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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

ESTREIAS DA SEMANA - 7 A 13 DE OUTUBRO

Aproveitando a onda de posts anteriores sobre cinema, fica aqui a lista das estreias cinematográficas mais recentes...


Esta semana é marcada pela estreia nacional de dois dos filmes mais aguardados do último trimestre de 2004: "Diários de Che Guevara" ("The Motorcycle Diaries"), de Walter Salles, e "Colateral" ("Collateral"), de Michael Mann.
"Diários de Che Guevara" retrata a viagem dos jovens Ernesto Guevara e Alberto Granado, que se aventuram à descoberta da América Latina em 1952. Viajando na resistente mota "La Poderosa", os dois amigos são os protagonistas deste "road movie" que concilia a descoberta geográfica com o crescimento interior. O realizador Walter Salles ("Central do Brasil", "Abril Despedaçado") baseia-se nos diários dos dois argentinos para elaborar a sua perspectiva cinematográfica sobre a juventude de Che Guevara e algumas das experiências que o motivaram a tornar-se numa figura política. As duas personagens principais são interpretadas por Gael García Bernal (o actor latino do momento, cujo currículo inclui "Amor Cão", "E a tua Mãe Também", "O Crime do Padre Amaro" e "Má Educação") e Rodrigo De la Serna. Aqui o je já viu e aconselha.
A nova obra de Michael Mann ("Heat - Cidade Sob Pressão", "O Informador", "Ali") chega também esta semana a salas nacionais. "Colateral" desenrola-se na noite de Los Angeles e apresenta a conturbada ligação entre um assassino frio e calculista (interpretado por um atípico Tom Cruise) e um taxista atormentado (Jamie Foxx). Nesta insólita viagem, o cineasta combina elementos do "thriller", drama e suspense para proporcionar mais um dos seus peculiares contos negros, densos e urbanos. Este também já vi e vale a pena.
Um dos escassos exemplos do cinema islandês que chega a salas nacionais, "Nói, o Albino" ("Nói Albinói") foca a entrada na idade adulta de um jovem albino de uma pequena povoação islandesa. Incapaz de continuar isolado num meio que não lhe oferece um futuro muito próspero, Nói também não consegue encontrar alternativas viáveis que lhe permitam descobrir um novo rumo. Realizado por Dagur Kári, "Nói, o Albino" foi elogiado em vários festivais de cinema internacionais e esteve presente na 1ª edição do Indie Lisboa. Quem gostou de "Donnie Darko" pode arriscar e dar uma espreitadela....
"Madame Satã" retrata a vida de João Francisco dos Santos, figura brasileira dos anos 30 que se tornou num dos maiores ícones gay do Rio de Janeiro. Um dos títulos presentes na mais recente edição do festival Gay e Lésbico de Lisboa, "Madame Satã" é realizado por Karim Ainouz e entre os nomes do elenco figuram Lázaro Ramos, Renata Sorrah ou Marcelia Cartaxo.
Protagonizado por Billy Bob Thornton, Patricia Arquette, e William Devane, "The Badge - A Trama" é uma história de corrupção, mistério e suspense que se centra nas investigações de um xerife acerca da morte de um transexual. Robby Henson realiza.
"Gangsters", de Olivier Marchal, aborda as aventuras de Franck Chaïevski e Nina Delgado, dois suspeitos de um assalto que provocou a morte de várias pessoas. Anne Parillaud, Gérald Laroche e François Levantal são alguns dos nomes do elenco deste filme de acção francês.
"Loiras à Força" ("White Chicks") é mais uma comédia interpretada por Marlon e Shawn Wayans. Dois agentes do FBI negros terão de se disfarçar de duas irmãs loiras para realizar a sua mais recente missão. A realização está a cargo de Keenen Ivory Wayans.

AS OUTRAS FACES DE JOHN WOO


Após os sucessos de público e crítica de "Blade Runner" (de Ridley Scott), "Desafio Total" ("Total Recall", de Paul Verhoeven) e "Relatório Minoritário" ("Minority Report", de Steven Spielberg), outro conto de Philip K. Dick é adaptado ao grande ecrã.

Como todas as obras do autor, "Pago Para Esquecer" (Paycheck) suscita questões curiosas e pertinentes, em particular acerca da relevância da memória e da possibilidade de destruição desta, assim como da hipótese de prever o futuro e os riscos que tal poderá gerar. Encontramo-nos em território clássico da ficção científica, fértil em ideias inovadoras e entusiasmantes.


John Woo, cineasta conhecido por títulos como "A Outra Face" ("Face-Off") ou "Códigos de Guerra" ("Windtalkers"), orienta a narrativa de K. Dick para um filme que aposta em cenas de acção bem conseguidas e com doses de adrenalina q.b., seguindo a lógica narrativa dos habituais blockbusters de Hollywood.

Ben Affleck interpreta um engenheiro cuja memória é apagada após um período de três anos, durante o qual trabalhou na criação de um aparelho que possibilita prever o futuro. Uma Thurman acompanha-o enquanto típica namorada do protagonista, Paul Giamatti desempenha o atrapalhado fiel amigo e Aaron Eckart dá corpo ao vilão frio e calculista.


"Pago Para Esquecer" mistura acção, ficção científica, suspense e algum humor, e, mesmo não se tratando de um marco inesquecível dentro do género (tal título estará mais próximo do sofisticado e surpreendente "Relatório Minoritário"), tem ingredientes combinados de forma consistente para merecer destaque e ser visionado. Contrariamente à maioria dos filmes-de-acção provenientes de território norte-americano, esta proposta de John Woo não oferece somente o habituail e algo previsível concentrado de efeitos pirotécnicos, antes os utiliza para proporcionar uma experiência cinematográfica que pretende despoletar alguma reflexão por parte do espectador.

Um filme lúdico e pertinente.
E O VEREDICTO É: 3/5 - BOM

QUANTO VALE UMA BOA HISTÓRIA?

Com o final do ano a aproximar-se, porque não (re)descobrir alguns dos filmes que passaram por cá? "Shattered Glass - Verdade ou Mentira" foi uma das obras cinematográficas mais injustamente ignoradas do início de 2004, mas este pequeno filme independente está acima de muitos blockbusters mega-promovidos que andam por aí. Here are my two cents...

O primeiro filme de Billy Ray é um pertinente retrato dos meandros do jornalismo e um objecto que convida à reflexão sobre o poder dos media nos dias de hoje."Shattered Glass: Verdade ou Mentira" baseia-se na história verídica de Stephen Glass, um jovem jornalista norte-americano que, nos finais dos anos 90, se tornou num dos nomes mais solicitados para publicações como a "New Republic", a "Rolling Stone", a "Harper`s" ou a "George". No entanto, o sucesso fugaz de Glass terminou quando um jornalista de uma publicação concorrente conseguiu provar que parte dos seus artigos (mais de 40) eram total ou parcialmente inventados e sem base de sustentação real. O acontecimento gerou alguma polémica e voltou a suscitar questões sobre a ética dos jornalistas e as responsabilidades inerentes a esta profissão.
Hayden Christensen ("A Guerra das Estrelas: Episódio II - Ataque dos Clones", "Uma Casa, uma Vida") interpreta Stephen Glass, um contador de histórias nato cujo temperamento oscila entre o de um genial menino-prodígio e o de um indivíduo egocêntrico, imaturo, ingénuo e com uma insegurança quase infantil. Glass encarna um autêntico mentiroso compulsivo, alguém fascinado com as suas histórias e com as apelativas oportunidades profissionais que estas despoletam. Através dos seus originais, lúdicos e entusiasmantes artigos, Glass torna-se numa das estrelas da sua redacção e alvo de múltiplas solicitações para trabalhos como free-lancer em prestigiadas publicações.
Billy Ray apresenta um intenso estudo de personagem e, através deste, oferece um dos casos marcantes de uma geração actual que se move através de uma constante busca de afirmação, sucesso, glória e protagonismo. Glass é assim produto da ambição, por vezes descontrolada, que se encontra em múltiplas áreas das sociedades ocidentais contemporâneas. Ray fornece ainda um olhar sobre os bastidores do jornalismo, focando as relações conturbadas dos seus profissionais, a procura de fama oposta ao espírito de equipa, as precárias condições de trabalho ou a crescente valorização da superficialidade e tabloidização dos conteúdos. Neste misto de thriller, drama e documentário, o realizador apresenta ainda o rigor e elevada exigência necessários a esta profissão, assim como a perspectiva idealista, esclarecedora e cívica que a orienta.
Além de Hayden Christensen, "Shattered Glass - Verdade ou Mentira" conta com as sólidas prestações de Peter Saasgard (o complexo e enigmático editor Chuck Lane, uma das melhores e mais elogiadas interpretações do filme), Chloe Sevigny, Steve Zahn ou Rosario Dawson, que compõem um prestigiado e convincente núcleo de actores.
O filme de Billy Ray possui, no entanto, algumas limitações, uma vez que nunca analisa a fundo a vida privada de Stephen Glass e as suas relações com a família e amigos, deixando o espectador pouco esclarecido quanto aos factores que orientam a sua conduta, escolhas e personalidade. As restantes personagens do elenco (excepto o editor) carecem também de alguma profundidade, e o filme poderia ser um pouco mais longo para trabalhar e complexificar alguns destes factores.
Ainda assim, "Shattered Glass - Verdade ou Mentira" constitui uma interessante, absorvente e estimulante experiência cinematográfica que alia o entretenimento à exploração de temáticas centrais das sociedades contemporâneas.
E O VEREDICTO É: 3.5/5 - BOM

5...4...3...2...1... IT`S ALIIIIVE!!!! IT`S ALIVE!!!

Ok, foi preciso uma noite de insónias (mais uma, tenho de ver se consigo sobreviver sem os horários descoordenados...) para finalmente decidir fazer a cerimónia de inauguração do meu blog. Como é difícil encontrar potenciais convidados numa quinta-feira às 3 da manhã (já é sexta, então...), lá terei de cortar a fitinha sozinho...Por enquanto não posso indicar muitos spoilers do que estará para vir porque o projecto ainda não se encontra propriamente bem definido (e será sempre um work in progress, por isso aceitam-se sugestões!!), mas entre os temas focados tentarei incluir cinema, música, literatura e, eventualmente, aspectos da minha vida tão banal e prosaica...Enfim, que eu seja bem-vindo e vocês também...

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