(ANTI-)ESTRELA VETERANA
Na década de 80, ajudou a construir a reputação da editora da 4AD integrando uma das suas bandas fundamentais, os Throwing Muses. Na de 90, iniciou com "Hips and Makers" (1994) um percurso a solo e deu-lhe continuidade com uma série de outros discos que a distinguiram como uma cantautora a escutar. Já no novo milénio, criou os 50 Foot Wave e redobrou a visceralidade presente no outro grupo do qual fez parte, parcialmente reduzida nos seus álbuns em nome próprio.
Cruzando a energia da guitarra eléctrica com a elegância e depuração de violinos, violoncelos, guitarra acústica e piano, a cantora - que toca também grande parte dos instrumentos - propõe uma série de temas sólidos e pessoais, que à consistente arquitectura instrumental aliam a sua expressiva voz. Esta mantém a carga genuína e emotiva, transpirando um timbre peculiar pela qual Hersh sempre se evidenciou, distanciando-se de tentações miméticas de quaisquer estrelas (ao contrário do que os irónicos título e capa do disco sugerem).
A milhas do plástico emo que infecta novas bandas e das doses de depressão sem fim à vista também presente em alguns projectos indie, "Learn To Sing Like A Star" é um álbum onde a mágoa, a melancolia e a desilusão estão presentes mas não como mero efeito postiço ou teatral. São, antes, o reflexo de vivências que se moldam em canções cuja honestidade cativa, relatadas por alguém capaz de dar densidade às palavras.
Embora todos se revelem apelativos, não havendo episódios menores a apontar, também não há nenhum que sobressaia, e é esse o problema de "Learn To Sing Like A Star": sendo um bom disco, nunca é atravessado por rasgos de inspiração muito acima da média. Esse aspecto não compromete, contudo, que aqui se encontre um claro depoimento de maturidade, expresso através de canções que, mesmo não vincando pela ruptura, são capazes de despertar uma ressonância emocional digna de registo.

Cruzando a energia da guitarra eléctrica com a elegância e depuração de violinos, violoncelos, guitarra acústica e piano, a cantora - que toca também grande parte dos instrumentos - propõe uma série de temas sólidos e pessoais, que à consistente arquitectura instrumental aliam a sua expressiva voz. Esta mantém a carga genuína e emotiva, transpirando um timbre peculiar pela qual Hersh sempre se evidenciou, distanciando-se de tentações miméticas de quaisquer estrelas (ao contrário do que os irónicos título e capa do disco sugerem).
A milhas do plástico emo que infecta novas bandas e das doses de depressão sem fim à vista também presente em alguns projectos indie, "Learn To Sing Like A Star" é um álbum onde a mágoa, a melancolia e a desilusão estão presentes mas não como mero efeito postiço ou teatral. São, antes, o reflexo de vivências que se moldam em canções cuja honestidade cativa, relatadas por alguém capaz de dar densidade às palavras.

Embora todos se revelem apelativos, não havendo episódios menores a apontar, também não há nenhum que sobressaia, e é esse o problema de "Learn To Sing Like A Star": sendo um bom disco, nunca é atravessado por rasgos de inspiração muito acima da média. Esse aspecto não compromete, contudo, que aqui se encontre um claro depoimento de maturidade, expresso através de canções que, mesmo não vincando pela ruptura, são capazes de despertar uma ressonância emocional digna de registo.
E O VEREDICTO É: 3/5 - BOM
Kristin Hersh - "In Shock"