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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

ROCK ON!

Após uma interessante estreia com "Pretty on the Inside", em 1991, e um soberbo segundo álbum, "Live Through This", em 1994, os Hole apresentaram, em 1998, mais um sólido e convincente disco, "Celebrity Skin".

Expondo uma sonoridade mais reluzente e polida do que os trabalhos antecessores - que evidenciavam consideráveis traços grunge, metal, rock e uma postura riot grrrl -, o terceiro registo de originais dos Hole proporciona doze canções que, apesar de mais acessíveis e poppy, não deixam de conter a força e fascínio habituais da banda.

Courtney Love pode não ser uma das figuras públicas mais afáveis e moderadas, mas enquanto vocalista e compositora exibe aqui um considerável carisma e pujança, esculpindo um conjunto de temas vibrantes cantados com notória entrega e empenho.
Os restantes elementos da banda são igualmente seguros, desde o soberbo guitarrista Eric Erlandson até às eficazes Melissa Auf Der Maur (que integrou depois os Smashing Pumpkins e iniciou uma carreira a solo), no baixo, e Patty Schemel, na bateria.

Embora sejam mais solarengas do que as da fase anterior dos Hole, as canções de "Celebrity Skin" possuem ainda substância e intensidade, focando questões como a fama, a indústria musical, o papel da mulher na sociedade e, claro, a sempre presente temática do amor, incontornável em qualquer disco de rock.

Entre abrasivas descargas de energia como "Playing Your Song" ou "Reasons to be Beautiful" (não muito distantes das atmosferas de "Live Through This"), envolventes e belíssimas baladas como "Petals" ou "Dying", exemplos de pop cristalina como "Malibu" e "Heaven Tonight", não esquecendo o efervescente single que dá nome ao álbum, "Celebrity Skin" evidencia uma banda coesa e destaca-se como um contagiante concentrado de rock.

A contribuição de Billy Corgan na composição de cinco canções, os sempre excelentes arranjos de cordas de Craig Armstrong e a irrepreensível produção de Michael Beinhorn contribuem também para que o nível qualitativo do disco seja ainda mais elevado.

Infelizmente, "Celebrity Skin" foi o último trabalho da banda, pois em 2002 Courtney Love anunciou a sua dissolução, mas pelo menos o grupo terminou em alta, oferecendo um dos discos nucleares de 1998 e um dos melhores testemunhos do rock de finais do milénio. Recomenda-se, por isso, a sua (re)descoberta e múltiplas audições...

E O VEREDICTO É: 4,5/5 - MUITO BOM

SEXO, CANÇÕES E VÍDEO (DIGITAL)

"9 Canções" (9 Songs) chega a salas nacionais depois de alguma controvérsia internacional, uma vez que a película foca uma relação entre dois jovens carregada de música e sexo. O motivo de uma polémica considerável é, naturalmente, o segundo elemento, uma vez que muitos consideram que o mais recente filme de Michael Winterbotton mostra cenas de sexo como nunca tinham sido vistas antes num filme britânico, apostando numa forte carga explícita.

Acusado de pornográfico, banal e ofensivo segundo certos sectores da crítica e do público e defendido como uma obra corajosa e refrescante por tantos outros, "9 Canções" é daqueles títulos que dificilmente se tornam unânimes, como quase sempre ocorre com filmes que abordam o sexo de uma forma tão crua e directa.

O problema, contudo, é que nos últimos anos esse género de filmes tem surgido com uma frequência assinalável, o que pode colocar em causa a carga de novidade ou valor acrescentado do novo projecto de Winterbotton.

“Filmes-choque” devido ao teor sexual já se tornam bastante recorrentes, com resultados entre o muito bom (caso de "Os Sonhadores", de Bernardo Bertolucci"), o interessante ("Intimidade", de Patrice Chéreau, ou "Ken Park", de Larry Clark), o banal ("The Brown Bunny", de Vincent Gallo, ou "Romance", de Catherine Breillat) e o intragável ("Pola X", de Leos Carax, ou "Twentynine Palms", de Bruno Dumont).

"9 Canções" exibe, de resto, alguns pontos de contacto com "Intimidade", de Patrice Chéreau, uma vez que foca a relação de um homem e de uma mulher ambientada em Londres e que tem como principal (e único?) factor de união o sexo. Tal como Chéreau, também Winterbottom se aproxima aqui dos modelos do realismo britânico, apresentando uma forte dimensão intimista (para a qual contribui o recurso ao vídeo digital), mas também difere do filme do cineasta francês ao interligar o sexo com a música de uma forma que não se verificava em "Intimidade".

O filme de Winterbottom segue o relacionamento de dois jovens que se conhecem num concerto dos Black Rebel Motorcycle Club e mantêm depois uma ligação orientada pelo hedonismo, uma vez que a cumplicidade que partilharão é mais sexual do que emocional. As más línguas definem "9 Canções" como um mero intercalar de cenas de sexo (consideravelmente explícito) e excertos de concertos de oito bandas a que o par protagonista assiste.

De facto, o filme não proporciona muito mais do que isso, o que não seria necessariamente mau se a abordagem de Winterbottom tivesse alguma profundidade e tensão dramática. Contudo, momentos desses só surgem a espaços, uma vez que o argumento esquelético e a frágil construção de personagens não permitem que a película seja especialmente envolvente.

A forma como as canções acompanham, tematicamente, as fases da relação dos protagonistas é curiosa, e a vertente do-it-yourself do filme - com actores praticamente desconhecidos e um evidente low-budget - é apropriada para a criação de uma aura intimista, mas sem substrato dramático que acompanhe esses elementos "9 Canções" não consegue sobrepor-se à mediania e torna-se num filme falhado (apesar de tudo é, a espaços, um falhanço interessante).

É pena, porque canções excelentes como "The Last High", dos Dandy Warhols, "Jacqueline" e "Michael", dos Franz Ferdinand, ou "Love Burns", dos Black Rebel Motorcycle Club - entre outros recomendáveis temas dos The Von Bondies, Elbow, Primal Scream, Super Furry Animals e Michael Nyman - mereciam constar num filme à altura. Infelizmente não foi o caso, porque do clássico trio "sexo, drogas e rock n' roll", "9 Canções" só faz jus à última categoria. Enfim, já não se perde tudo...

E O VEREDICTO É: 2/5 - RAZOÁVEL

I'M BACK

E pronto, após este pequeno intervalo de uma semana e pouco espera-se que o blog volte agora ao ritmo habitual. Para trás ficam os dias de descanso em Portimão e Sesimbra, condimentados com praia e inércia q.b.... Amanhã regresso já ao trabalho e ao dia-a-dia lisboeta, assim como às salas de cinema (ou talvez não, porque já vi que não perdi grandes estreias neste período...).

Vão aparecendo que eu também ;)

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