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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

FILMSPOTTING: ANDRÉ TECHINÉ

Começou ontem o ciclo do cinema King dedicado a um dos mais marcantes nomes da cinematografia francesa contemporânea, André Techiné. Uma oportunidade única para (re)descobrir os filmes mais recentes do realizador, entre 7 e 20 de Abril.

“Os Tempos que Mudam” estreou há semanas em várias salas do país, e agora o King proporciona a oportunidade para os espectadores (re)descobrirem alguns dos títulos mais recentes do realizador. Fui à sessão de ontem e vi "Não Dou Beijos" (crítica no post abaixo), uma boa surpresa, mas recomendo especialmente este:

A programação é a seguinte, com sessões às 14h, 16h30m, 19h e 21h30m:

Quinta 7/ Quinta 14 "Não Dou Beijos"

Sexta 8/ Sexta 15 " A Minha Estação Preferida"

Sábado 9/ Sábado 16 "Os Juncos Silvestres"

Domingo 10/ Domingo 17 "Os Ladrões"

Segunda 11/ Segunda 18 "Alice e Martin"

Terça 12/ Terça 19 "Longe"

Quarta 13/ Quarta 20 "Os Fugitivos"

Cinema King: Av. Frei Miguel Contreiras, 52A Lisboa

Preço dos bilhetes: 3,80 €

A VIDA DESTE RAPAZ

Pierre (Manuel Blanc) é um jovem francês de um meio rural que viaja para Paris em busca de uma vida mais profícua e entusiasmante, tentando fugir às escassas expectativas que a sua terra natal lhe proporciona. Idealista e algo ingénuo, chega à capital de França sem nenhum plano definido, limitando-se a seguir os desígnios do acaso e as oportunidades que lhe surgem naturalmente.

No entanto, Pierre rapidamente percebe que a experiência urbana por que tanto ansiava não se revela assim tão promissora, e múltiplas dificuldades começam a surgir, tornando a sua subsistência cada vez mais conturbada. Embora tivesse o sonho de se tornar actor, o jovem é confrontado com uma cruel e complexa realidade que torna a sua ambição numa miragem, sendo forçado a aceitar empregos precários para sobreviver.

Em “Não Dou Beijos” (J’ Embrasse Pas), André Techiné narra assim uma amarga estória sobre a perda da inocência e os últimos dias da adolescência, apresentando os inúmeros desafios, contrastes e complexidades que marcam a chegada à idade adulta.

Neste denso estudo de personagem, o cineasta foca uma abrupta espiral descendente onde um jovem entra no mundo da prostituição quando se depara com a inexistência de outras alternativas viáveis. Pelo seu caminho, passam uma neurótica mulher mais velha, um homossexual de meia-idade e uma jovem prostituta (ironicamente inatingível) por quem Pierre se apaixona (e terá que lidar com as penosas consequências).

Estas inéditas e imprevistas relações geram uma dolorosa dilaceração emocional no protagonista, lançando-o numa esfera de individualismo, desespero, pânico e alienação, obrigando-o a enfrentar o mundo sozinho pela primeira vez.

Apesar de conter uma narrativa com quebras de ritmo e de demorar demasiado tempo a arrancar, “Não Dou Beijos” é, ainda assim, um dos melhores filmes que Techiné assinou na década de 90 (data de 1991), bem mais absorvente do que títulos algo indistintos como “Longe” ou “Alice e Martin”.

Ao contrário do que sucede em obras como “Os Tempos que Mudam”, aqui o cineasta não se perde em múltiplas personagens, debruçando-se sobre o protagonista e oferecendo um retrato credível, profundo e tridimensional deste.

A realização possui as cargas necessárias de realismo e secura, despoletando uma intrigante aura soturna e negra, e a direcção de actores revela-se igualmente acertada (em particular pela escolha de Philippe Noiret, Emmanuelle Béart e, sobretudo, do exímio Manuel Blanc, que apresenta uma surpreendente transfiguração).

“Não Dou Beijos” está um pouco abaixo de “Os Juncos Silvestres”, a referência incontornável de Techiné nos anos 90, mas, tal como esse emblemático filme, contém uma fulgurante reflexão sobre o crescimento, as orientações sexuais, os laços familiares e a identidade, tornando-se numa película a reter.

E O VEREDICTO É: 3/5 - BOM

20 ANOS A OUVIR RÁDIO

Integrado no ciclo "For U Music", o concerto dos Rádio Macau a decorrer amanhã no Fórum Lisboa assinala a comemoração do vigésimo aniversário da emblemática banda de pop-rock.

Estão prometidos temas inéditos do novo álbum em preparação e espera-se a interpretação de canções de “Acordar” ou “Onde o Tempo Faz a Curva”, os seus discos mais recentes, para além de hinos clássicos como “O Anzol”. Eu lá estarei, às 22 horas :D