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Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Megafone para download gratuito

 

João Aguardela, falecido em Janeiro, será homenageado num concerto no Centro Cultural de Belém, a 4 de Novembro. A iniciativa, intitulada Megafone 5, conta com a participação d'A Naifa (um dos projectos que o músico integrou), OqueStrada, Gaiteiros de Lisboa e Dead Combo - ou seja, além da homenagem, já de si meritória, não deverá faltar música recomendável.

 

Antes disso, os quatro discos do projecto Megafone (que o músico desenvolveu a solo) podem agora ser (re)descobertos através do seu site oficial (organizado por Sandra Baptista, ex-companheira e acordeonista dos Sitiados, e alguns amigos).

 

Partindo das recolhas de música tradicional portuguesa feitas por Michel Giacometti e José Alberto Sardinha, Aguardela desconstruiu essas canções através de sonoridades electrónicas numa fusão com tanto de laboratorial como de lúdico.

 

A experiência arrancou em 1997, com o álbum "Megafone", e terminou com "Megafone 4", em 2005. O download gratuito dos quatro álbuns pode ser feito aqui.

 

No vídeo abaixo, Sandra Baptista e Marta Miranda (vocalista dos OqueStrada) falam do percurso musical de Aguardela e de como surgiu a ideia da partilha dos álbuns:

 

 

20 anos aos quadradinhos

Imagem da exposição dedicada a Vasco Granja. Foto: Catarina Osório

 

Amadora BD - Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora decorre até 8 de Novembro no Fórum Luís de Camões (na Brandoa) e comemora este ano 20 edições.

 

A chegada às duas décadas é mesmo o tema central do evento, que apresenta ainda secções centradas no cinquentenário de Astérix e da carreira de Maurício de Sousa (criador da Turma da Mônica), no percurso de Vasco Granja (exposição patente na Galeria Muncipal), em manga e anime ou artistas canadianos e polacos.

 

Passei por lá na noite de abertura, na sexta-feira, e falei com o director, alguns desenhadores da DC Comics e os F.E.V.E.R (banda que actuou na inauguração e organizou uma exposição). Aqui fica o vídeo da reportagem:

 

 

Mais sobre o FIBDA 09:

 

- Fotos das exposições

- Sugestões de BD do SAPO Livros

- 50 anos de Astérix

 

(Boas) Canções para amigos

Nos últimos tempos, o português tem sido o idioma de eleição de muitas novas bandas nacionais, e os Guta Naki - formados em 2008 - confirmam a tendência.

Mas não serão apenas mais um caso, pelo menos a julgar pela actuação do trio lisboeta no MusicBox, em Lisboa, na passada quarta-feira.

 

Aposta da Meifumado Fonogramas, através da qual irá editar o disco de estreia, o grupo lisboeta foi o vencedor do Restart Resound Fest 2009, em Junho, e já deixava boas indicações na sua página do myspace.

 

 

Ao vivo, Cátia Pereira (voz), Dinis Pires (baixo e melódica) e Nuno Palma (guitarra, teclados e programações) não desiludiram e conseguiram, ao longo de uma hora, percorrer vários ambientes através de um interessante conjunto de canções.

 

Actuando numa sala pouco concorrida (a chuva e o facto de ser dia de semana não terão ajudado), e com um público essencialmente composto por amigos e familiares, os Guta Naki não parecem ter sido demovidos pela afluência modesta. Até porque quem lá esteve manteve-se concentrado no que se passava no palco.

 

Comandadas pela voz quente e grave de Cátia Pereira, as canções foram um testemunho de garra e frescura, aliando atmosferas versáteis a letras que as complementam com doses equilibradas de mistério, eloquência e provocação - onde se contam histórias de faca e alguidar, de garfos que se cravam na pele ou de mulheres com a fome no olhar.

 

 

O cardápio sonoro mostrou-se suculento e espreitou uma pop jazzística e elegante (como em "A Meias com Miller", não muito longe dos Mesa), acolheu derivações do fado ("Novo Mundo" podia se d'A Naifa) ou juntou tango e rock ("Volúpia do Aborrecimento", cantada em castelhano), saíndo-se bem em todos os registos.

 

Mais serena, "Margarida" lembrou a carga etérea dos Sigur Rós, sobretudo pelo recurso ao arco de violino para tocar guitarra, que marca também os concertos da banda islandesa.

 

Mas os Guta Naki são mais vitais nos momentos de maior dinamismo rítmico, em especial em "Canção de Amigo" - talvez o melhor tema do grupo, com um crescendo de intensidade onde as programações electrónicas melhor se entrecruzam com a tensão da guitarra e do baixo.

Se o disco se revelar tão estimulante, será mais um forte argumento para não deixar a banda passar ao lado.

 

 

 

Estreia da semana: "O Delator!"

 

Steven Soderbergh pode não acertar sempre mas há poucos realizadores tão camaleónicos e imprevisíveis em Hollywood - quantos têm filmografias com obras tão díspares como "Sexo, Mentiras e Vídeo", "Ocean's Eleven" e respectivas sequelas, "Bubble", "Erin Brockovich", "O Bom Alemão" ou o injustamente esquecido "O Rei do Bairro"?

 

Depois de um dois filmes centrados em Che Guevara e do mais marginal "The Girlfriend Experience" (protagonizado pela actriz porno Sasha Gray), o cineasta norte-americano regressa com "O Delator!".

 

Baseado num escândalo ocorrido em 1993 nos EUA, este thriller com traços de comédia (ou será o inverso?) conta a história de um empregado de uma empresa da indústria agro-alimentar que, na tentativa de comprovar ilegalidades cometidas por esta, aceita tornar-se informador do FBI.

 

A premissa não será especialmente revolucionária, mas tendo em conta que Soderbergh se distinguiu por oferecer o inesperado (nem sempre, é certo),  talvez valha a pena acompanhar estas quase duas horas.

E também ajuda que o protagonista seja interpretado por Matt Damon (igualmente em modo camaleónico, uma vez que aumentou dez quilos para o papel).

 

Outras estreias:

 

"Amor Por Acaso", de Brandon Camp

"Desgraça", de Steve Jacobs

"O Eco", de Yam Laranas

"Playboy Americano", de David Mackenzie

 

 

e-Cinema: O espião bipolar de Steven Soderbergh