
Álbum: "Black Market Music", 2000
Artista: Placebo
"Without You I'm Nothing" (1998) já era um grande disco, mas o terceiro álbum dos Placebo conseguiu elevar ainda mais a fasquia e continua a ser a obra-prima do trio.
Muito longe do desgaste dos registos mais recentes, aqui as canções mostram-se mais negras e sedutoras do que nunca, tanto as que permanecem fiéis aos modelos dos primeiros dias como as que acolhem saudáveis contaminações electrónicas (que nunca roubam o protagonismo às guitarras).
Ecléctico mas coeso, "Black Market Music" ancora-se, tal como os antecessores, na densidade (e ambiguidade) lírica e interpretativa de Brian Molko, aqui menos colada a influências (assumidas) e mais capaz de definir um rumo próprio e intrigante. Perderia esse encanto poucos álbuns depois, é certo, mas aqui mantém-se ainda muito aconselhável.
Placebo - "Taste in Men"

Parece que é neste que os Placebo vão mesmo regressar. Não só aos discos - o novo álbum, produzido por David Bottrill (Tool, dEUS) é editado em Junho -, mas também aos palcos, numa digressão que inclui Portugal.
O site oficial da banda de Brian Molko anunciou hoje que o trio actua no Festival Alive!09, no Passeio Marítimo de Algés, a 10 de Julho, mas espera-se que desta vez o grupo não se fique por um decepcionante meio-concerto, como ocorreu na sua última passagem por cá - há dois anos, no Creamfields.
E já agora, que o novo álbum seja mais inspirado do que o último, o desequilibrado "Meds" (2006).
Mas se não for esse o caso, que pelo menos o concerto não deixe de contar com algumas das suas melhores canções. Esta, por exemplo:
Placebo - "Taste in Men"

Foram uma das melhores revelações do rock da década passada, mesmo que os discos que editaram nos últimos anos estejam longe de atingir as expectativas geradas nos primeiros.
Não é que tenham deitado tudo a perder - embora o mais recente, "Meds" (2006), não ande longe disso -, mas também não mantiveram a carga de intensidade e surpresa demonstrada, por exemplo, no notável "Without You I'm Nothing", que no mês passado completou dez anos.
A confirmar a boa impressão deixada na estreia homónima, dois anos antes, foi o álbum que melhor uniu os muitos traços da identidade dos Placebo, desde a escrita inquieta e ambígua de Brian Molko (como a imagem, de resto) à combinação de indie, punk e glam rock com uma electrónica subtil que teria maior protagonismo nos álbuns seguintes (sobretudo no igualmente superlativo "Black Market Music", de 2000).
"Every You Every Me" ou "You Don't Care About Us" ficaram como alguns dos temas mais populares da discografia do trio, e outros não tão mediáticos - como "Allergic (To Thoughts of Mother Earth)" ou "Ask for Answers" - são dos melhores que fizeram.
"Pure Morning", o primeiro single e tema de abertura do álbum, pode enquadrar-se em ambas as categorias, e contou ainda com um dos videoclips mais conseguidos e memoráveis da banda:
Placebo - "Pure Morning"

E O VEREDICTO É: 3/5 - BOM
Placebo - "Song to Say Goodbye"
Depois dos Nirvana, os Placebo são, muito provavelmente, um dos mais profícuos e carismáticos trios de rock nascidos na década de 90, tendo construído uma carreira que facilmente congrega públicos alternativos e mainstream. A imagem, aqui indissociável da música, é um dos factores que ajudou a distinguir a banda de tantas outras, mas desde a estreia com o promissor disco homónimo, em 1996, o grupo tem provado que a sua vertente musical possui também uma considerável personalidade, apesar das muitas influências.
Aglutinando referências rock, punk, pop, indie, alguma electrónica e uma atitude descendente do glam, os Placebo destacam-se como um projecto que tem abordado a questão da identidade, conflitos interiores, relações conturbadas e um complexo universo sexual, espelhando as ambíguas experiências do cantor/compositor Brian Molko.
"Once More With Feeling: Singles 1996-2004" recolhe todos os singles do trio, mas não é propriamente um best of, embora se assemelhe a esse formato. Funciona antes como uma eventual porta de entrada para curiosos e novos admiradores, apresentando-lhes alguns dos temas mais mediáticos e "orelhudos" da banda. O disco dá, assim, continuidade à aproximação a territórios mais comerciais que tem marcado os últimos álbuns do grupo (sobretudo o quarto, "Sleeping With Ghosts", que exibiu alguma estagnação no percurso musical da banda). Por isso, estas não serão, necessariamente, as melhores canções dos Placebo, mas permitem conhecer a evolução do projecto através da apresentação de quatro temas de cada disco.
Assim, momentos como "Nancy Boy" (o primeiro single do grupo) e "36 Degrees", retirados de "Placebo", expõem o entusiasmo adolescente dos primeiros passos do trio; "Pure Morning" e "Every You Every Me" são excertos do atmosférico e introspectivo "Without You I`m Nothing", o soberbo segundo disco do projecto; "Taste in Men" e "Black Eyed" exibem a amálgama entre a electrónica e o rock do portentoso "Black Market Music"; enquanto que "The Bitter End" e "Special Needs", retirados de "Sleeping With Ghosts", são dois exemplos dos Placebo iguais a eles próprios. Quem já conhece bem a obra do grupo tem também direito a algumas surpresas como "Protege Moi", uma versão em francês de "Protect Me From What I Want", ou os dois temas inéditos "I Do" e "20 Years" (sendo este último o novo single da banda).
Com o Natal a aproximar-se, aumentará decerto a tendência para o lançamento de inúmeras compilações e colectâneas best of, mais ou menos oportunistas. Seria bom que todas apresentassem um conjunto de canções tão auspicioso e convincente como este...
E O VEREDICTO É: 4/5 - MUITO BOM
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