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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Noite de festa em Lisboa e no Porto

 

Apesar de uma noite potencialmente chuvosa, nesta sexta-feira o conforto do lar poderá ser menos sedutor do que o cenário do Santiago Alquimista, em Lisboa, e do Passos Manuel, no Porto.

 

Na capital actuam os Feromona, que aceitaram o desafio da Amor Fúria e levam boas canções de rock cantado em português à sala dos arredores do Miradouro de Santa Luzia (e nunca é demais relembrar que o disco de estreia do trio, "Uma Vida a Direito", está disponível para download gratuito no seu site).

 

Na invicta, a Meifumado celebra cinco anos de edições com espectáculos de três das suas apostas: Paco Hunter, AbztraQt Sir Q e Guta Naki (estes últimos autores de um convincente concerto no MusicBox, há poucas semanas). A festa continua noite dentro com os sets de DJ Garizo e do DJ2D2.

 

E estes são só dos primeiros concertos de uma série de dias cheios deles. Mas já lá vamos... 

 

 

Feromona - "As Unhas" (ao vivo) 

 

 

Abztraqt Sir Q - "A Game Ezt"

 

Estreia da semana: "Capitalismo: Uma História de Amor"

 

Se nos últimos tempos se registaram várias estreias por semana, nesta só mesmo o novo filme de Michael Moore tem o atrevimento de chegar às salas na mesma altura que o famigerado "Lua Nova", de Chris Weitz.

 

O mais recente documentário do autor de "Bowling for Columbine" (2002) ou "Fahrenheit 9/11" (2004) é mais um olhar pouco ameno e ainda menos consensual sobre a sociedade dos EUA, e desta vez elege como alvo preferencial o capitalismo - sistema que Moore sugere eliminar.

 

Com o realizador a aplicar o seu método do-it-yourself junto de entidades políticas e financeiras, "Capitalismo: Uma História de Amor" talvez não acrescente grandes novidades à sua filmografia mas será, provavelmente, mais estimulante do que a outra história de amor que se dissemina pelo país esta semana.

 

 

e-Cinema: Vampiros de "Crepúsculo" voltam em "Lua Nova"

 

Pop de grande fôlego

"Lungs" é um título apropriado para o disco de estreia de Florence and The Machine, ou não fosse este conjunto de canções comandado por uma voz possante, onde a força dos pulmões será uma boa aliada nos momentos de maior fôlego interpretativo.

 

E há muitos episódios assim, já que a combinação da voz de Florence Welch com os instrumentos a cargo dos músicos que a acompanham, The Machine, gera quase sempre temas onde uma forte carga épica é o ponto de chegada.

 

 

No ano passado, o single "Kiss With a Fist" deixou muitos expectantes quanto aos próximos passos desta jovem cantautora britânica, e felizmente esse tema acaba por nem ser do melhor que o álbum tem para oferecer.

 

A linearidade dessa canção destoa num alinhamento bem mais desafiante e inspirado, onde Florence está mais próxima da herança de Kate Bush, Björk ou PJ Harvey do que de outras revelações brit como Kate Nash ou Amy Macdonald.

 

Tal como muitos registos de estreia, também este não escapa a alguma irregularidade, facilmente desculpável quando o vendaval instrumental e os uivos da cantora atingem o dramatismo envolvente de "Cosmic Love", desenham uma desencantada festa ébria em "Hurricane Drunk" ou se atiram ao romantismo febril de "Two Lungs" - todas canções da segunda metade do disco e a que revela a Florence mais interessante.

 

 

Já na mais plácida e quase sussurrante "My Boy Build Coffins" a cantautora depara-se com a inevitabilidade da morte, em "Blinding" reforça as sombras numa marcha crepuscular e onírica e em "Rabbit Heart (Raise It Up)" faz a ponte entre outros dois discos deste ano - "Two Suns", de Bat For Lashes, do qual se aproxima logo ao início, e o álbum homónimo dos La Roux, no qual caberia facilmente o refrão.

 

À semelhança desses registos, também "Lungs" é um muito aconselhável compêndio de pop com personalidade e ousadia, onde uma carga intensa e barroca não implica demonstrações gratuitas de virtuosismo. Longe disso, atrás das muitas cortinas de pompa e circunstância esconde-se um disco com alma - devidamente emanada pelos pulmões de uma artista a acompanhar.

 

 

 

Florence and The Machine - "Rabbit Heart (Live)"

 

Fundo de catálogo (41): Laura Veirs

 

Laura Veirs tem construído, ao longo desta década, um belo percurso assente numa folk expressiva e agridoce, onde o apelo melódico surge geralmente associado a pequenas histórias do seu dia-a-dia em Seattle ou de Verões no interior do Colorado.

 

"July Flame", que será já o seu sétimo álbum, só tem edição agendada para Janeiro de 2010, mas a julgar pela cativante faixa-título não irá comprometer uma discografia meritória.

 

Enquanto o álbum não chega, e como as suas canções combinam muito bem com estes dias outonais, a (re)descoberta dos discos anteriores pode ser compensadora. Como a de "Year of Meteors", de 2005, que inclui esta aconchegante "Galaxies":

 

 

Laura Veirs - "Galaxies"

 

Transe colectivo

3D no Campo Pequeno. Foto de Vera Moutinho

 

Se no recente EP "Splitting the Atom" os Massive Attack não apresentaram nenhuma canção ao nível das melhores que já fizeram, o concerto de sábado no Campo Pequeno serviu para, pelo menos, ficar a saber-se que há novos temas mais inspirados.

 

"Hartcliffe Star" e "Marakesh", em particular, juntaram o mais aliciante do excelente "Mezzanine" com o do interessante "100th Window" - a visceralidade do primeiro e o sentido atmosférico do segundo - e aumentaram a curiosidade em relação ao novo álbum a editar em Fevereiro.

 

De resto, a noite serviu também para revisitar algumas pérolas do grupo - e não são poucas - num concerto nem sempre brilhante mas no geral muito satisfatório. Comentário mais alargado (e com mais fotos) aqui.