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Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

20 anos aos quadradinhos

Imagem da exposição dedicada a Vasco Granja. Foto: Catarina Osório

 

Amadora BD - Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora decorre até 8 de Novembro no Fórum Luís de Camões (na Brandoa) e comemora este ano 20 edições.

 

A chegada às duas décadas é mesmo o tema central do evento, que apresenta ainda secções centradas no cinquentenário de Astérix e da carreira de Maurício de Sousa (criador da Turma da Mônica), no percurso de Vasco Granja (exposição patente na Galeria Muncipal), em manga e anime ou artistas canadianos e polacos.

 

Passei por lá na noite de abertura, na sexta-feira, e falei com o director, alguns desenhadores da DC Comics e os F.E.V.E.R (banda que actuou na inauguração e organizou uma exposição). Aqui fica o vídeo da reportagem:

 

 

Mais sobre o FIBDA 09:

 

- Fotos das exposições

- Sugestões de BD do SAPO Livros

- 50 anos de Astérix

 

(Boas) Canções para amigos

Nos últimos tempos, o português tem sido o idioma de eleição de muitas novas bandas nacionais, e os Guta Naki - formados em 2008 - confirmam a tendência.

Mas não serão apenas mais um caso, pelo menos a julgar pela actuação do trio lisboeta no MusicBox, em Lisboa, na passada quarta-feira.

 

Aposta da Meifumado Fonogramas, através da qual irá editar o disco de estreia, o grupo lisboeta foi o vencedor do Restart Resound Fest 2009, em Junho, e já deixava boas indicações na sua página do myspace.

 

 

Ao vivo, Cátia Pereira (voz), Dinis Pires (baixo e melódica) e Nuno Palma (guitarra, teclados e programações) não desiludiram e conseguiram, ao longo de uma hora, percorrer vários ambientes através de um interessante conjunto de canções.

 

Actuando numa sala pouco concorrida (a chuva e o facto de ser dia de semana não terão ajudado), e com um público essencialmente composto por amigos e familiares, os Guta Naki não parecem ter sido demovidos pela afluência modesta. Até porque quem lá esteve manteve-se concentrado no que se passava no palco.

 

Comandadas pela voz quente e grave de Cátia Pereira, as canções foram um testemunho de garra e frescura, aliando atmosferas versáteis a letras que as complementam com doses equilibradas de mistério, eloquência e provocação - onde se contam histórias de faca e alguidar, de garfos que se cravam na pele ou de mulheres com a fome no olhar.

 

 

O cardápio sonoro mostrou-se suculento e espreitou uma pop jazzística e elegante (como em "A Meias com Miller", não muito longe dos Mesa), acolheu derivações do fado ("Novo Mundo" podia se d'A Naifa) ou juntou tango e rock ("Volúpia do Aborrecimento", cantada em castelhano), saíndo-se bem em todos os registos.

 

Mais serena, "Margarida" lembrou a carga etérea dos Sigur Rós, sobretudo pelo recurso ao arco de violino para tocar guitarra, que marca também os concertos da banda islandesa.

 

Mas os Guta Naki são mais vitais nos momentos de maior dinamismo rítmico, em especial em "Canção de Amigo" - talvez o melhor tema do grupo, com um crescendo de intensidade onde as programações electrónicas melhor se entrecruzam com a tensão da guitarra e do baixo.

Se o disco se revelar tão estimulante, será mais um forte argumento para não deixar a banda passar ao lado.

 

 

 

Estreia da semana: "O Delator!"

 

Steven Soderbergh pode não acertar sempre mas há poucos realizadores tão camaleónicos e imprevisíveis em Hollywood - quantos têm filmografias com obras tão díspares como "Sexo, Mentiras e Vídeo", "Ocean's Eleven" e respectivas sequelas, "Bubble", "Erin Brockovich", "O Bom Alemão" ou o injustamente esquecido "O Rei do Bairro"?

 

Depois de um dois filmes centrados em Che Guevara e do mais marginal "The Girlfriend Experience" (protagonizado pela actriz porno Sasha Gray), o cineasta norte-americano regressa com "O Delator!".

 

Baseado num escândalo ocorrido em 1993 nos EUA, este thriller com traços de comédia (ou será o inverso?) conta a história de um empregado de uma empresa da indústria agro-alimentar que, na tentativa de comprovar ilegalidades cometidas por esta, aceita tornar-se informador do FBI.

 

A premissa não será especialmente revolucionária, mas tendo em conta que Soderbergh se distinguiu por oferecer o inesperado (nem sempre, é certo),  talvez valha a pena acompanhar estas quase duas horas.

E também ajuda que o protagonista seja interpretado por Matt Damon (igualmente em modo camaleónico, uma vez que aumentou dez quilos para o papel).

 

Outras estreias:

 

"Amor Por Acaso", de Brandon Camp

"Desgraça", de Steve Jacobs

"O Eco", de Yam Laranas

"Playboy Americano", de David Mackenzie

 

 

e-Cinema: O espião bipolar de Steven Soderbergh

 

LusoQualquerCoisa

 

Uma das revelações nacionais deste ano, os Guta Naki foram os vencedores do Restart Resound Fest 2009, em Junho, têm percorrido alguns palcos do país e preparam o disco de estreia, a editar pela Meifumado.

 

Esta noite, o trio de Cátia Pereira (voz), Dinis Pires (baixo e melódica) e Nuno Palma (guitarra, teclados e programações) leva as suas canções ao MusicBox, em Lisboa, a partir das 22h30.

 

Uma boa oportunidade, portanto, para ouvir ao vivo a sua pop electrónica cantada em português - e com alguns temas promissores, como este:

 

 

Fora de jogo

 

"O Meu Amigo Eric" será, muito provavelmente, o filme mais optimista de Ken Loach. E talvez o pior, não tanto pelo optimismo - nada contra um bom feelgood movie -, mas pela preguiça criativa que domina a obra mais recente de um dos nomes maiores do realismo britânico.

 

Realismo é, aliás, um elemento que não está assim tão presente neste drama centrado num carteiro de meia-idade envolto em problemas familiares, seja com os dois enteados, a filha e a neta ou a ex-mulher (que abandonou na juventude e com a qual tenta agora reconciliar-se).

 

Felizmente para o protagonista, o seu amigo imaginário não só é o confidente que nunca teve como o ajuda a resolver alguns dilemas.

E quando esse amigo é Eric Cantona, interpretado pelo próprio, o filme também tenta ser uma carta de amor ao futebol, aqui visto como bastião da união da classe proletária - e desculpa para algumas das cenas mais melosas da filmografia do cineasta.

 

Mas além dos conselhos do simpático Cantona não andarem longe dos de um livro de auto-ajuda ("género literário" que, curiosamente, o filme ridiculariza), "O Meu Amigo Eric" perde-se ao apostar numa primeira metade arrastada, marcada por um drama insípido, e numa segunda onde uma reviravolta com potencial apenas conduz a uma resolução tão implausível quanto tosca.

 

Nem tudo é mau, já que o elenco é uniformemente convincente e torna-se difícil não sentir empatia por estas personagens. Só é pena que estejam entregues a um argumento tão forçado e desapontante.

 

 

"O Meu Amigo Eric" integra a programação da sétima edição do Doclisboa, que decorre na Culturgest até 25 de Outubro