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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

ESTREIA DA SEMANA: "A DÁLIA NEGRA"

Estreia hoje "A Dália Negra" (The Black Dahlia), a mais recente proposta de Brian de Palma ("Carrie", "Os Intocáveis", "Mulher Fatal"). Inspirado num caso verídico, adaptado para romance por James Ellroy, o filme segue as investigações de dois polícias que tentam descobrir o que esteve na origem da morte de Betty Ann Short, uma aspirante a actriz brutalmente assassinada na década de 40.
Não sou grande admirador do realizador, mas confesso que o argumento e o elenco (Josh Hartnett, Scarlett Johansson, Aaron Eckhart, Hilary Swank) são fortes atractivos, e o trailer tem muito bom aspecto (a música dos Death in Vegas também ajuda). Crítica aqui em breve, quando acabar de ler o livro.
Outras estreias:

"Balbúrdia Na Quinta", de Steve Oedekerk
"Click", de Frank Coraci
"Transe", de Teresa Villaverde

VIVE LA FRANCE

Louis Garrel e Romain Duris, em 'Dans Paris', de Christophe Honoré

Começa hoje a sétima edição da Festa do Cinema Francês, que estará em Lisboa, no Cinema São Jorge e no Instituto Franco-Português, até dia 21 de Outubro, e marcará ainda presença em Coimbra, Faro, Porto, Almada, Évora e Funchal noutras datas.

Entre os destaques deste ano, encontram-se «La Raison du Plus Faible», de Lucas Belvaux, «Vers le Sud», de Laurent Cantet, «Dans Paris», de Christophe Honoré ou «Flandres», de Bruno Dumont. Os bilhetes custam Bilhetes a 3€00 para o público em geral e 2€50 para estudantes. Mais informações aqui.

PERSEGUIDO PELO PASSADO

Com uma filmografia com tanto de idiossincrática como de pouco consensual, Kevin Smith tem cimentado um percurso singular (e irregular) dentro de domínios do cinema independente norte-americano, apresentando filmes sempre centrados nos subúrbios de Nova Jersey que, por detrás de doses de um humor ácido e politicamente incorrecto, oferecem retratos dos dilemas colocados a uma geração que se prepara para entrar na idade adulta.

Tem sido assim desde a sua primeira longa-metragem, "Clerks" (1994), e volta a sê-lo na mais recente, "Nunca Tantos Fizeram Tão Pouco" (Clerks 2), a sequela desse modesto mas marcante filme que se tornou num dos marcos indie da década de 90.

Se por um lado cada filme do realizador tem uma série de elementos que o tornam facilmente reconhecível (com a eventual excepção de "Era Uma Vez... Um Pai", que pisa territórios mais convencionais), não é menos verdade que cada uma das suas novas propostas tende a não oferecer grandes acréscimos ao seu (micro)universo, apostando no mesmo tipo de personagens, ambientes e modelos, com melhores (o sobrevalorizado, mas sensível "Perseguindo Amy") ou piores resultados (o pretensioso e cansativo "Dogma").

"Nunca Tantos Fizeram Tão Pouco" não é excepção, com todos os defeitos e virtudes que essa formatação acaba por trazer. Mais uma vez há diálogos ora bizarros e hilariantes, ora surpreendentemente sinceros, envolventes e plausíveis, que tanto incidem em discussões sobre a cultura pop - desde as trilogias d'"0 Senhor dos Anéis" e d'"A Guerra das Estrelas" aos Transformers -, como se debruçam sobre o racismo, banalidades do quotidiano suburbano, Anne Frank e, claro, sexo, tema que oferece alguns dos momentos mais divertidos (irresistível, a sequência que alia anões à sexualidade feminina).

Ocasionais cena de gosto duvidoso aproximam o filme de exemplos de comédias sobre adolescentes não muito recomendáveis, e mesmo quando se pensa que é impossível ser mais boçal e esgrouviado Smith prova que se pode ir mais além, como numa sequência decisiva e antológica, já perto do desenlace.
Porventura pueris e excessivos, por vezes difícies de aceitar, estes momentos são já parte do estilo do realizador, e não deixa de ser ousado conciliá-los com outros vincados por uma inesperada maturidade, onde a escrita de Smith gera inspiradas reflexões sobre a complexidade das relações humanas.

"Nunca Tantos Fizeram Tão Pouco" é assim um filme desequilibrado, mas que resulta, sobretudo para aqueles minimamente familiarizados com as suas personagens, que regressam mais de dez anos depois de "Clerks", onde tudo começou. Recupera-se assim tanto a dupla de losers balconistas Dante e Randal, agora já não numa loja de conveniência mas num restaurante de fast-food, como os indescritíveis e já icónicos Jay e Silent Bob, estes últimos presenças recorrentes nas películas de Smith.
Além destas, há cameos dos habituais Ben Affleck e Jason Lee e presenças novas como o inocente e tímido Elias, um perfeito contraponto cómico para Randal, ou Becky, a gerente do restaurante que mantém uma relação ambígua com Dante e é interpretada por uma carismática Rosario Dawson.

O filme irá provavelmente agradar seguidores de Smith mas arrisca-se a não ter tanto impacto junto dos que desconhecem a sua obra, uma vez que poderão sentir-se algo descoordenados nesta película com sabor a reencontro de velhos amigos, onde de resto o novo milénio parece ainda não ter chegado, pela forma como a (sub)cultura slacker, tão anos 90, ainda se encontra presente (e não hão-de ser muitos os filmes dos dias de hoje com canções como "Misery" dos Soul Asylum ou "1979" dos Smashing Pumpkins na banda-sonora).
Mesmo assim, e apesar de Smith já não ter a frescura da estreia, "Nunca Tantos Fizeram Tão Pouco" é ainda um título a ver, situando-se uns furos acima da maioria das comédias juvenis que chegam do outro lado do Atlântico.

NOKASHIKATUKUTOARI!

Os meus parabéns ao Cine-Asia, o primeiro blog português exclusivamente dedicado ao cinema oriental, que fez ontem um ano.
E parabéns ao seu mentor, Sérgio Lopes, que me convidou para colaborar no projecto desde o início.
Passem por lá e como bónus aprendam e escrever o vosso nome em japonês (não é bem mas é parecido).

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