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Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Estreia da semana: "Os Informadores"

 

Visita à faceta mais sombria (embora por vezes camuflada) de Los Angeles de inícios da década de 80, "Os Informadores" adapta o livro homónimo de Bret Easton Ellis e, caso raro, consegue ser mais absorvente do que o material de origem.

 

Ou pelo menos não tão sufocante, já que Gregor Jordan (realizador do também recomendável "Os Polícias do Mundo") não só altera aqui os destinos de algumas personagens - mesmo que de forma ténue - e desenha uma atmosfera mais calorosa do que a do livro - ou tão calorosa quanto possível numa adaptação de Bret Easton Ellis.

 

O elenco parece quase todo directamente transplantado do zeitgeist em que decorre a acção, com nomes veteranos como Kim Basinger, Billy Bob Thornton, Winona Ryder, Mickey Rourke, ou mesmo... Chris Isaak (!). Já dos actores mais jovens, merecem destaque os desempenhos de Jon Foster, Lou Taylor Pucci ou Brad Renfro (este no último papel que interpretou antes de falecer no ano passado).

 

Seguidor da estrutura em mosaico, este drama frequentemente lacónico não tem a desenvoltura e magnetismo formal de "As Regras da Atracção", de Roger Avary, nem a inquietação de alguns momentos do mais desequilibrado "American Psycho", de Mary Harron, outras adaptações de títulos de Ellis, mas os apreciadores da obra do escritor não deverão sentir-se defraudados num filme que capta bem a essência amoral do livro.

 

 

Outras estreias:

 

"Andando", de Hirokazu Koreeda

"Batom... e Botas da Tropa", de Steve Miner

"Franklyn - Colisão Entre Dois Mundos", de Gerald McMorrow

"Il Divo", de Paolo Sorrentino

"Marido por Acidente", de Griffin Dunne

"Orfã", de Jaume Collet-Serra

"Orgulho e Glória", de Gavin O´Connor

 

 

e-Cinema: Corrupção, tramas políticas e cinema francês

 

Dias de festa

Fotograma de 'Eden a l'Ouest', de Costa-Gavras', um dos filmes da secção principal

 

A celebrar uma década de existência, a Festa do Cinema Francês arranca esta noite em Lisboa e vai passar por várias salas nacionais até 10 de Novembro. Cabe a "Parlez-moi de la Pluie", o novo filme de Agnès Jaoui ("O Gosto dos Outros"), abrir a iniciativa mais logo, pelas 21 horas, no Cinema São Jorge.

 

E a partir de amanhã a festa subdivide-se em várias secções, que além das 21 ante-estreias da principal (onde constam os mais recentes títulos de Chabrol, Costa-Gavras ou Pedro Costa) inclui ainda uma homenagem à documentarista Agnés Varda, um olhar sobre primeiras obras ("A Vida Sonhada dos Anjos", de Erick Zonca"; ou "Persépolis", de Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud), outro sobre premiados nos Césares ("A Turma" de Laurent Cantet; ou "O Escafandro e a Borboleta", de Julian Schnabel) e uma retrospectiva do percurso da actriz Jeanne Balibar.

 

Para os mais novos há a Festinha, que propõe, entre outros filmes, a trilogia de Astérix, e quem preferir não sair de casa pode acompanhar a programação especial da RTP2 (com curtas e longas-metragens).

 

Como habitual a música não foi esquecida e, por isso, há concertos de Jane Birkin (8 de Outubro, às 21h, no Centro Cultural de Belém) e do colectivo Moriarty (9 de Outubro, às 21h, no Instituto Franco-Português).

 

A 10ª Festa do Cinema Francês mantém-se em Lisboa até 19 de Outubro, passando depois por Almada (de 13 a 19), Porto (de 20 a 25), Guimarães (de 22 a 25), Faro (de 28 a 1 de Novembro) e Coimbra (de 4 a 10 de Novembro).

 

A programação completa está disponível no site oficial.

 

 

Pop reluzente numa noite chuvosa

"Disseram-nos que quando chove em Lisboa ninguém sai de casa, mas já vimos que não é verdade. Obrigada por terem saído", confidenciou uma das Au Revoir Simone entre as primeiras canções que interpretaram ontem na Aula Magna, em Lisboa.

 

O jovem trio de Brooklyn, presença que se vai tornando habitual em palcos portugueses, tinha já actuado na noite de sábado na Casa da Música, no Porto. Ou no ano passado, numa tarde solarenga no Festival Paredes de Coura, onde desvendou alguns temas do seu terceiro disco, "Still Night, Still Light", que veio agora apresentar.

 

 

 

E se aí a banda tinha deixado boa impressão ao vivo, o concerto de ontem só veio reforçá-la. Destilando humildade e simpatia, Annie Hart, Erika Forster e Heather D'Angelo não se cansaram de agradecer os frequentes aplausos, elogiaram o público português e a beleza de Lisboa ("Ontem via-se uma Lua Cheia linda, como na capa do nosso álbum") e foram sempre comunicativas entre a sucessão de canções.

 

Mas além dos muitos sorrisos distribuídos, mostraram-se igualmente cativantes na música. Praticantes de uma indie pop agridoce e minimalista, onde os teclados são a ferramenta de eleição, recorreram também a uma caixa de ritmos e, num tema, chegaram a convocar a inesperada presença da guitarra.

 

 

 

É certo que "Still Night, Still Light" não acrescenta muito aos registos anteriores, "Verses of Comfort, Assurance & Salvation" (2006) e "The Bird of Music" (2007), embora isso esteja longe de ser um problema quando continua a oferecer várias pérolas em forma de melodias etéreas e encantatórias.

 

E felizmente parte das canções não se limitou a ser uma reprodução fiel do que se ouve no disco. Se no álbum são tendencialmente contemplativas, em palco ganharam uma evidente pulsão rítmica. Foi o caso da envolvente brisa dançável que revestiu "Another Likely Story", que quando acompanhada por um simples mas sedutor trabalho de iluminação sugeriu atmosferas de uma discoteca com tanto de onírico como de intrigante.

 

 

Essa sensação acentou-se na recta final do concerto, que Erika descreveu como "a secção psicadélica" e serviu a inebriante "Only You Can Make You Happy" (experiência dream pop de recorte superior), a acelerada e irresistível "Knight of Wands" e a também dinâmica "Tell Me", na origem de um desenlace à beira da explosão.

 

Melhor ainda, e a fazer esquecer um ou outro episódio mais morno, foi o final do obrigatório encore. Antes de "Dark Halls", uma das revisitações de "The Bird of Music", a banda convidou o público a subir a palco para as despedidas - e não foi preciso insistir muito.

Em poucos segundos, o trio ficou rodeado por dezenas de espectadores saltitantes e eufóricos e aí, mais do que em qualquer outro momento, a actuação gerou uma boa disposição contagiante, com quase todos os presentes de pé e a dançar. Uma bela cena de antologia que serviu de ponto final a uma noite reluzente, apesar da chuva.

 

 

 

África deles

Chamam-se Cacique 97, são um colectivo que engloba músicos de outras bandas (Cool Hipnoise ou Philharmonic Weed) e editaram recentemente o álbum de estreia, homónimo - considerado o primeiro disco português de afrobeat e que poderá ser ouvido ao vivo, por exemplo, no próximo dia 24 no MusicBox, em Lisboa.

 

Aqui fica o vídeo da entrevista a dois elementos do grupo, o baixista Francisco Rebelo e o saxofonista João Cabrita, onde falam das origens do projecto, do álbum ou dos concertos:

 

 

Entrevista aos Cacique 97