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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

X-CELLENT MOVIES

Enquanto não coloco a minha lista de melhores filmes de 2004, deixo aqui o TOP 10 de 2003, cujas obras não são menos recomendáveis. Não é uma lista definitiva, mas dentro do que vi foi, para mim, o melhor do ano...Enjoy...

CINEMA - TOP 10 2003

1- "Cidade de Deus", de Fernando Meirelles - um brutal drama e um dos melhores filmes do cinema brasileiro recente;

2- "X-Men 2" (X2), de Brian Singer - superior à primeira adaptação, congrega a inventividade das aventuras dos comics, bons actores e sofisticados (e controlados) efeitos especiais;

3- "A Última Hora" (The 25th Hour), de Spike Lee - depois do excelente "Verão Escaldante" (Summer of Sam), Spike Lee surpreendeu com um intenso drama urbano em torno de ecos do 11 de Setembro;

4- "L.I.E. - Sem Saída", de Michael Cuesta - uma soberba primeira obra indie e um realista e emotivo retrato da adolescência e da pedofilia, sem moralismos;

5- "As Regras da Atracção" (The Rules of Attraction), de Roger Avary - mais estilo que substância? talvez, mas a sua efervescência é aliciante;

6- "Sonhos Desfeitos" (Moonlight Mile), de Brad Silberling - mais uma história sobre o crescimento abrilhantada por Jake "Donnie Darko" Gyllenhaal num filme injustamente esquecido;

7- "Adeus Lenine!" (Goodbye Lenin!), de Wolfgang Becker - um original e memorável contraste entre o passado e o presente com uma inesquecível banda-sonora de Yann Tiersen;

8- "28 Dias Depois" (28 Days Later), de Danny Boyle - o realizador do seminal "Trainspotting" comprova que consegue convencer em múltiplos géneros cinematográficos;

9- "Elephant", de Gus Van Sant - nunca um liceu foi filmado desta forma, nunca ser adolescente foi tão complexo;

10- "Inadaptado" (Adaptation), de Spike Jonze - esquizofrénico, experimental e imprevisível, faz "despertar a mente"

VERSION 2.O

O vibrante - e excelente - single "Slow Hands" intensificou o apetite pelo novo registo de originais dos Interpol, cujo primeiro álbum, "Turn on the Bright Lights", encantou e seduziu muita gente que viu na banda nova-iorquina ecos dos saudosos Joy Division, entre outras referências da melhor new-wave e pós-punk.


Dois anos depois da estreia, "Antics" oferece mais um sólido conjunto de canções contaminadas por um rock melancólico, de tons acinzentados e por vezes ásperos, mas que conseguem preservar uma emotividade peculiar que tornou a banda num projecto a seguir com atenção.


A sonoridade nostálgica persiste, embora os temas não soem a composições datadas mas a exemplos de como condensar no presente as mais recomendáveis marcas do passado. Talvez menos denso do que o registo de estreia, "Antics" chega a proporcionar alguns momentos quase dançáveis, ainda que a vertente soturna e nebulosa domine a maioria das atmosferas.

Se "Turn on the Bright Lights" era um disco que envolvia e hipnotizava, gerando uma aura negra e quase claustrofóbica a espaços, "Antics" nem sempre consegue produzir o mesmo efeito agradavelmente desconcertante. Há aqui canções à altura da intensidade de "Stella Was a Diver and She Was Always Down", "Obstacle 1" ou "Roland", temas que marcaram o primeiro álbum, mas não surgem tão frequentemente como se esperaria.


"Next Exit", a faixa de abertura, não é a mais convidativa e intrigante, por isso o verdadeiro início só ocorre com a soberba "Evil" (um convincente single), prolongando a óptima forma nos momentos seguintes: "Narc", "Take You on a Cruise" e "Slow Hands" (um dos pilares do álbum). O resto do disco é inconstante e globalmente inferior a este conjunto de composições inicial, alternando entre o mediano e o bom.


"Antics" representa um regresso interessante, por vezes muito inspirado, mas como um todo é algo desequilibrado. Algumas faixas parecem mais lados-B de "Turn on the Bright Lights" do que propriamente material inédito, exibindo um certo sabor a mais do mesmo, embora sejam compensadas por outras de recorte superior.


Apesar de desigual, o segundo álbum dos Interpol tem méritos suficientes para figurar entre as boas surpresas musicais de 2004, comprovando a vitalidade de uma banda que, espera-se, ainda tem muito para oferecer.

E é, também, mais um disco a juntar aos registos de grupos da escola indie que têm entusiasmado recentemente ao resgatar as melhores influências de um passado não muito longínquo (início dos anos 80, sobretudo), como os Franz Ferdinand, Yeah Yeah Yeahs, Radio 4, The Killers, !!!, TV on the Radio ou The Faint.

E O VEREDICTO É: 3/5 - BOM

UMA VIDA MENOS NORMAL

Com o sucesso das adaptações cinematográficas de "Homem-Aranha", "X-Men" ou "Hellboy", entre outros, os heróis dos comics norte-americanos destacam-se como uma clara fonte de inspiração recente para experiências no grande ecrã.

Como acontece com todos os fenómenos sobre-explorados, há o perigo do formato apresentar títulos desinspirados e redundantes - como o anémico "Catwoman", mal acolhido pela crítica e pelo público - ou de gerar obras que o parodiam ou reciclam, como a nova obra de animação da Pixar, "The Incredibles - Os Super-Heróis".

Os estúdios que criaram filmes carismáticos como "Toy Story" ou "À Procura de Nemo" (Finding Nemo) proporcionam agora uma película que aposta não no universo dos brinquedos ou em mundos aquáticos mas antes nas aventuras de uma família de super-heróis.


Ser um super-herói pressupõe que, para além de surpreendentes poderes e habilidades, tenha de se lidar também com alguma angústia existencial devido ao desvio da normalidade. Por isso, Mr. e Mrs. Incredible, paladinos reformados, optam por viver uma vida que segue os hábitos e rotinas de uma vulgar família americana dos subúrbios. Essa tentativa de normalidade obriga a que os seus peculiares dons sejam pouco utilizados, atitude que o casal tenta incutir aos seus filhos, também eles superpoderosos. O problema é que a experiência quotidiana é pouco entusiasmante e demasiado previsível, cinzenta e formatada. Mr. Incredible, sobretudo, tenta ultrapassar o frustrante dia-a-dia encurralado numa agência de seguros, cujas normas de conduta são contraditórias com os ideais que o ex-super-herói defende. No entanto, inesperados acontecimentos irão despoletar o regresso à glória de tempos passados, quando um novo super-vilão coloca em perigo a aparente atmosfera de paz e tranquilidade.

Amálgama da acção de James Bond com personagens inspiradas em super-heróis como os X-Men ou o Quarteto Fantástico, a nova película de Brad Bird introduz mais uma curiosa família disfuncional para colocar ao lado de outros exemplos da animação recente, como "The Simpsons" ou "Family Guy" (com as quais partilha um humor que possibilita múltiplas leituras e agrada a várias faixas etárias).

O fascínio do realizador por heróis da BD era já visível no seu filme anterior, "O Gigante de Ferro" (The Iron Giant), repleto de homenagens explícitas a personagens como o Super-Homem ou The Spirit. A sua obra possui múltiplas piscadelas de olho a referências da Era Dourada, o que torna "The Incredibles - Os Super Heróis" numa película que, apesar de recorrer a modernas e sofisticadas técnicas de animação digital, contém uma estrutura narrativa enraizada nos modelos clássicos do filme de aventuras.


Embora o resultado seja quase sempre minimamente imaginativo a nível visual, este novo trabalho da Pixar possui um argumento não muito inovador quando comparado aos emblemáticos exemplos de sucesso destes estúdios. De facto, a acção desta aventura segue (muito) de perto a linha de incontáveis histórias de super-heróis já vistas tanto no cinema como, sobretudo, na BD, não apresentando nada de novo. Claro que há bons momentos de criatividade, mas esta revela-se maioritariamente nas impressionantes imagens, com texturas e movimentos muito bem elaborados.

As personagens, ainda que divertidas, não são especialmente cativantes e carecem de maior desenvolvimento (exceptuando Mr. Incredible), tornando-se demasiado caricaturais (o caso mais óbvio é o estereotipado super-vilão). O ritmo também nem sempre é envolvente, algo pouco recomendável num filme de acção, e o filme é um daqueles casos com mais estilo do que substância ("O Gigante de Ferro", desprovido de tanta pompa e circunstância, era bem mais emotivo e caloroso).


Apesar do epíteto de obra-prima ser exagerado, "The Incredibles - Os Super-Heróis" está longe se ser um mau filme e funciona como um inteligente entretenimento para toda a família, exibindo algumas sequências realmente "incríveis". É pena que contenha mais episódios fulgurantes a nível visual do que personagens e situações que permitam uma empatia mais forte e memorável, tornando-se numa experiência cinematográfica que vale a pena conhecer mas não necessariamente revisitar.

E O VEREDICTO É: 3/5 - BOM

VERSION 2.0 05

2004 já era...Para alguns ficará mais marcado pelas eleições americanas, para outros pelo estado (ainda mais) conturbado do contexto político português, pelo Rock in Rio (mesmo com cartaz fracote), pelo Euro 2004 e respectiva febre da bandeira nacional, pela estreia de Madonna em Portugal, pelo Barco do Aborto ou por diversos acontecimentos trágicos, como os episódios de Beslan, do 11 de Março ou, mais recentemente, do maremoto na Ásia (que comprova que a alvorada de um novo ano não é, infelizmente, reluzente para todos). "O Código Da Vinci", "Fahrenheit 9/11" e "A Paixão de Cristo" ficam também, para o bem e para o mal, como referências incontornáveis (não necessariamente recomendáveis...).
Para mim, o ano acabou de forma festiva ao som de música dos anos 80 - entre a boa e a muito má, como as memórias, por onde passaram Duran Duran, Táxi, Doce ou os Europe com "The Final Countdown" (pois...) - e de r&b e hip hop, que se tornaram cada vez mais omnipresentes em 2004. E, claro, houve mesmo algum zapping pela famigerada "Quinta das Celebridades" (candidata a memória mais efémera do ano), que apesar de tudo sempre serve como desbloqueador de conversa...
Bem-vindos a 2005. Apreciem a viagem...

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