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Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Quem é David Haller?

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Mesmo quem não seja fã do universo dos X-Men deve dar uma oportunidade a "LEGION". A primeira série de imagem real inspirada nos mutantes da Marvel estreou esta semana em Portugal, na FOX, e a julgar pelo episódio piloto é das variações mais inventivas das histórias de super-heróis dos últimos tempos, como escrevo neste artigo do SAPO Mag. E tendo em conta este arranque promissor, deixo mais sugestões de outras personagens dos X-Men a adaptar para TV.

 

À boleia pela galáxia

É a grande aposta do canal Syfy dos últimos anos, adapta uma saga literária elogiada e está entre as melhores aventuras espaciais recentes do pequeno (ou grande) ecrã. Numa altura em que "THE EXPANSE" regressa com a segunda temporada, a primeira pode ser vista por cá na Netflix.

 

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No século XXIII, as Nações Unidas têm a seu cargo a gestão não só da Terra mas de todo o sistema solar, que inclui também Marte e Belt (colónia na cintura de asteróides entre o planeta vermelho e Júpiter) como zonas habitadas. Só que esta expansão apenas veio reforçar as assimetrias sociais e económicas, alargando o fosso entre privilegiados e excluídos e instigando um cenário de guerra fria entre a Terra e Marte.

 

Quando "THE EXPANSE" arranca, o conflito ameaça tomar outras proporções à medida que uma conspiração política pode tirar do mapa a classe desfavorecida de Belt, pondo fim ao clima de paz armada. A não ser que a equipa de um cargueiro espacial que transporta gelo, com algumas informações essenciais nas mãos, consiga virar o jogo a tempo...

 

A partir dos livros de James S. A. Corey (pseudónimo dos escritores Daniel Abraham and Ty Franck), editados desde 2012 e já com seis dos nove volumes previstos nos escaparates, Mark Fergus e Hawk Ostby criaram uma série que leva mais longe as ideias de ficção científica já presentes noutras colaborações da dupla de argumentistas, até aqui no cinema - em filmes como "Os Filhos do Homem", "Homem de Ferro" ou "Cowboys & Aliens".

 

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O facto de esta nova aventura ser desenvolvida no pequeno ecrã não foi sinónimo de menor ambição, uma vez que "THE EXPANSE" é a maior aposta do Syfy nos últimos anos, como aliás se torna evidente logo nos minutos iniciais do primeiro episódio - da realização à direcção artística, há aqui uma sofisticação muito acima do patamar algo modesto (e às vezes até embaraçoso) do canal.

 

A atenção ao detalhe é, de resto, um dos trunfos de uma série que conjuga ideias reconhecíveis de outras visões sci-fi ("Battlestar Galactiva" e "Firefly" estão entre as habitualmente comparadas) com uma vertente mais realista do que escapista no retrato das situações quotidianas, sobretudo o do lado mais prático do dia-a-dia numa nave espacial. Não admira, por isso, que a mais interessante das três histórias da primeira temporada seja mesmo a da tripulação que se vê envolvida num novelo de acidentes, tanto por potenciar os momentos visualmente mais interessantes como por conseguir manter um suspense quase contínuo, em paralelo com as relações que se vão desenvolvendo entre a equipa (cujos elementos são inicialmente quase tão estranhos uns para os outros como para o espectador).

 

Além deste grupo perdido no espaço, "THE EXPANSE" vai acompanhando as investigações de um detective de Belt, com Thomas Jane perfeitamente à vontade num ambiente noir futurista (a herança de "Blade Runner" também passa por aqui). Este arco policial, embora escorreito, não está assim tão longe de outros procedurals televisivos (no caso, centrado na busca de uma jovem desaparecida), mas tem um actor que agarra a personagem com convicção e a atmosfera desolada da colónia é palpável e intrigante, o que ajuda a conferir singularidade a uma trama à partida genérica.

 

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Menos entusiasmante é o arco centrado numa diplomata das Nações Unidas, na Terra, figura que a veterena Shohreh Aghdashloo defende de forma credível entre diálogos por vezes demasiado explicativos, episódios burocráticos pouco memoráveis e outros sinais de uma conspiração palaciana que demora a arrancar e nem sempre se dá bem com o tom mais cinético dos outros enredos. Se os destinos dos restantes protagonistas de "THE EXPANSE" acabam por se cruzar - e ganhar com isso - ao longo dos primeiros dez episódios, cada regresso à trama mais institucional quebra alguma fluidez narrativa - mesmo que seja uma peça importante para apresentar o contexto geopolítico da história.

 

Apesar de não ter a coesão das melhores sagas televisivas dos últimos anos, esta é uma aventura a (re)descobrir por fãs de ficção científica e não só, envolvente desde o episódio piloto - a fechar com um óptimo cliffhanger - e cada vez mais segura à medida que se aproxima do final da temporada, quando já estamos devidamente ambientados neste universo que promete ter mais para explorar. A estreia da segunda temporada, a 1 de Fevereiro nos EUA, é um bom pretexto para embarcar na produção de 2015 do Syfy que está disponível na Netflix desde finais do ano passado.

 

 

 

55 de 2016

50_de_2016

 

Organizar uma lista de melhores do ano no cinema, na televisão e na música numa altura em que, como nunca antes, há filmes, séries e álbuns em doses industriais e em cada vez mais plataformas só pode pecar por defeito. Mas quantidade não é necessariamente sinónimo de qualidade, sobretudo quando chegam a estrear dez filmes em algumas semanas sem que muitos dos mais discretos (e às vezes mais interessantes) consigam ter tempo de aquecer as salas (como "O Inimigo da Turma", "A Filha" ou tantos outros poderão confirmar). O mesmo vale para o pequeno ecrã, com a "idade de ouro" da televisão a debitar tantas novidades que se torna difícil manter uma relação fiel com mais de meia dúzia de séries em simultâneo. E também já lá vai o tempo em que a ligação a um álbum podia durar meses, ou pelo menos semanas, quando a nova promessa ou suposta epifania do momento pode ser ouvida num encontro imediato via streaming - mesmo que nem chegue a haver um segundo contacto. Por outro lado, quando a oferta é tanta e tão recorrente, a tradição do top anual talvez faça ainda mais sentido, nem que seja para ir obrigando a lembrar o que vale mesmo a pena reter dos últimos meses. E 2016 foi bem melhor quando contou com estes 55 para ver e/ou ouvir:

 

10 FILMES

 

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"Agnus Dei - As Inocentes", Anne Fontaine
"Ela", Paul Verhoeven
"Ensurdecedor", Joachim Trier
"A Filha", Simon Stone
"O Inimigo da Turma", Rok Bicek
"Meu Rei", Maïwenn
"Muito Amadas", Nabil Ayouch
"Mustang", Deniz Gamze Ergüven
"Regresso a Ítaca", Laurent Cantet
"Suburra", Stefano Sollima

 

Fora de circuito: "Spa Night", Andrew Ahn (no QueerLisboa)
Maior perda de tempo: "Nem Respires", Fede Alvarez

 

10 SÉRIES

 

BLOODLINE

 

"The Americans" (T4), FOX
"Atlanta" (T1), FX
"Black Mirror" (T3), Netflix
"Bloodline" (T2), Netflix
"The Expanse" (T1), Syfy
"O Gerente da Noite", AMC/BBC One
"The Get Down" (T1), Netflix
"A Guerra dos Tronos" (T6), HBO
"House of Cards" (T4), Netflix
"London Spy", BBC Two

 

Desilusão do ano: o regresso de "Ficheiros Secretos"

 

10 DISCOS

 

Musician PJ Harvey beside River Anacostia. Anacostia. SE Washington D.C. April 2014

 

"Amnesty (I)", Crystal Castles
"Ash & Ice", The Kills
"Chaosmosis", Primal Scream
"Distortland", The Dandy Warhols
"Mirage", Digitalism
"Silver Souls", Compact Disk Dummies
"The Hope Six Demolition Project", PJ Harvey
"The Triad", Pantha Du Prince
"They Moved in Shadow All Together", Emily Jane White
"United Crushers", Poliça

 

Desilusão do ano: "Strange Little Birds", Garbage

 

5 DISCOS NACIONAIS

 

Throes+The_Shine

 

"Acho que é meu dever não gostar", Señoritas
"Língua", Octa Push
"Miopia", Osso Vaidoso
"Terra do Corpo", Medeiros/Lucas
"Wanga", Throes + The Shine

 

15 CANÇÕES

 

Bat_for_Lashes

 

"100% or Nothing", Primal Scream
"Ablaze", School of Seven Bells
"Anxiety", Preoccupations
"Apathy", Night Shade
"Baroque", Xeno & Oaklander
"Burn", Pet Shop Boys
"Close Encounters", Bat For Lashes
"D7-D5", Blanck Mass
"Falling", Beth Orton
"Let It Drop", The Kills
"Nightmares on Repeat", Emily Jane White
"STYGGO", The Dandy Warhols
"The Wheel", PJ Harvey
"Utopia", Digitalism
"You Want It Darker", Leonard Cohen

 

5 CONCERTOS

 

The_Kills_Foto_Rita_Sousa_Vieira

 

The Comet is Coming no FMM Sines
Crystal Castles no Paradise Garage
Florence + The Machine no MEO Arena
The Kills no Coliseu dos Recreios
PJ Harvey no Coliseu dos Recreios

 

Barretes do ano: Anohni no Coliseu dos Recreios e Tricky na Aula Magna

 

Haverá sangue

Mais discreta do que outras produções da Netflix, "BLOODLINE" não conta com o hype de "House of Cards" ou "Narcos" mas é uma das melhores apostas do serviço de streaming. E uma das grandes séries do momento, com a segunda temporada a manter o nível da primeira.

 

bloodline

 

"Não somos más pessoas, mas fizemos uma coisa má". É assim que John Rayburn, narrador da primeira temporada de "BLOODLINE", apresenta a família que protagoniza o drama da Netflix ambientado na Flórida, cujo ambiente soalheiro contrasta com o tom cada vez mais negro desta história centrada em quatro irmãos. O clã Rayburn, um dos mais respeitados da região turística na qual gere um hotel há décadas, esconde uma dose considerável de segredos e mentiras por detrás da imagem idónea que projecta, mas esse estatuto ameaça cair em degraça quando Danny, o filho mais velho, regressa a casa e não pretende voltar a deixá-la tão cedo.

 

A partir daqui, Todd A. Kessler, Glenn Kessler e Daniel Zelman, que já tinham criado "Damages", do FX, em conjunto, lançam as bases de uma trama que sabe, como poucas, inflitrar-se na rede de cumplicidades, disputas, partilha e ressentimentos das relações familiares, mérito de um argumento tão bem carpinteirado que até se dá ao luxo de avançar com um elemento-chave do desenlace da narrativa da primeira temporada logo no episódio piloto. E se esse capítulo inicial nem será o cartão de visita mais aliciante, pedindo tempo para a apresentação do ambiente e das personagens, "BLOODLINE" acaba por se ir destacando como autêntico "slow burner", insinuando-se de mansinho até se impor com uma intensidade rara.

 

bloodline_família

 

O magnetismo desta mistura de thriller lânguido e saga familiar mais contida do que operática deve-se, sobretudo, à forma hábil como os criadores doseiam figuras e acontecimentos, com flashbacks recorrentes que nunca atrapalham o ritmo e acentuam a carga dramática. Claro que este modelo narrativo centrado num acidente trágico, mostrando o antes na primeira temporada e o depois na segunda, seria inútil caso os peões do jogo se esgotassem nisso mesmo, em marionetas para fazer o argumento avançar - como acontece ocasionalmente em "House of Cards" e quase sempre em "Narcos" ou "Jessica Jones", para ficarmos por outras séries da Netflix.

 

Mas se o mistério envolve, é porque tem gente a sério lá pelo meio, para o melhor e para o pior, com as contradições evidentes na tagline da produção. "BLOODLINE" não pede que gostemos destes irmãos, dos pais e dos que os rodeiam, mas permite-nos compreendê-los enquanto os segue num acumular de tensão que estica e às vezes quebra redes de confiança. E aí o elenco é determinante, com óbvia vantagem para Ben Mendelsohn, irrepreensível como o esquivo e renegado Danny, de longe a figura mais carismática da primeira temporada.

 

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Uma das principais dúvidas ao entrar na segunda época era, de resto, se a série conseguiria manter a bitola quando o irmão mais velho dos Rayburn ficaria obrigatoriamente sem tanto tempo de antena. Mas nem é preciso avançar muito nos episódios mais recentes, estreados este ano, para perceber que os outros actores dão conta do recado, até porque as suas personagens ganham espaço para crescer - é o caso dos outros três irmãos, encarnados por Kyle Chandler, Norbert Leo Butz e Linda Cardellini, ou de grandes secundários como Chloë Sevigny, John Leguizamo e os menos sonantes mas surpreendentes Enrique Murciano e Owen Teague (este último a complementar um dos melhores castings pai/filho em muito tempo).

 

Também é bom encontrar por aqui veteranos como Sissy Spacek e Sam Shepard, na pele dos patriarcas, tão pouco vistos no grande ecrã e a comprovarem que é no pequeno que estão alguns dos desempenhos mais fortes dos últimos anos. E quando interpretações destas têm uma narrativa à altura, vincada por várias zonas de sombra, sem os maniqueísmos e simplismos de tantos outros policiais (às vezes lembrando o noir sulista de alguns filmes de John Sayles) e dando às personagens a respiração que estas merecem, torna-se difícil não apontar "BLOODLINE" como um drama de recorte superior.

 

 

 

 

35 de 2016

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O semestre foi delas. Ou assim parece ao recordar o melhor de 2016 no cinema, na TV e nos discos que foram chegando durante os primeiros meses. É o caso do regresso de PJ Harvey, mais uma vez com o álbum certo na altura certa, ou das histórias com mulheres à frente e atrás das câmaras de "Mustang", "Meu Rei" ou "O Que Está por Vir". Mas também das protagonistas de "Muito Amadas", "Joy" e "Brooklyn", lado a lado com o avanço de Robin Wright no jogo de "House of Cards" (como actriz e realizadora) e o de muitas personagens femininas de "A Guerra dos Tronos". Só para contrariar, Deadpool trouxe uma injecção de testosterona na melhor fantasia masculina adolescente em forma de blockbuster, numa segunda vida de Ryan Reynolds comparável às aventuras de Tom Hiddleston e Ben Wishaw pelas sagas de espionagem, em formato minissérie. Na música, os Primal Scream, The Kills ou Dandy Warhols não foram explorar tanto território novo como Polly Jean, mas mostraram-se outros veteranos confiáveis ao longo de uma temporada sem surpresas de maior. E há mais filmes, séries, discos e canções a recordar ou descobrir por aqui, sem ordem de preferência:

 

10 FILMES

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"Brooklyn", John Crowley
"Deadpool", Tim Miller
"Ensurdecedor", Joachim Trier
"O Filho de Saul", László Nemes
"Joy", David O. Russell
"Meu Rei", Maïwenn
"Muito Amadas", Nabil Ayouch
"Mustang", Deniz Gamze Ergüven
"O Que Está Por Vir", Mia Hansen-Love
"Suburra", Stefano Sollima

 

5 SÉRIES

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"Flaked", Netflix
"O Gerente da Noite", AMC
"A Guerra dos Tronos", HBO
"House of Cards", Netflix
"London Spy", BBC Two

 

10 DISCOS

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"Ash & Ice", The Kills
"Chaosmosis", Primal Scream
"Cut and Paste", Oscar
"Distortland", The Dandy Warhols
"Kidsticks", Beth Orton
"Mirage", Digitalism
"Silver Souls", Compact Disk Dummies
"The Hope Six Demolition Project", PJ Harvey
"The Triad", Pantha Du Prince
"United Crushers", Poliça

 

10 CANÇÕES

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"100% or Nothing", Primal Scream
"Ablaze", School of Seven Bells
"Anxiety", Preoccupations
"Apathy", Night Shade
"Burn", Pet Shop Boys
"STYGGO", The Dandy Warhols
"The Wheel", PJ Harvey
"Utopia", Digitalism
"Watch Me", Anohni
"Wow", Beck