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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

OS BRAVOS DO PELOTÃO

A par do recente "Voo 93", de Paul Greengrass, "World Trade Center", de Oliver Stone, distingue-se por ser um filme que se debruça directamente sobre os acontecimentos trágicos do 11 de Setembro, mas enquanto que a película do realizador britânico seguia as peripécias em torno de um dos aviões desviados pelos terroristas, o de Stone incide sobre o ataque às Torres Gémeas.
Para além desta diferença na escolha das situações focadas, manifesta-se sobretudo um contraste na forma de abordagem das mesmas, pois se Greengrass opta por um estilo clínico e com uma perspectiva global dos acontecimentos, aproximando-se do docudrama, o polémico cineasta norte-americano segue um registo claramente ancorado em poucas personagens, sendo mais intimista e inesperadamente caloroso.

Baseado na história verídica de dois elementos da Polícia Portuária de Nova Iorque que, ao tentarem socorrer as vítimas dos destroços do World Trade Center, ficaram soterrados nos escombros durante horas, o filme presta um óbvio e sentido tributo às vítimas dos atentados e aos que colocaram as vidas em risco para as auxiliar

ESTREIA DA SEMANA: "WORLD TRADE CENTER"

Depois do "controverso" (que aqui deve ser entendido como um eufemismo) "Alexandre, o Grande", Oliver Stone regressa com "World Trade Center", um drama centrado (e dedicado) às vítimas dos ataques às torres no 11 de Setembro.
Seguindo sobretudo a história de dois polícias que ficam soterrados nos destroços enquanto tentam socorrer as vítimas, Stone deixa de lado a corrosão que caracteriza muita da sua obra e oferece aqui uma homenagem aos que se arriscaram em prol da sobrevivência de outros. Crítica aqui em breve.

Outras estreias:

"As Corridas Loucas de Ricky Bobby", de Adam McKay
"Desconhecido", de Meiert Avis
"O Coleccionador de Olhos", de Gregory Dark

QUERIDO DIÁRIO

Pablo é um jovem que regista no seu diário as experiências rotineiras do seu dia-a-dia, desde as idas recorrentes ao centro de saúde para lidar com a sua condição de seropositivo até às deambulações nocturnas por bares ou salas de cinema, onde vai encontrando companhias tão imprevisíveis quanto fugazes.

Com uma vida social restrita, que inclui pouco mais do que as ocasiões em que se encontra com a família (ou o que resta dela) e com o seu melhor (e único?) amigo, o protagonista de "Um Ano Sem Amor" (Un Año Sin Amor), primeira longa-metragem da argentina Anahí Berneri, adere então a reuniões vincadas por práticas S&M, o seu mais recente escape para lidar com as frustradas tentavivas de conhecer alguém que o ajude a sair de uma certa apatia existencial.
Nebulosa crónica urbana do quotidiano de um jovem adulto à deriva, o filme proporciona um olhar realista sobre a solidão e a inadaptação, tornando-se num interessante estudo de personagem. Contaminado por uma aura lacónica pontualmente interrompida por alguns momentos de humor (negro), "Um Ano Sem Amor" convence pela realização segura, onde a câmara à mão é adequada aos ambientes soturnos e emana a espaços alguma energia visual.

Embora foque questões controversas como a SIDA ou a homossexualidade, a película nunca resvala para o moralismo ou para o choque fácil, evitando julgar as suas personagens e gerando assim um drama sóbrio, sem grandes rasgos de criatividade mas uns furos acima da mera competência.

Berneri apresenta um argumento coeso, capaz de explorar eficazmemente vários aspectos da vida do protagonista de forma verosímil, e mostra também solidez na direcção de actores, com destaque para Juan Minujín no papel principal.

Desencantado mas não miserabilista, ousado sem ser estridente, "Um Ano Sem Amor" é uma boa primeira-obra, mais uma a reter entre as que o novo cinema argentino tem oferecido nos últimos anos, onde constam realizadores promissores como Albertina Carri ("Géminis") ou Santiago Amigorena ("Alguns Dias em Setembro"). À semelhança destes, convém seguir Anahí Berneri com alguma atenção, que apesar de não assinar aqui um grande filme também não deixa de evidenciar potencial.

E O VEREDICTO É: 3/5 - BOM