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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Love vs Hate

 

Chama-se "This Boy's in Love" e é o mais recente single para o segundo álbum dos Presets, "Apocalypso", com edição prevista para Abril. A dupla australiana parece manter, e ainda bem, o electro ríspido e sombrio do disco de estreia, "Beams" (2005), naquele que é um dos lançamentos do ano mais aguardados por estes lados.

 

O videoclip da canção oferece uma variação das lutas de mulheres na lama, mas muda o género e a substância que banha a arena. Got milk?

 

 

The Presets - "This Boy's in Love"

Pedaços de uma vida

"Os Fragmentos de Tracey" (The Tracey Fragments), do canadiano Bruce McDonald, é um filme no mínimo intrigante: recorre a um habilidoso trabalho de montagem assente em vários split screens, tem uma boa banda-sonora criada pelos Broken Social Scene, é protagonizado por Ellen Page, a nova coqueluche do cinema indie, e aborda a sempre promissora temática da adolescência e do crescimento.

 

E no entanto, é uma obra que, mesmo com todos estes elementos sedutores, acaba por não convencer, ficando refém de um argumento demasiado genérico que nem mesmo a engenhosa estrutura narrativa, ancorada em frequentes flasbacks e flashforwards, é capaz de disfarçar.

 

 

O filme segue, de forma quase exaustiva, as peripécias de Tracey, uma jovem de 15 anos à beira do colapso emocional devido ao mau ambiente familiar e escolar, que atinge o auge quando o seu irmão mais novo desaparece.

A protagonista fala muitas vezes directamente para a câmara e vai relatando os episódios que levaram a que se encontrasse num autocarro embrulhada numa cortina de chuveiro, e "Os Fragmentos de Tracey" consiste nessa viagem, entre o real e o imaginário, que mergulha nos tormentos e memórias da adolescente.

 

Percebe-se, então, a opção de Bruce McDonald em fragmentar o ecrã, apresentando diferentes planos de um mesmo cenário, usados para exprimir o estado de saturação que vai tomando conta da sua protagonista, e mesmo que essa vertente formal pareça algo gratuita nos momentos iniciais acaba por fazer sentido.

Por vezes próximas da linguagem do videoclip, a realização e montagem são os pontos fortes do filme, demonstrando um arrojo que não é tão conseguido no argumento, que não oferece mais do que um pouco imaginativo retrato de teen angst.

 

 

É verdade que Ellen Page tem mais uma interpretação notável a juntar às de "Juno" ou "Hard Candy", mas se a sua personagem tem alguma força as secundárias não passam de caricaturas, em especial os seus pais.

Há algumas cenas de facto vertiginosas e com uma tensão dramática envolvente, que mostram que daqui poderia sair uma obra acima da média, só que infelizmente "Os Fragmentos de Tracey" não forma um todo coeso e acaba por tornar-se um filme cansativo, estilisticamente interessante ainda que a acção raramente vá além de lugares-comuns.

 

De qualquer forma, mesmo sendo desequilibrada, esta discreta estreia tem muitas boas ideias e algumas concretizações à altura, o que já será mais do que grande parte da concorrência, por isso quem gostar de experiências cinematográficas incomuns tem aqui uma proposta a considerar - e que mesmo não sendo perfeita, é uma séria candidata a filme de culto.

 

Mad TV

 

Já tinha ouvido falar da entrevista que a brasileira Marília Gabriela tinha feito a Madonna por alturas do lançamento de "Ray of Light" (1998), sobretudo pelos comentários algo depreciativos que a jornalista fez à cantora, mas nunca a tinha visto.

Tal como mil outras coisas de que já ninguém se lembra, está obviamente no YouTube, e depois de ver as cinco partes da conversa não sei o que é mais constrangedor: se o inglês ou a maioria das perguntas da entrevistadora.

 

E eu que pensava que a entrevista mais embaraçosa para a rainha da pop tinha sido aquela interrompida por Courtney Love...

Entre a festa e a introspecção

Quando editaram, há dois anos, o seu segundo álbum, os Hot Chip foram um dos nomes mais elogiados do momento e "The Warning" acabou por ir parar a muitas listas de melhores do ano. Já o recente "Made in the Dark" dificilmente repitirá o feito, uma vez que tem sido acolhido de forma menos consensual ainda que nem seja um registo menos interessante.

 

 

Se é verdade que o seu antecessor arrancava de forma inspirada, também esgotava as ideias ao fim das primeiras quatro canções e acusava depois alguma redundância, o que já não acontece aqui mesmo que o alinhamento ainda não esteja imune a desequilíbrios.

O single "Ready for the Floor" foi dos que mais exigiu audições repetidas no início de 2008, mas não só não é muito representativo do que os restantes temas têm para oferecer como também não são assim tantos os que se aproximam do seu nível qualitativo.

 

"Made in the Dark" intercala canções festivas como essa com momentos mais calmos e o balanço dessa união é irregular, pois a banda revela eficácia nas primeiras, dominadas pela electrónica, e algum comodismo nas segundas, de introspecção acústica.

 

 

Há, contudo, recomendáveis exemplos de ambas as experiências, tanto no imprevisível "Shake a Fist", talvez o tema mais arriscado do disco, no igualmente cativante "Don't Dance", apetitoso devaneio para as pistas de dança, ou na bela "We're Looking for a Lot of Love", que corta a agitação rítmica e cede espaço a uma convincente atmosfera tranquila e melancólica.

 

Canções como "Out at the Pictures" ou "Bendable Poseable" já são menos entusiasmantes e "Whistle for Will" e "In the Privacy of Our Love" chegam mesmo a convidar ao bocejo, encerrando o álbum com a energia e criatividade em baixa.

A alternância entre o dançável e o intimista faz de "Made in the Dark" um álbum indeciso e sem a fluidez capaz de encorajar uma audição integral, funcionando bem melhor em pequenas doses, até porque a limitada voz de Alexis Taylor acaba por se tornar cansativa.

Ainda assim, fica um disco interessante com dois ou três momentos de excepção.

 

 

 

Hot Chip - "Ready for the Floor"

Estreia da semana: "Horton e o Mundo dos Quem"

 

Na semana de estreias mais fraca em muito, muito tempo, o destaque vai para "Horton e o Mundo dos Quem" (Horton Hears a Who!), a nova obra de animação dos estúdios da 20th Century Fox, assinada por Jimmy Hayward e Steve Martino.

 

O filme centra-se no encontro entre o elefante protagonista que dá nome ao título e um grão de areia que inclui um planeta em risco, e que terá de ser protegido dos outros animais da selva. Entre as vozes da versão original contam-se as de Jim Carrey, Steve Carell ou Seth Rogen.

Bem recebida lá fora, é mesmo a única estreia da semana que consegue despertar curiosidade por aqui - havia outra, "Os Fragmentos de Tracey", que entretanto já vi e tem algum interesse, mas é assunto para outro post.

 

Outras estreias:

 

"August Rush - O Som do Coração", de Kirsten Sheridan

"Dinheiro Vivo", de Callie Khouri

"Hannah Montana e Miley Cyrus: O Melhor dos Dois Mundos, em Concerto", de Bruce Hendricks

"O Amor nos Tempos de Cólera", de Mike Newell

"Os Fragmentos de Tracey", de Bruce McDonald

 

 

Trailer de "Horton e o Mundo dos Quem"