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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

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LUMIÉRE: OS VENCEDORES

30 blogs participaram na 2ª edição dos Prémios Lumiére - incluindo este - e os resultados das votações já foram apurados. O excelente "O Despertar da Mente", de Michel Gondry, foi considerado o Melhor Filme da edição anterior, referente às estreias de 2004, e desta vez a escolha recaiu sobre "Million Dollar Baby - Sonhos Vencidos", de Clint Eastwood, considerado pelo júri o Melhor Filme de 2005. Enfim, não é um dos meus preferidos, mas também não o foram os vencedores da maioria das restantes categorias. Aqui fica a lista:

Melhor Filme: "Million Dollar Baby - Sonhos Vencidos"


Melhor Realizador: Clint Eastwood ("Million Dollar Baby - Sonhos Vencidos")

Melhor Actor: Javier Bardem ("Mar Adentro")

Melhor Actriz: Hilary Swank ("Million Dollar Baby - Sonhos Vencidos")

Melhor Actor Secundário: Morgan Freeman ("Million Dollar Baby - Sonhos Vencidos")

Melhor Actriz Secundária: Natalie Portman ("Perto Demais")

Melhor Argumento: "Million Dollar Baby - Sonhos Vencidos"

Melhor Montagem: "O Aviador"

Melhor Fotografia: "Million Dollar Baby - Sonhos Vencidos"

Melhor Banda Sonora: "A Noiva Cadáver"

Melhor Filme de Animação: "A Noiva Cadáver"

Revelação Masculina 2006: Zach Braff ("Garden State")

Revelação Feminina 2006: Rachel McAdams ("Red Eye")

Quando os boémios perdem a graça

Os Dandy Warhols são daquelas bandas que não se percebe se querem ser levadas a sério, assumindo frequentemente uma atitude supostamente cool, descomplexada e irreverente, mas por vezes também demasiado arty e inconsequente, postura que apresentaram ao longo de quatro discos recomendáveis (um deles, “Thirteen Tales From Urban Bohemia”, era até muito bom, e catapultou-os para um sucesso momentâneo através do mediático single "Bohemian Like You") e evidenciada no interessante documentário “DiG!”, de Ondi Timoner.

Agora, com o seu quinto álbum de originais, “Odditorium or Warlords From Mars”, é mais difícil do que nunca levar a banda a sério, pois é o seu trabalho mais desinspirado e coloca em causa uma discografia que, embora algo irregular, nunca tinha deixado de ser estimulante.
Se nos registos anteriores os Dandy Warhols já apostavam ocasionalmente em canções demasiado longas e/ ou repetitivas, aqui esses momentos não são a excepção mas o cenário habitual, tornando-se cansativos e testando a paciência dos ouvidos mais tolerantes.

Na faixa de abertura, “Colder Than the Cold Winter Was Cold”, anuncia-se, em pouco mais de um minuto e com algum sentido de humor, que este disco é um “pedaço da História”, contudo o aviso logo se revela como uma piada de mau gosto quando a primeira canção, “Love is the New Feel Awful”, envereda por territórios de um rock alternativo algo genérico que se torna enfadonho e redundante ao fim de cinco minutos, mas que infelizmente dura quase dez.

Pior, no entanto, é o último tema do disco, “A Loan Tonight”, ainda mais longo e fastidioso, que prova que o experimentalismo nem sempre gera bons resultados e é sério candidato a pior composição de sempre do grupo.
Durante o resto do álbum, o nível qualitativo não chega a descer tanto, mas se já seria desapontante enquanto conjunto de lados-b é-o ainda mais por se tratar de material inédito.
“Smoke It”, o primeiro single, é provavelmente a canção mais tipicamente Dandy Warhols, mas fica muito abaixo de singles anteriores e tão contagiantes como “Get Off”, “Everyday Should Be a Holiday” ou “The Last High”.
“The New Country” e “All the Money or the Simple Life Honey” proporcionam uma estafada mistura de country e indie rock, “Did You Make a Song With Otis” é um interlúdio dispensável e “Easy” e “There is Only This Time” são curiosos esboços de canções que não deveriam ter passado das sessões de gravação.

“Odditorium or Warlords From Mars” não chega a ser um desastre total porque os Dandy Warhols ainda oferecem aqui alguns bons momentos, casos de “Holding Me Up” e “There is Only This Time”, caracterizados por traços de psicadelismo e melodias cativantes que os aproximam dos temas de “The Dandy Warhols Come Down”; ou “Everyone is Totally Insane”, um apelativo episódio pop de tempero new wave que não destoaria no disco anterior, “Welcome to the Monkey House”.
Lamenta-se o passo em falso e desejam-se as melhoras, porque não é com álbuns deste calibre que vão ficar para a História.
E O VEREDICTO É: 2/5 - RAZOÁVEL