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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

O QUE FOI VOLTA A SER

Uma das mais recentes bandas nova-iorquinas a revisitar sonoridades pós-punk/ new-wave – à semelhança dos The Strokes ou Interpol, entre outros -, os The Bravery apresentam, no seu álbum de estreia homónimo, onze canções vincadas por um rock dançável, por vezes musculado, onde as guitarras, sintetizadores e teclados convivem com igual protagonismo.

A receita não é nova, e se já foi implementada em inícios da década de 80 tem sido reutilizada por uma série de novos grupos que reclamam influências desse período enquanto base para novas explorações musicais que, na maior parte dos casos, não deixam de exibir traços do presente.

Depeche Mode, Duran Duran, The Cure ou New Order são algumas as referências mais óbvias que emanam de “The Bravery”, em canções onde o indie rock se cruza com a electropop, mas o disco deste quinteto nova-iorquino exibe também semelhanças com as aventuras recentes dos The Faint, The Strokes ou The Killers.

O resultado é assim derivativo, mas não deixa de ser eficaz, com refrões fortes e apelativos assentes em melodias bem trabalhadas. A herança do passado manifesta-se até na voz de Sam Endicott, que tanto se aproxima da de Robert Smith como da de Simon LeBon, evidenciando ainda paralelismos com a de Julian Casablancas.

Mais imediato do que denso ou profundo, “The Bravery” perde em personalidade aquilo que ganha em sensibilidade pop, contendo uma dose de canções suficientemente enérgicas e contagiantes como o single “An Honest Mistake”, uma convidativa porta de entrada para o álbum, o envolvente “Give In” ou o igualmente portentoso “Unconditional”.
No entanto, os temas funcionam melhor isoladamente do que em conjunto, pois falta ao disco alguma heterogeneidade, o que leva a que muitas das suas canções sigam a mesma estrutura e recorram a soluções melódicas demasiado similares, expondo alguma redundância.

Não sendo uma banda particularmente inventiva, os The Bravery conseguem, contudo, proporcionar uma estreia convincente, longe da genialidade mas com alguns momentos irresistíveis. Um disco agradável, embora não muito recomendável para quem é avesso à pop mais lúdica e despretensiosa.
E O VEREDICTO É: 3/5 - BOM

Ich möchte zum Kino gehen

Começou no passado dia 1 e decorre até dia 17 no cinema King (dias 1-8) e no Goethe-Institut (dias 13-17, com entrada livre) o 3º Festival de Cinema Alemão, cujo programa inclui filmes recentes e inéditos em salas nacionais, mostrando que há películas refrescantes a descobrir para além de "Adeus Lenine!", "Os Edukadores" ou "Sophie Scholl - Os Últimos Dias", alguns dos exemplos mais mediáticos dessa cinematografia.


 

 

Se os títulos em exibição estiverem ao nível dos de dia 2, então trata-se de uma proposta bastante recomendável, uma vez que tanto "Kebab Connection" (uma divertidíssima mistura de kung fu + Romeu e Julieta + choque de culturas + drama sobre o crescimento) como "Alone" (um interessante retrato da solidão e da dilaceração emocional, ainda que não tão perturbante como o também alemão "The Forest for the Trees") foram agradáveis surpresas.


A programação completa do festival está aqui e parece promissora, assim como me parece que vou ter uma overdose cinematográfica (no bom sentido) nos próximos dias...

ESTREIA DA SEMANA: "MUNIQUE"

Nomeado para cinco Óscares (confesso que não esperava tanto destaque), "Munique" (Munich) dá continuidade à carga negra que os filmes de Spielberg têm apresentado ultimamente (basta relembrar o brutal "Guerra dos Mundos") e centra-se no ataque terrorista decorrido durante os Jogos Olímpicos de 1972, quando onze atletas israelitas foram mortos por um grupo extremista palestiniano.
Este é o ponto de partida para uma reflexão acerca de um dos conflitos mais controversos e mediáticos dos dias de hoje, e que por isso tornou o filme num objecto polémico mas certamente interessante (espero).

Outras estreias:

"Na Escuridão", de John Fawcett
"O Leopardo", de Luchino Visconti
"Rent", de Chris Columbus
"Wolf Creek", de Greg McLean

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