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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

OS MELHORES DE 2007: CONCERTOS

Num ano que pareceu querer bater os recordes de concertos por dia, os palcos portugueses acolheram muitos repetentes e estreantes - Nine Inch Nails, Interpol ou Beastie Boys, entre muitos outros -, sintoma da oferta massiva tanto em festivais como em espectáculos isolados.
Apesar de ainda ter ido a alguns festivais, com destaque para o meu primeiro Paredes de Coura, lamento ter perdido o Super Bock Super Rock, que contou com um dos melhores cartazes do ano. Mesmo assim, não me posso queixar já que vi alguns concertos de que gostei muito, o que já não ocorreu tanto em relação aos discos - mas a esses já lá vamos daqui a uns dias.
Abaixo deixo a lista dos 10 melhores, sem ordem de preferência porque os 6 primeiros estão empatados:

Bloc Party no Coliseu de Lisboa. Foto: Vera Moutinho

E por aí, que concertos de 2007 merecem ser destacados?
- The Chemical Brothers no Dance Station
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Bloc Party no Coliseu de Lisboa
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Nine Inch Nails no Coliseu de Lisboa
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Soulwax no Creamfields
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The Go! Team no Alive!
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Interpol no Coliseu de Lisboa
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Micro Audio Waves no MusicBox
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Cansei de Ser Sexy no Lux
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Patrick Wolf no Lux
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Clã na Aula Magna

Destaque, também, para os Beastie Boys e Rakes no Alive!, New Young Pony Club em Paredes de Coura ou Massive Attack no Coliseu de Lisboa. Para as semi-desilusões entram os Placebo no Creamfields e os Smashing Pumpkins no Alive!, e dos mais fraquinhos que vi lembro-me dos Babyshambles, Dinosaur Jr ou New York Dolls, todos em Paredes de Coura.

VIAGEM SONORA À NOITE LONDRINA

No ano passado, tornou-se numa das figuras de proa da música de dança ao gerar um dos discos de estreia mais aplaudidos do underground londrino, e agora desencadeia reacções igualmente entusiasmadas com o registo sucessor, "Untrue". Burial, cuja identidade permanece uma incógnita, volta a dar motivos para que haja esperança para o dubstep, subgénero que congrega reminiscências do 2step, dub e beats hip-hop, entre outros condimentos, e que tem despertado atenções em torno de nomes como Boxcutter, Skream ou Kode9.

Se no álbum anterior Burial se distinguiu destes ao apresentar traços de personalidade bem vincados, o seu sucessor reforça-os ao conceder protagonismo a vozes que complementam as complexas texturas instrumentais pelas quais o músico já se havia notabilizado. Estas vocalizações, de travo soul on acid, por vezes quase alienígenas, aumentam a estranheza das composições e tornam-nas numa apropriada banda-sonora para viagens nocturnas em ambientes urbanos, traduzindo uma aura por vezes sinuosa, ocasionalmente claustrofóbica e sempre sombria.

"Untrue" talvez não seja a pedrada no charco que muitos aqui identificam, uma vez que o que contém já foi percorrido por outros - notam-se aqui atmosferas negras próximas do trip-hop de Tricky, uma ousadia rítmica que remete para Goldie ou os primeiros passos de DJ Shadow e um espectro onírico herdeiro dos experimentalismos dos Future Sound of London.

Admita-se, no entanto, que apesar desses paralelismos Burial consegue ainda um som único, capaz de gerar episódios absorventes e inquietantes como o R&B bizarro e espacial de "Archangel", o apropriadamente intitulado "Homeless", que transpõe para a música o isolamento e solidão das grandes metrópoles, o contemplativo mas dançável "Raver", que incorpora elementos do techno minimal, ou os fantasmagóricos "Etched Headplate" e "Near Dark", este último com uma voz que repete "I can't take my eyes of you" e deixa dúvidas sobre se esta é uma canção de amor ou de obsessão.
"In McDonalds", de tom nostálgico, quase podia ser do primeiro álbum dos Bent, já "Endorphin" percorre territórios algo duvidosos quando as vozes parecem saídas de um projecto new age na linha de uns Deep Forest.

Tal como o seu autor, "Untrue" é um disco misterioso, para ir descobrindo aos poucos, conseguindo prender a atenção durante várias audições à medida que se vão descortinando novos pormenores, seja no barulho da chuva no início de uma canção, nos pequenos estalos de vinyl ou em qualquer outro efeito que parecia submerso nas intrincadas texturas mas que acaba por se evidenciar. Se é um grande álbum só o tempo o dirá, mas por enquanto vai-se revelando viciante q.b..

 


E O VEREDICTO É: 3/5 - BOM


Burial - "Ghost Hardware"