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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

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Amores de Verão (2): Tetine e conterrâneos

 

 

Pegue-se nos brasileiros Tetine (a dupla da foto acima) e nos seus manifestos baile funk-electro-sexuais, junte-se-lhes a não muito mais bem-comportada Deize Tigrona e abana-se tudo (leia-se remisture-se) com os também habitualmente espevitados Cansei de Ser Sexy.

 

O resultado é "I Go to the Doctor (CSS Remixxx)", devaneio tão rasteiro e inconsequente quanto divertido e alucinante (dependendo, muito provavelmente, das circunstâncias). Fica ali ao lado, com "videoclip" caseiro como convém, mas aposto que soa melhor na praia.

 

 

Tetine & Deize Tigrona - "I Go to the Doctor (CSS Remixxx)"

 

O que foi ainda volta a ser (ou não?)

O maior problema de discos como "Couples" é começarem demasiado bem, com uma canção que poderá sem dificuldades ficar inscrita entre os singles mais viciantes do ano (e de longe o melhor da banda). Isto porque deixa um nível de expectativa muito elevado e que, infelizmente, nunca é atingido ao longo de qualquer outro momento do alinhamento.

 

Nada que chegue a ser demasiado grave, contudo, quando o segundo álbum dos Long Blondes está longe de ser decepcionante, ganhando mesmo na comparação com a estreia de há dois anos, "Someone to Drive You Home".

 

 

 

Nesse primeiro registo, o grupo de Sheffield foi um dos muitos desta década a revisitar territórios pós-punk, recuperando o apelo pop dos Blondie, a crueza de Siouxsie and the Banshees ou a tensão rítmica dos Elastica, investindo ainda numa eloquência e ironia comparáveis às dos conterrâneos Pulp.

 

Agora, o quinteto não esquece essas heranças mas alarga o espectro ao cruzar as já habituais guitarras aceleradas com atmosferas electrónicas, cortesia da produção de Erol Alkan.

E é ai que entra "Century", o tal primeiro tema do disco - e também o single de apresentação -, que mostra uns Long Blondes quase irreconhecíveis, com uma sonoridade disco de travo místico e onírico onde a vénia a Debbie Harry parece ter sido substituída pela homenagem a Kate Bush ou Grace Jones.

 

Esta aura inebriante não tem, no entanto, correspondência no resto do álbum, nem sequer na canção seguinte, "Guilt", essa sim a tornar bem reconhecível a banda autora de "Weekend Without Makeup" ou "Giddy Stratospheres", o que está longe de ser mau mas revela apenas uma aposta na continuidade em vez de arriscar em domínios mais desafiantes.

 

 

 

O risco volta a surgir noutros episódios, é certo, embora em menos do que se desejaria, e é preciso esperar por mais dois pares de temas para chegar ao próximo, "Round the Hairpin".

Aqui a habitual tensão do grupo está virada do avesso, dando espaço a um ritmo mais pausado sem no entanto prescindir de momentos de efervescência, numa sufocante alternância atmosférica que se revela sedutora tanto pela circular arquitectura sonora como pelos sussurros de Kate Jackson, que consegue dar a frases como "Round the hairpin we go speeding in a rented car" a claustrofobia de que a canção precisa.

 

Hipnótico momento de minimalismo tão experimental quanto industrial, é um exemplo do pico de intensidade que os Long Blondes conseguem criar quando não assentam em temas mais convencionais como "The Couples" ou "Erin O' Connor" - ainda que estes sejam bons momentos de descarga.

 

Outra canção-chave é "Nostalgia", onde a banda comprova ter uma das vocalistas mais expressivas do rock actual.

 

 

 

Jackson oferece neste tema um belíssimo momento de entrega , o mais apaziguado do disco mas nem por isso menos denso, em que a sua voz convive com um piano e discretas programações rítmicas numa canção entre o lamento, a resignação e a esperança.

Poderia chamar-se "Bad Girl Gone Good" - comparações a Rihanna à parte -, com frases reveladoras como "the pretty creatures in the street, the pretty creatures that I like to eat for breakfast/ That's all in the past" ou "I may never have a daughter 'cause I have far too much to tell her/ And far too much to answer for".

 

A tentativa de redenção será, todavia, pouco conseguida, pelo menos tendo em conta o título da canção que fecha o disco, "I'm Going to Hell", que revisita domínios mais ásperos, próximos dos do registo de estreia, e evidencia a hesitação dos Long Blondes em aceitarem ou não a mudança de sonoridade.

 

Só no próximo disco é que se saberá se "Couples" é o álbum de transição que aparenta, mas quer continuem a criar temas na linha dos primeiros dias, como "Here Comes the Serious Bit", ou esbocem novas abordagens como em "Too Clever by Half" de forma tão eficaz, serão sempre uma banda que vale a pena ir acompanhando.

 

 

 

The Long Blondes - "Guilt"

 

Amores de Verão (1): Panico

 

 

Num período de temperaturas elevadas convém ter banda-sonora à altura, e nesse aspecto os Panico são irrepreensíveis.

 

Em "Subliminal Kill" (2006) não faltam canções capazes de fazer subir ainda mais o termómetro, disparadas através de um punk funk mutante e desvairado. Enquanto o grupo não edita o sucessor desse disco - agora anda ocupado com as primeiras partes dos Franz Ferdinand -, deixo aqui "Transpiralo", cujo título evidencia bem o que a banda franco-chilena é capaz de fazer.

 

 

Panico - "Transpiralo"

 

The Ting Tings: É esse o nome deles

Destronaram Madonna do top britânico, uma das suas canções é banda-sonora de um anúncio da Apple e têm videoclips com alta rotação na MTV.

Nada mal para uma nova banda cujos membros nunca tinham dado muito nas vistas nos projectos musicais anteriores.

 

"We Started Nothing" surgiu de repente e com ele os britânicos Ting Tings arriscam-se a ter nas mãos o disco mais apropriado para as tardes (e noites) deste Verão.

 

 

Quando, há uns anos, Katie White tentava a sua sorte como um dos membros da girl band TKO - cujo feito máximo foi fazer as primeiras partes dos Five ou Step - e Jules De Martino apostava no mesmo com os mais indie, mas igualmente infrutíferos Mojo Pin, dificilmente suspeitariam que viriam a conseguir disseminar uma série de hits de forma tão fulminante como tem ocorrido com os singles dos Ting Tings.

 

Projecto nascido das cinzas dos Dear Eskiimo, que deu nome à efémera primeira parceria da dupla, este recomeço tem em "We Started Nothing" um interessante e muito eficaz cruzamento de sensibilidade pop com uma não menos apurada atitude indie, que como o título indica não cria nada de novo mas é hábil na digestão e mistura de influências.

 

"Great DJ" atirou-os para o mediatismo e percebe-se porquê, já que funciona muito bem enquanto pastilha elástica de três minutos, com um dos refrões mais orelhudos dos últimos tempos e um ritmo simples e repetitivo, mas irresistível.

 

 

 

Ainda mais repetitiva e trauteável é "That's Not My Name", onde Katie White adopta uma postura riot grrrl - embora bem mais polida do que as referências do género - numa canção que vai crescendo de intensidade à medida que as suas palavras de ordem acolhem camadas melódicas.

 

Não por acaso, estes dois temas são logo os primeiros do alinhamento do álbum, e se é verdade que impõem um nível que não tem continuidade nos seguintes, também não é por isso que "We Started Nothing" deixa de ser uma estreia auspiciosa.

 

Há quem acuse aqui um disco oportunista, que mais não faz do que seguir uma tendência desenhada com maior espontaneidade por outros, mas quando a dupla se mostra tão despretensiosa e faz de momentos como "Shut Up and Let Me Go" uma conseguida amálgama dos Cansei de Ser Sexy com os New Young Pony Club, qual é o problema?

 

 

 

Admita-se que não haverá aqui uma personalidade muito delineada, já que a discreta balada twee "Traffic Light" remete para os primeiros dias dos Cardigans, a faixa-título lembra a aridez e despojamento de PJ Harvey, "Keep Your Head" não anda longe da pop delicodoce dos Wannadies e o disco transpira uma aura festiva comparável tanto à new wave dos B-52's como à coolness urbana das Luscious Jackson.

 

Felizmente, as semelhanças com esses nomes não são decalcadas ao ponto de comprometerem o resultado geral e "We Started Nothing" resulta ainda num disco fresco, directo, lúdico e convidativo, com pontuais fugas para uma melancolia envolvente - como no piano, marcha e sussurros de "We Walk" - ou para o experimentalismo onde a pop bem confeccionada não deixa de ter prioridade - caso do delicioso devaneio "Impacilla Carpisung". Quantos álbuns, sobretudo com o mesmo nível de mediatismo, podem orgulhar-se disso?

 

 

 

The Ting Tings - "Shut Up and Let Me Go"

 

Festa gratuita

 

 

A oferta de discos através da internet parece ser cada vez mais uma tendência e desta vez é Greg Gillis, mais conhecido como Girl Talk, que dá outro passo nessa direcção.

 

O DJ disponibiliza para download o seu novo álbum, "Feed the Animals", e deixa à consideração de cada um decidir o que pagar... e quem preferir adquiri-lo gratuitamente só tem de indicar o motivo pelo qual não está disposto a desembolsar uns dólares.

 

O disco é, tal como os antecessores, um caleidoscópico mashup que tenta concentrar o maior número de artistas em cada faixa, e tanto mistura "Sexy Boy" dos Air com "Gimme More" de Britney Spears como "Dreams" dos Cranberries com "Boys" de M.I.A., ou mesmo "Since U Been Gone" de Kelly Clarkson com "Wish" dos Nine Inch Nails.

 

O caldeirão sonoro inclui ainda Sinead O' Connor, Aphex Twin, Avril Lavigne, Beastie Boys, The Police, Daft Punk, Snap!, Cat Stevens ou Ace of Base, entre milhentos outros, e mesmo que falhe tanto como acerte - muito por culpa da overdose de hip-hop, onde a quase omnipresença de MCs é cansativa - chega para divertir e não deve falhar em ambientes festivos.

 

O download pode ser feito aqui.

 

 

Girl Talk - "Bounce That"