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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

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O MAL

Projecto de três dos mais aclamados cineastas orientais a emergir nos últimos anos, "3... Extremos" (Three...Extremes) reúne três médias metragens, com cerca quarenta minutos cada, dirigidas por Fruit Chan, Park Chan-wook e Takashi Miike, que em comum têm o facto de apresentarem histórias onde emerge a faceta mais sórdida, perversa e sinistra do ser humano.

"Preciosa Iguaria" (Dumplings), de Fruit Chan, relata até onde está disposta a ir uma actriz que pretende retardar o seu envelhecimento, recuperando a sua juventude através do consumo de bolinhos de massa com ingredientes, no mínimo, pouco convencionais.
Alicerçando-se num saboroso (passe a expressão) humor negro, o realizador de Hong Kong oferece uma perturbante experiência cinematográfica, onde apesar da morbidez das situações o argumento nunca resvala para domínios do choque gratuito, convencendo e intrigando pela sobriedade com que se desenrola.

Se "Preciosa Iguaria" entusiasma pela sugestão doentia, "Corta!" (Cut), do sul-coreano Park Chan-wook, contém cenas de uma violência mais gráfica do que psicológica, centrando-se num conceituado realizador que é aprisionado em casa por um ex-colaborador e forçado a assassinar uma criança a sangue-frio, sob pena de ver os dedos da sua esposa serem decepados um a um.
O mais sangrento dos três contos conquista sobretudo pela energia visual que Chan-wook gera, impressionando com a fluidez da sua câmara, ágil e imprevisível, e pela paleta cromática com que ilustra uma atmosfera claustrofóbica.
O autor de "Old Boy - Velho Amigo" não é, infelizmente, tão bem sucedido na construção do argumento, mais uma história de vingança que por vezes se aproxima da saga "Saw" e peca pelo histerismo exacerbado, originando uma desequilibrada gestão do suspense.

"Caixas" (Box), do japonês Takashi Miike, mergulha nos sonhos - aliás, pesadelos - de uma escritora, que evocam memórias da sua infância e familiares. Inesperadamente contemplativo e sereno - desprovido do travo gore de "Audition" e "Uma Chamada Perdida" -, é um exercício que, ao enveredar por contornos introspectivos e enigmáticos, não consegue ser complexo nem envolvente mas antes maçador e pretensioso.
Miike injecta a espaços algum brilho formal, desenhando promissoras atmosferas oníricas e etéreas, mas a narrativa dispersa e arbitrária torna esta média metragem num esboço dispensável.

Partindo de uma ideia com potencial, "3... Extremos" é demasiado desequilibrado, pois a qualidade decrescente das suas três partes faz do filme um objecto apenas curioso, longe do melhor que o cinema oriental recente tem proporcionado. Arrepia, por vezes quase chega a assustar, mas como um todo é pouco mais do que inconsequente.
E O VEREDICTO É: 2/5 - RAZOÁVEL

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