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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Boa música sem custos (6)

 

"Dark Undercoat", o disco de estreia de Emily Jane White, revelou uma das mais promissoras cantautoras dos últimos tempos, hábil tanto na composição como na interpretação de belas e desencantadas canções entre a folk e algum rock alternativo.

 

Mas embora White se tenha evidenciado sobretudo com a sua estreia a solo, a sua voz já podia ouvir-se na banda que integrou antes, os Diamond Star Halos.

E também aí surgia como elemento central de canções a reter, como se comprova no primeiro (e único) álbum do grupo, "They Were Close to Me" (2005), cujo download (integral e gratuito) pode ser feito no site oficial da cantora.

 

 

Emily Jane White - "Dark Undercoat"

 

Estreia da semana: "Watchmen - Os Guardiões"

 

Zack Snyder não se saiu mal na adaptação de "300", transpondo eficazmente para o grande ecrã a explosão de cor e adrenalina da graphic novel de Frank Miller e Lynn Varley.

 

Mas agora com "Watchmen - Os Guardiões", outra adaptação da BD, o grau de exigência é quase incomparável, ou não fosse a obra de Alan Moore e Dave Gibbons uma das mais aclamadas da nona arte.

 

Os trailers sugerem que a nível visual Snyder voltará a não desiludir, resta saber se o filme mantém a densidade que o inspirou e consegue não ser só mais um filme de super-heróis. A ver - ou vigiar - a partir de hoje.

 

Outras estreias:

 

"Bella", de Alejandro Gomez Monteverde

"Bobby Z", de John Herzfeld

"Homem no Arame", de James Marsh

"Imagens de Palermo", de Wim Wenders

"Patti Smith: Dream of Life", de Steven Sebring

 

 

e-Cinema: A tão aguardada chegada de "Watchmen"

 

De Brooklyn para Algés

 

Numa altura em que continuam ser revelados mais nomes com passagem por palcos nacionais este ano, foi hoje divulgada outra uma boa surpresa, os TV on the Radio.

 

A banda nova-iorquina é mais uma adição interessante ao cartaz do palco secundário do Alive!09, e actua no Passeio Marítimo de Algés a 9 de Julho - no mesmo dia que os Crystal Castles. Espera-se que o concerto inclua a canção do videoclip abaixo:

 

 

TV on the Radio - "Staring at the Sun"

 

Horizonte longínquo

 

Já muita tinta correu sobre o muito falado novo álbum dos U2. Desde a escolha inicial de Rick Rubin para a  produção (que viria a ser substituído pela dupla Eno/Lanois e Steve Lillywhite) à surpresa da capa, passando por um também surpreendente q.b. single de avanço, pelos cinco anos que demorou a ser lançado, não esquecendo ainda o facto da editora não ter conseguido evitar que as suas canções se estreassem na internet.

 

A juntar a tudo isto, a banda não se cansou de reforçar que "No Line on the Horizon" seria um álbum de reinvenção depois do convencionalismo dos dois antecessores, e até o coloca entre os seus melhores.

Com tantos elementos a adensarem as expectativas dificilmente há disco que resista, e o 12º dos U2 não parece ser excepção - mais sobre o álbum aqui.

 

Mas mesmo que o grupo não faça mais nenhum disco que supere muito a mediania, sempre pode orgulhar-se de contar com um passado que a ultrapassou algumas vezes.

Como em "Zooropa" (1993), que entre outros pontos altos inclui o tema do vídeo abaixo - em versão ao vivo, já que a editora do grupo insiste em retirar da internet todos os videoclips oficiais (sim, que isto da promoção gratuita à solta deve ser coisa para desconfiar):

 

 

U2 - "Lemon" (ao vivo em Sidney)

 

Pop descontrolada, e ainda bem

Entre os seus fãs conta-se gente tão diversa como os Pet Shop Boys, os Arctic Monkeys, Chris Martin ou Duff McKagan (Guns n' Roses/Velvet Revolver).

Surgiram através de um concurso televisivo, "Popstars: The Rivals", mas contrariamente a muitos projectos fabricados não tiveram um percurso efémero e somam já cinco álbuns e um best of.

 

Alguns dos seus temas, apesar de feitos a pensar nas playlists, são mais imaginativos e ousados do que os de muitos projectos supostamente experimentais e underground. Por estas e outras razões, as Girls Aloud estão longe de ser uma girl band qualquer, e se até aqui já tinham surpreendido, sobretudo nos singles, em "Out of Control" apresentam o seu disco mais consistente.

 

 

Admita-se que, se canções fortíssimas como "No Good Advice", "Swinging London Town" ou "Something Kinda Oooh" ajudaram a fazer do grupo um nome a ter em conta, grande parte do mérito não será tanto das cinco integrantes (cujas vozes e ar "saudável" pouco diferem dos de tantas outras), mas da equipa de produção Xenomania.

 

Afinal, é a esta que se deve a power pop à base de guitarras e electrónica que está na origam dos melhores temas das Girls Aloud, cuja matriz foi reproduzida, por exemplo, no mais recente disco de Annie e poderá manter-se no próximo dos Pet Shop Boys, com os quais colabora.

De resto, a dupla de "West End Girls" ou "Go West" é responsável por parte da composição de "The Loving Kind", um dos singles de "Out of Control", agradável cartão de visita mas que até nem é dos melhores momentos do álbum.

 

No seu disco mais diversificado e coeso, a que não será alheio o facto de dispensar baladas (os piores momentos dos anteriores), o quinteto prova porque é das poucas (ou mesmo única?) girl bands do momento que valem a pena, sobretudo depois das outrora interessantes Sugababes terem decepcionado nos últimos registos.

 

 

O forte apelo melódico continua presente, embora agora nem sempre seja tão imediato como antes, o que geralmente acaba por ser uma vantagem já que certos temas dos antecessores, embora trauteáveis, rapidamente se tornavam cansativos.

Aqui isso ainda ocorre na primeira faixa, "The Promise", que se cola sem grande carisma aos cânones dos girl groups dos anos 60, ou em "Fix Me Up", cujas letras supostamente irreverentes não têm reflexo numa estrutura banal.

Mas exceptuando estes momentos, todos os outros de "Out of Control" justificam audições atentas.

 

E se "Revolution in the Head" (cujo dancehall faria mais sentido num álbum de Rihanna) ou "Rolling Back the Rivers in Time" (a que nem a guitarra do ex-Smiths Johnny Marr eleva acima do simpático) ainda podem deixar algumas dúvidas, estas são dissipadas por um monumento pop como "Untouchable".

Talvez a melhor canção de sempre das Girls Aloud, dura quase sete minutos e revela o refrão muito depois do arranque. Além desse arrojo, conquista pela electropop espacial que viaja do contemplativo ao eufórico rumo a um invejável oásis sonoro.

 

 

Quase tão arrebatadora, "Turn to Stone" é mais melancólica mas não menos dançável, mergulhando em sintetizadores rodopiantes e oferecendo um dos refrões mais absorventes do grupo.

Também alicerçada na electrónica de finais de 80 e inícios de 90, "Love is Pain" é outro ponto alto e o tom igualmente soturno mostra o que poderiam ser umas Client com maior fulgor pop.

 

Mais upbeat, "Love is the Key" não mantém este arrojo mas é um curioso relato de opostos que se atraem, contado em tom irónico, e "Live in the Country" propõe uma incursão pelo drum n' bass com direito a ruídos de animais de uma quinta (e estranhamente resulta).

"Miss You Bow Wow" é pop destravada, orelhuda e bem confeccionada e "We Wanna Party" encerra a montanha-russa de géneros ancorando-se num rock directo e eficaz.

 

Fazendo o balanço, "Out of Control" acerta bem mais do que falha, e num cenário mainstream feito de inúmeros hits descartáveis e discos ainda mais pobres, as Girls Aloud evidenciam que imediatismo não é incompatível com criatividade. Espera-se que continuem a conseguir manter este louvável equilíbrio.

 

 

 

Girls Aloud - "Love is Pain (Live)"

 

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