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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

A SURPRESA NÃO MORA AQUI

O cinema norte-americano não tem conseguido apresentar, nos últimos anos, nada de muito interessante dentro do género do terror, limitando-se a produzir dispensáveis adaptações de filmes orientais ou a repetir fórmulas mais do que estafadas.

"A Chave" (The Skeleton Key), que combina elementos de terror, fantástico e thriller, é uma dessas propostas recentes que, embora até tenha um ponto de partida curioso, acaba por não convencer.

Caroline, uma jovem enfermeira do sul dos EUA, vai trabalhar para uma velha mansão nos arredores de Nova Orleães, ajudando uma idosa a cuidar do seu marido, que está praticamente imobilizado e sem muitas faculdades.
Contudo, aos poucos a protagonista apercebe-se que a casa esconde alguns mistérios e inicia uma série de investigações na tentativa e os resolver, deparando-se com revelações que envolvem ligações entre a mansão e o hoodoo (um ritual próximo do voodoo), e para encontrar mais respostas recorre a uma chave que abre quase todas as portas da sua residência temporária.

Apesar de ser mais um filme sobre mansões assombradas, "A Chave" possui a espaços uma intrigante vibração devido às atmosferas de traços southern gothic, que parecem sugerir que a película percorrerá territórios estimulantes e surpreendentes.
Contudo, isso não chega a acontecer, pois o filme limita-se a seguir uma previsível rotina e não proporciona muitos momentos capazes de tirar o fôlego ao espectador.

"A Chave" contém um bom elenco - com Kate Hudson, Gena Rowlands, Peter Sarsgaard ou John Hurt -, uma fotografia apropriada, um ritmo escorreito e um competente trabalho de realização.
No entanto, apesar desses bons condimentos, o filme não vai a lado nenhum, pois não possui um argumento especialmente cativante e chega a tornar-se ridículo nos momentos finais (com um twist que surpreende mas não pelos melhores motivos).

Ian Softley é um cineasta ecléctico - a sua filmografia inclui "Hackers", obra de culto com uma jovem Angelina Jolie; uma indistinta adaptação de "Wings of the Dove", de Henry James; ou "K-Pax", aposta na ficção científica - mas não muito criativo, e aqui oferece um filme que, mesmo não ofendendo ninguém, dificilmente se diferencia de tantos outros exemplos do género.

"A Chave" não chega a bater no fundo, mas é das obras mais insípidas de 2005, uma experiência cinematográfica formatada que facilmente se dilui da mente do espectador poucos minutos após o seu visionamento. Podia ser pior, é certo, mas alguém precisa de mais um filme descartável?

E O VEREDICTO É: 1,5/5 - DISPENSÁVEL

THE GOOD GIRL

Depois de uma estreia interessante com "Tidal" (1996) e da confirmação em "When the Pawn..." (1999), Fiona Apple está prestes a editar o seu terceiro álbum, "Extraordinary Machine", que deverá sair em Outubro. Infelizmente, quase esteve para não ser lançado, uma vez que a editora Sony achava que não tinha grande potencial no mercado, mas afinal parece que o disco vai mesmo chegar às lojas em breve.

Entretanto, as novas canções da cantora/ compositora já circulam pela net, como é o caso de "Parting Gift" (que não me entusiasmou muito) e "O' Sailor" (muito boa, merece algumas audições). Por aqui espera-se um bom disco, já que a Fiona ainda não desiludiu. Tirem as vossas próprias conclusões...

A LESTE DO PARAÍSO

A estreia de um novo filme de Michael Bay está longe de ser um acontecimento relevante, pelo menos para quem procura num filme mais do que uma série de sequências de acção repetitivas e exageradas, aliadas a personagens caricaturais e a uma básica construção da narrativa.

Por isso, “A Ilha” (The Island), o mais recente título do realizador norte-americano, não apresentava, à partida, muitos atributos que o distinguissem de obras anteriores, seguindo os moldes de um blockbuster pronto-a-servir.
De resto, o facto de ter sido mal recebido internacionalmente por grande parte do público (que sempre aderiu mais aos filmes de Bay do que a crítica) sugeria que a fórmula usada pelo realizador estava à beira do esgotamento e nem conseguia assegurar um entretenimento competente.

Mas, como por vezes a realidade é mais estranha do que a ficção, até uma película de Michael Bay pode revelar-se surpreendente e interessante, uma vez que “A Ilha”, não sendo um título especialmente inovador, consegue ser uma refrescante proposta de ficção científica, ainda que contaminada com consideráveis – e a espaços excessivas – doses de acção frenética.

Centrado numa sociedade futurista, o filme assenta em dois habitantes de um complexo que protege aqueles que resistiram a uma suposta contaminação que dizimou grande parte da humanidade.
Lincoln Six Echo e Jordan Two Delta, à semelhança dos seus companheiros, vivem um quotidiano rotineiro e pacato onde o único elemento encorajador é a hipótese de, um dia, conseguirem ganhar um sorteio que lhes permitirá viajar para a Ilha, um pequeno paraíso e o único local que escapou à devastadora contaminação.

Contudo, aos poucos, Lincoln começa a questionar os fundamentos e propósitos do sistema ultra-regulado e organizado que o acolhe, procurando respostas que o levam a descobrir que, afinal, a atmosfera aparentemente pacífica em que se insere é parte de um projecto sinistro e assustador.
Quando se apercebe que a convidativa Ilha é apenas um instrumento manipulação dos habitantes do complexo, Lincoln decide escapar, juntamente com Jordan, ao sistema que os enclausura, mas essa atitude torna-os em alvos abater e origina uma vertiginosa rede de perseguições e ataques.

Combinando múltiplas influências de obras de ficção científica – há paralelismos com “Matrix”, “1984”, “Equilibrium”, “A Praia”, “Relatório Minoritário” ou até “A Vila”, entre outras – “A Ilha” não é um filme revolucionário, mas é um blockbuster com mais ideias do que seria de esperar, sobretudo vindo de alguém que gerou películas tão inócuas como “Armaggedon” ou “Pearl Harbour”.

Os primeiros 30/45 minutos são especialmente atípicos quando comparados com as restantes obras de Bay, uma vez que não apresentam o habitual concentrado de pirotecnia mas antes uma promissora introdução a uma intrigante sociedade futurista. Envolventes, embora frios e estilizados, os ambientes oferecem alguns criativos prodígios visuais, recorrendo a um design sofisticado, e até há espaço para seguir o percurso de dois protagonistas interessantes.

É certo que, depois dessa fase, o filme se torna um pouco irregular, oferecendo as esperadas sequências de fugas, tiroteios e explosões que Bay filma de forma algo exibicionista e apressada, mas ainda assim o argumento é suficientemente sólido para que esses episódios mais esquemáticos sejam tolerados.

As interpretações de Ewan McGregor e Scarlett Johansson também contribuem para que “A Ilha” resulte, e mesmo que este não seja um tipo de projecto em que os actores apostem regularmente o balanço é bastante positivo, uma vez que a dupla ajuda a que o espectador se preocupe com o destino dos protagonistas (ainda que não sejam personagens particularmente complexas).

Aliando o entretenimento à exploração de temáticas científicas e éticas actuais, “A Ilha” é mais bem sucedido no primeiro aspecto do que no segundo, mas tem mais substrato do que a maior parte dos títulos género que têm surgido ultimamente, impondo-se como um recomendável filme de acção.
Para além se ser a melhor obra de Michael Bay (o que quer dizer muito pouco já que as restantes são dispensáveis, mas pelo menos esta não contém a vergonhosa manipulação emocional) é um dos mais estimulantes blockbusters do Verão de 2005. Sim, ninguém diria, mas finalmente Michael Bay fez um bom filme, por isso “A Ilha” merece ser visto sem preconceitos.

E O VEREDICTO É: 3,5/5 - BOM

OUTRO NÍVEL

Na passada quarta-feira, depois de já ter visto os Blind Zero, voltei às festas de Corroios para espreitar o concerto dos Da Weasel. Embora tenha começado com uma hora de atraso, valeu a pena, e a banda voltou a demonstrar que, apesar de uma discografia recomendável, o palco é o seu verdadeiro território.

O público aderiu em massa e o grupo esteve à altura do notório entusiasmo geral, especialmente PacMan, dinâmico q.b., e Virgul, responsável por alguns interlúdios portentosos. O alinhamento também foi coeso, alternando momentos fortes do álbum mais recente, o muito bem sucedido "Re-Definições", e canções emblemáticas de registos anteriores, como "Todagente", "Outro Nível", "Tás na Boa", "O Puro", "Dúia" ou "(No Princípio era) O Verbo" (a minha personal favorite da noite). Venham mais...