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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Mitos prematuros

São já conhecidos os frequentes exageros com que a peculiar imprensa musical britânica destaca muitos dos novos artistas, atirando-os para um patamar de genialidade sem igual que só é superada daí a um par de meses (ou de semanas, conforme os casos), quando chega a hora de endeusar novas coqueluches e terminar os quinze minutos de fama das anteriores.

Se no ano passado os Artic Monkeys foram o expoente máximo dessa tendência, para 2007 uma das principais apostas são os Klaxons, jovem trio londrino que já gerou algum burburinho com a edição de singles e um EP em 2006 mas que agora, com o lançamento do primeiro álbum, "Myths of the Near Future", vê alargado o hype.


Admita-se que a banda é um projecto promissor, com um universo de referências mais interessante do que o dos Artic Monkeys, mas ao ouvir o disco é inevitável não ficar com a sensação de que grande parte do que foi escrito colocou a fasquia demasiado alta. O rótulo new rave, com que muitos já o catalogam, é disso exemplo, pois embora tenha surgido a partir de uma piada do vocalista é já utilizado para designar um movimento emergente mas que, a julgar pelo álbum, não parece ter grande fundamento.



De facto, há aqui ocasionais sinais da herança de uns Prodigy e demais representantes da facção inglesa dançável de inícios de 90 - evidentes na sirene de "Atlantis to Interzone" ou na explosão visceral "Four Horsemen of 2012" -, mas fugazes contaminações não chegam para originar um subgénero, a menos que só se considerem as cores garridas das roupas e dos videoclips do grupo.



Curiosamente, a maior parte das canções do disco até se aproxima mais da madchester de finais de 80 e do pós-punk praticado por inúmeras bandas recentes do que de nomes associados à cultura rave, como uns LFO, Fluke ou Orbital. Não há por aqui nada de muito inovador, mas "Myths of the Near Future" até resulta numa fusão relativamente bem conseguida, embora irregular.

Canções como "Gravity's Rainbow", "Forgotten Works" ou "It's Not Over Yet" (contagiante cover do hit dos Grace) funcionam tão bem numa playlist radiofónica como numa pista de dança e, ainda que a banda não exiba uma personalidade muito vincada - "As Above, So Below" poderia ser dos Kaiser Chiefs, por todo o disco há semelhanças com os Happy Mondays ou Infadels, a voz de Jamie Reynolds é um misto de Ian Brown (Stone Roses) e Kele Okereke (Bloc Party) -, gera mais entusiasmo do que indiferença.


Se na música são derivativos, apesar de consistentes, os Klaxons exibem maiores sinais de uma identidade própria nas letras, que ao contrário de muitas bandas recentes de terras de sua majestade não oferecem retratos do quotidiano mas antes devaneios sci-fi e fantasiosos, convocando ciclopes, medusas, aventuras interplanetárias e viagens temporais (o título do disco, por exemplo, é o de um livro de J.G. Ballard). A ideia é original, já o resultado é quase sempre inconsequente, embora o grupo assuma uma postura hedonista e despretensiosa e compense a ligeireza lírica com refrões catchy e eficazes.


Não obstante as muitas arestas por polir, "Myths of the Near Future" prova que faz sentido colocar os Klaxons na selecção de esperanças britânicas, mas não mais do que isso. Nada que os aproxime, por enquanto, de um mito, ainda que não faltem álbuns de estreia que estejam mais longe desse estatuto. Uma banda a acompanhar com alguma atenção...

E O VEREDICTO É:
3/5 - BOM



Klaxons - "Golden Skans"


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