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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

RESPONDAM E PERGUNTEM...

A: First, recommend to me:

1. a movie

2. a book

3. a musical artist, song, or album

4. a personality / thinker / artist / achiever / talent / remarkable creature

B: I want everyone who reads this to ask me three questions, no more, no less. Ask me anything you want

C: Then I want you to go to your journal, copy and paste this allowing your friends to ask you anything

Estas foram as minhas respostas e perguntas ao davidlynch:

A.

1. "Estranhos Prazeres" (Strange Days), de Katryn Bigelow

2. "Alta Fidelidade", de Nick Hornby

3. Porque não as 3 opções? Elliot Smith; "Be There" dos Unkle; "Garbage" dos Garbage

4. A equipa do Gato Fedorento

B.

Britney ou Aguilera?

"Sete Palmos de Terra" ou "Os Sopranos"?

Blur ou Oasis?

C. Vá, façam o mesmo, não custa muito ;)

ANTI-PAI NATAL?

A julgar pelo número de compras de Natal que (não) fiz, é isso que devo ser...Mas acho que vou ter de ceder um pouco à lógica consumista, até porque este mês recebi finalmente o meu primeiro ordenado :D e, por isso, não tenho desculpas para não me deixar envolver pelo "espírito natalício"...
O título deste post foi "roubado" a um dos filmes mais prometedores que chegará ainda este ano a salas de cinema nacionais (mas não garanto, porque já foi adiado pelo menos uma vez), a par de "À Procura da Terra do Nunca" e "A Porta no Chão".
"Bad Santa - O Anti-Pai Natal", com Billy Bob Thornton, é a mais recente obra de Terry Zwigoff, o realizador de "Ghost World - Mundo Fantasma". Como ainda não vi o novo filme do cineasta, recordo o antecessor no post abaixo. E, enquanto não faço a lista de melhores filmes de 2004, sugiro que (re)descubram esse, que foi um dos meus favoritos de 2002...

OS INADAPTADOS

Um daqueles filmes que passou injustamente despercebido em 2002, "Ghost World - Mundo Fantasma" destacou-se, contudo, como um dos mais surpreendentes desse ano, tornando-se instantaneamente numa obra de culto. Embora seja um filme norte-americano sobre adolescentes, não cai no caminho mais óbvio e convencional das piadas fáceis e referências a sexo de 2 em 2 minutos, recusando igualmente personagens baseadas em estafados clichés.


Adaptando para a sétima arte a obra de banda-desenhada homónima de Daniel Clowes - um dos mais estimáveis autores underground norte-americanos -, Terry Zwigoff apresenta um filme que diverge em tudo da lógica dos tradicionais comics de super-heróis que têm marcado grande parte da produção cinematográfica recente made in USA. Aqui não há efeitos especiais impressionantes nem intrépidos protagonistas, mas um universo minimalista povoado por gente normal que vive um quotidiano melancólico e pouco reluzente. Assim, foca-se aqui a alienação, o consumismo ou as (sub)culturas urbanas vistas pela óptica de duas adolescentes desalinhadas.


Enid (Thora Birch, de “Beleza Americana”) é uma jovem inteligente e criativa que, ao terminar o liceu, questiona quais as perspectivas para o seu futuro e os rumos a seguir numa nova fase da sua vida. Acompanhada pela sua melhor (e única?) amiga Rebecca (Scarlett Johansson, antes do boom de "Lost in Translation - O Amor é um Lugar Estranho"), Enid vive um tenso processo de crescimento onde a chegada da idade adulta está cada vez mais próxima, trazendo uma carga de responsabilidades e escolhas que devem ser feitas. As duas amigas, quase sempre afastadas dos colegas, nunca estiveram muito interessadas em integrar-se, mas pela primeira vez apercebem-se de que talvez devam - ou terão de - fazê-lo. Valerá a pena? E qual o preço a pagar pela integração?

Terry Zwigoff combina eficazmente drama e comédia, tornando "Ghost World - Mundo Fantasma" numa obra que segue a melhor tradição das dramedies características de domínios do cinema "indie". Irónico e sarcástico sem deixar de ser genuíno e emotivo, o filme é um intenso retrato da realidade mundana e monótona dos subúrbios, onde jovens outcasts isolados lidam com o desencanto de ambientes vincados pela inércia. A espaços, surge por aqui o humor ácido próximo da série de animação "Daria", da MTV, embora a película de Zwigoff seja mais profunda e intimista.


O ritmo da narrativa é, por vezes, demasiado lento e arrastado, mas acompanha bem os cenários de monotonia e tédio que envolvem as personagens, dotando o filme de um realismo simultaneamente envolvente e claustrofóbico. "Ghost World - Mundo Fantasma" é um incomum olhar sobre os nerds e os falhados que, apesar do seu potencial, acabam por ser sempre ignorados ou desprezados e, por isso, são quase invisíveis, como fantasmas. Com uma vida social quase nula, tornam-se gradualmente incapazes de estabelecer laços e relações com os que os rodeiam, habitando áridas esferas de solidão. Enid, mais do que Rebecca, incorpora esses elementos, e quando tenta aproximar-se de alguém apercebe-se de que é usada e magoada.


Um dos mais entusiasmantes e memoráveis filmes norte-americanos recentes, "Ghost World - Mundo Fantasma" é uma discreta pérola que expõe com sensibilidade e alguma crueza a vertente angustiante, dolorosa e solitária do processo de crescimento, juntando-se a títulos igualmente recomendáveis como "Donnie Darko" de Richard Kelly, "L.I.E." de Michael Cuesta, "Elephant" de Gus Van Sant ou "SubUrbia", de Richard Linklater.

E O VEREDICTO É: 4/5 - MUITO BOM

O MÚSICO QUE VEIO DO FRIO

Conquistando alguns admiradores com os álbuns "Whiskey" (1996) e "Tatoo" (1998) e alargando o leque de fãs com "Poison" (2000) e "Antenna" (2002), o sueco Jay Jay Johanson apresentou algumas das suas canções mais emblemáticas no passado dia 17 ao público da Aula Magna, em Lisboa.


Promovendo o seu lançamento mais recente, a compilação "Prologue", o músico fez uma revisão da sua carreira num concerto que mesclou referências do trip-hop, electro, pop ou jazz, sonoridades incontornáveis na sua discografia. Iniciando a noite com um dos seus temas mais carismáticos, "So Tell the Girls That I Am Back in Town", Jay Jay Johanson ofereceu um cardápio musical que oscilou entre a postura introspectiva e discreta característica dos seus primeiros álbuns e a vertente mais dinâmica, com consideráveis cargas electro, dos seus registos mais recentes ("Antenna", sobretudo).


Para além da componente sonora, o espectáculo contou ainda com um cuidado trabalho visual onde se evidenciou um interessante trabalho de iluminação e as curiosas imagens que eram exibidas no ecrã do palco (com destaque para as fotos marcantes de David Bowie, Daft Punk, Kiss ou Aphex Twin, entre muitas outras figuras da cultura pop).

Embora tenha sido prejudicado por problemas de som a espaços, o concerto foi competente e profissional, ainda que um pouco frio e distante. Não é que o cantor não tenha sido afável com o público, mas algumas canções não contaram com grandes doses de alma e entrega, tornando a actuação correcta e funcional mas incapaz de gerar grande empatia. Terá sido culpa da considerável carga electrónica que revestiu a maioria dos temas, como um espectador sugeriu? Talvez, já que certas canções mais antigas do músico não precisavam de operações de reactualização digital para sobreviverem (o tema que encerrou o concerto, "I`m Older Now", passava bem sem as manobras de cosmética electropop que o revestiram).


Contudo, a maior parte do público da Aula Magna aderiu às canções do cantor e da sua banda e aplaudiu entusiasticamente canções como a sóbria "Believe in Us" (um dos melhores momentos de "Poison"), "She`s Mine But I`m Not Hers" (acompanhada por um vídeo baseado no jogo "Scrabble"), a enérgica "On the Radio" (um dos temas mais populares de "Antenna") ou uma versão mais dançável de "Automatic Lover", a cargo do DJ, que não destoaria numa rave.


Para além da revisão de episódios fulcrais da sua discografia, Jay Jay Johanson apresentou ainda composições inéditas, como as bem-recebidas "Rush" ou "Tomorrow", carregadas de atmosferas melancólicas e incluídas no próximo álbum do cantor, que deverá ser editado em 2005. "Suddenly", mais um inédito, foi outro grande momento, não muito distante dos ambientes hipnóticos de "Two Fingers", a excelente canção que o cantor gravou com o projecto Bang Bang mas que, infelizmente, não constou no alinhamento da noite.


No final de quase duas horas de concerto, o crooner voltou ao palco, não para interpretar mais um ou dois temas, mas para agradecer ao público e prometer o regresso em breve, finalizando um espectáculo por vezes morno mas globalmente eficaz e sofisticado.

E O VEREDICTO É: 3/5 - BOM