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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Neste clube há luto, convidados e dança

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Através de um EP e dois álbuns, os BIBI CLUB têm moldado um cruzamento de guitarras e electrónica insinuante e prestes a conhecer um novo episódio. "AMARO", o terceiro longa-duração do projecto dos canadianos Adèle Trottier-Rivard e Nicolas Basque, é o sucessor de "Feu de garde", de 2024 (nomeado para o Polaris Music Prize, que distingue talentos dentro de portas), e um dos lançamentos da próxima sexta-feira, 27 de Fevereiro.

Ode à vida guiado pelo mantra "Quero amar, quero viver", responde à morte de dois entes queridos (incluindo o filho do casal, Tobie) com canções distantes da serenidade e elegância habituais na música da dupla até aqui. Uma viragem expectável num alinhamento com raízes no luto e no medo, ainda que a atmosfera mais turva não impeça a vontade de dançar. Pelo contrário, este promete ser o disco da banda de Montreal com o maior peso de sintetizadores: as descrições iniciais apontam heranças da EBM e da darkwave, mas também de pop vanguardista ou neofolk. 

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Os cúmplices mais recentes também dão pistas do que aí vem, já que o duo diz ter sido inspirado pelos Blonde Redhead e Circuit des yeux, com os quais partilhou digressões. E no álbum destacam-se as presenças de Helena Deland e do saxofonista Dimitri Milbrun, embora nenhum colabore nos primeiros singles.

A faixa-título, "AMARO", das mais propulsivas dos canadianos até agora, é rock atmosférico a fazer a travessia entre a pista de dança e o deserto africano, cantada por Adèle Trottier-Rivard em francês, o idioma mais frequente desta discografia. O segundo avanço, "WASHING MACHINE", opta pelo inglês rumo a um caminho ainda mais efervescente, em jogos de luz e sombra. "Where do we go after the death of our child?", indaga a vocalista numa pergunta desarmante como poucas. Parte da resposta poderá ser ouvida dentro de poucos dias.

Uma canção e um álbum sobre "o romantismo de uma vida imperfeita"

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É dos primeiros regressos de 2026 a saudar: os METRIC voltam aos discos e aos palcos nos próximos meses, três anos depois de "Formentera II". "ROMANTICIZE THE DIVE", o décimo álbum dos canadianos, chega a 24 de Abril e tem como avanço "VICTIM OF LUCK", canção que olha para os primeiros dias do grupo de Toronto como inspiração para o futuro.

Nas notas iniciais sobre a nova fase, a vocalista Emily Haines partilha online que o single e o disco são sobre "o romantismo de uma vida imperfeita", lembrando a jornada de uma banda cuja determinação não esmoreceu desde os tempos de "Old Old Underground, Where Are You Now?", estreia que a colocou entre os nomes ilustres de uma vaga indie canadiana na viragem do milénio.

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Não por acaso, este regresso tem como companhia os conterrâneos Broken Social Scene (com os quais Haines já colaborou) e Stars, colegas geracionais prestes a partilharem palcos numa digressão conjunta - para já, apenas prevista para a América do Norte em Junho, Julho e Agosto. Fica a porta aberta para datas na Europa... E seria pedir muito que chegasse a Portugal? Até porque os METRIC nunca passaram por cá (como assim, promotoras?) e os seus concertos não costumam ser menos do que brilhantes (que o digam actuações memoráveis em Barcelona ou Colónia há uns anos).

Antes dos próximos capítulos, o videoclip do orelhudo primeiro single começa por seguir a letra e recuar até às origens do quarteto. Realizado por Fezz & Chess, inclui imagens de arquivo inéditas do grupo na estrada e em espectáculos em salas pequenas, terminando com a banda já no presente: