassinos Natos", de Oliver Stone).

Determinante para a concepção do disco é a presença de Trent Reznor, mentor do projecto, que para além da criatividade na composição dos temas e na escrita das letras proporciona ainda a carga dramática adequada na sua colaboração vocal. As canções fornecem perspectivas acerca da desilusão, desespero, perda, alienação, amor ou solidão, questões que sempre estiveram presentes na identidade da banda e que, mais uma vez, são exploradas, por vezes de forma um pouco exaustiva e niilista (não evitando mesmo alguns desvios para uma cansativa e redundante teen angst).

O álbum proporciona uma série de brilhantes canções, casos de "The Day the World Went Away" (com uma excelente alternância de ambientes calmos e pesados), "La Mer" (num inesperado contacto com territórios estranhamente serenos), "Starfuckers, Inc." (um dos temas mais acessíveis e vibrantes), "The Great Below" (um nebuloso e inquietante momento, na linha do emblemático "Hurt"), "The Frail" (um dos episódios mais arrepiantes e hipnóticos do álbum), "Just Like You Imagined" (um dos mais surpreendentes instrumentais) ou a faixa-título "The Fragile" (com um efusivo crescendo emocional).

Intenso e ecléctico, "The Fragile" é um ousado álbum de um dos mais criativos nomes do rock actual que, mesmo com alguns momentos mais fechados e herméticos, não deixa de conter um conjunto de canções brutais e fascinantes.
Por estas paragens, o rock ainda não perdeu vitalidade...

E O VEREDICTO É: 4/5 - MUITO BOM



publicado por gonn1000 às 21:58
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'Os Descendentes', de Alexander Payne
críticas: filmes de 2011


- "127 Horas", Danny Boyle
- "A Nossa Vida", Daniele Luchetti
- "A Pele Onde Eu Vivo", Pedro Almodóvar
- "Amigos Coloridos", Will Gluck
- "Blue Valentine - Só Tu e Eu", Derek Cianfrance
- "Cisne Negro", Darren Aronofsky
- "Green Hornet", Michel Gondry
- "Gritos 4", Wes Craven
- "Hanna", Joe Wright
- "Harry Potter e os Talismãs da Morte: Parte 2", David Yates
- "Insidioso", James Wan
- "Jane Eyre", Cary Fukunaga
- "Kaboom - Alucinação", Gregg Araki
- "Melancolia", Lars von Trier
- "O Amor é o Melhor Remédio", Edward Zwick
- "O Código Base", Duncan Jones
- "Os Agentes do Destino", George Nolfi
- "Os Bem-Amados", Christophe Honoré
- "Pequenas Mentiras Entre Amigos", Guillaume Canet
- "Sem Identidade", Pierre Morel
- "Sem Tempo", Andrew Niccol
- "Tournée - Em Digressão", Mathieu Amalric
- "X-Men: O Início", Matthew Vaughn