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Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Entre a melancolia e a festa, o melhor e o nem por isso

Placebo_Foto de Rita Sousa Vieira

 

Vale a pena celebrar os 20 anos do álbum de estreia dos PLACEBO - e por arrasto, da carreira da banda? Claro que sim, mas Brian Molko e Stefan Osdal fizeram uma revisitação tímida dos seus primeiros discos, esta semana em Lisboa, num concerto que também contou com o pior (leia-se canções mais recentes) do grupo. Recordo a noite no Coliseu dos Recreios neste artigo do SAPO Mag.

 

1998 ligou (e tem novidades)

placebo_1998

 

Numa altura em que comemoram os 20 anos da edição do álbum de estreia, com direito a digressão de revisão da matéria e nova compilação, os PLACEBO mostram que ainda são capazes de surpreender. Não pelo novo single - "Jesus' Son" só vem confirmar o travo de desilusão dos últimos discos -, mas por darem uma prenda esquecida aos fãs.

 

Parece que continua a ser preciso ir ao fundo de catálogo para encontrar motivos de interesse em torno da banda de Brian Molko, e o novo (velho) videoclip de "EVERY YOU EVERY ME" é exemplo disso. Deixado na gaveta durante 18 anos, uma vez que o grupo apostou numa versão com imagens ao vivo para promover o single, o vídeo segue o trio num casino e tanto lembra alguns filmes de culto da altura - "Rounders", de John Dahl, ou "Hard Eight", de Paul Thomas Anderson - como parece antecipar alguns ambientes do videoclip de "Taste in Men".

 

O jogo de ambiguidades e figuras siamesas em cena está em sintonia com a capa do segundo álbum dos britânicos, "Without You I'm Nothing", do qual a canção foi retirada. O disco, talvez o ponto alto do percurso dos PLACEBO - numa época em que tinham a benção de Bowie ou dos U2 -, foi também dos mais aconselháveis de 1998, o que não é dizer pouco já que não faltaram álbuns de recorte superior nesse ano (como os dos Massive Attack, Smashing Pumpkins, Garbage, PJ Harvey, Hole ou Madonna podem atestar). Enquanto não chega o momento de o revisitar oficialmente - adivinha-se outra digressão nostálgica quando chegar aos 20 anos em 2018 -, o videoclip é um belo pretexto para ir voltando a ele e a a uma fase em que tudo aqui fazia sentido:

 

 

Discos dos 00s (5): "Black Market Music"

 

Álbum: "Black Market Music", 2000

Artista: Placebo

 

"Without You I'm Nothing" (1998) já era um grande disco, mas o terceiro álbum dos Placebo conseguiu elevar ainda mais a fasquia e continua a ser a obra-prima do trio.

 

Muito longe do desgaste dos registos mais recentes, aqui as canções mostram-se mais negras e sedutoras do que nunca, tanto as que permanecem fiéis aos modelos dos primeiros dias como as que acolhem saudáveis contaminações electrónicas (que nunca roubam o protagonismo às guitarras).

 

Ecléctico mas coeso, "Black Market Music" ancora-se, tal como os antecessores, na densidade (e ambiguidade) lírica e interpretativa de Brian Molko, aqui menos colada a influências (assumidas) e mais capaz de definir um rumo próprio e intrigante. Perderia esse encanto poucos álbuns depois, é certo, mas aqui mantém-se ainda muito aconselhável.

 

 

Placebo - "Taste in Men"

 

A vinda de Brian

 

Parece que é neste que os Placebo vão mesmo regressar. Não só aos discos - o novo álbum, produzido por David Bottrill (Tool, dEUS) é editado em Junho -, mas também aos palcos, numa digressão que inclui Portugal.

 

O site oficial da banda de Brian Molko anunciou hoje que o trio actua no Festival Alive!09, no Passeio Marítimo de Algés, a 10 de Julho, mas espera-se que desta vez o grupo não se fique por um decepcionante meio-concerto, como ocorreu na sua última passagem por cá - há dois anos, no Creamfields.

E já agora, que o novo álbum seja mais inspirado do que o último, o desequilibrado "Meds" (2006).

 

Mas se não for esse o caso, que pelo menos o concerto não deixe de contar com algumas das suas melhores canções. Esta, por exemplo:

 

 

Placebo - "Taste in Men"

 

Fundo de catálogo (24): Placebo

 

Foram uma das melhores revelações do rock da década passada, mesmo que os discos que editaram nos últimos anos estejam longe de atingir as expectativas geradas nos primeiros.

Não é que tenham deitado tudo a perder - embora o mais recente, "Meds" (2006), não ande longe disso -, mas também não mantiveram a carga de intensidade e surpresa demonstrada, por exemplo, no notável "Without You I'm Nothing", que no mês passado completou dez anos.

 

A confirmar a boa impressão deixada na estreia homónima, dois anos antes, foi o álbum que melhor uniu os muitos traços da identidade dos Placebo, desde a escrita inquieta e ambígua de Brian Molko (como a imagem, de resto) à combinação de indie, punk e glam rock com uma electrónica subtil que teria maior protagonismo nos álbuns seguintes (sobretudo no igualmente superlativo "Black Market Music", de 2000).

 

"Every You Every Me" ou "You Don't Care About Us" ficaram como alguns dos temas mais populares da discografia do trio, e outros não tão mediáticos - como "Allergic (To Thoughts of Mother Earth)" ou "Ask for Answers" - são dos melhores que fizeram.

"Pure Morning", o primeiro single e tema de abertura do álbum, pode enquadrar-se em ambas as categorias, e contou ainda com um dos videoclips mais conseguidos e memoráveis da banda:

 

 

Placebo - "Pure Morning"

 

Revisitações anteriores