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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

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Como regressar à infância em 14 canções

"Where the Wild Things Are", de Spike Jonze, inspirado no clássico da literatura infantil de Maurice Sendak, tenta fugir aos moldes mais convencionais dos filmes de fantasia para toda a família.

 

Nem sempre é tão bem-sucedido como se esperaria de um realizador que tem o arrojo de "Queres Ser John Malkovich?" ou "Inadaptado" no currículo, mas não deixa de ser uma tentativa estimável. E um dos seus trunfos é a banda-sonora, cujo elenco não fica nada atrás dos nomes que dão rosto e voz às personagens do filme.

 

 

Tendo como mentora a vocalista dos Yeah Yeah Yeahs, o projecto Karen O and the Kids juntou-a a um selecto núcleo de eleitos que inclui, entre outros, gente como Nick Zinner e Brian Chase (os restantes membros da banda nova-iorquina), Bradford Cox (Deerhunter), Aaron Hemphill (Liars), Greg Kurstin (The Bird and the Bee), Dean Fertita (Queens of the Stone Age, The Dead Weather, The Raconteurs) ou Jack Lawrence ((The Dead Weather, The Raconteurs, The Greenhornes).

 

Ou seja, alguma da nata do rock alternativo recente, à qual se junta um coro de crianças a provar que, à semelhança do filme, a banda-sonora tem participantes e um público-alvo de várias faixas etárias.

 

 

Além do mérito de todas estas canções terem sido criadas especialmente para "Where the Wild Things Are" (algo que não pode dizer-se acerca da grande maioria que acompanha tantos outros filmes), vale a pena sublinhar que a música sobrevive muito bem sem o apoio das imagens.

 

Aludindo a um imaginário infantil e acompanhando os estados emocionais do jovem protagonista do filme, esta banda-sonora permite também conhecer uma faceta diferente de Karen O - ainda que os temas exibam pontos de contacto com o seu trabalho nos Yeah Yeah Yeahs.

 

 

Episódios melancólicos e depurados como "Hideaway" ou "Worried Shoes" (cover de Daniel Johnston) não andam longe da vertente mais intimista de "It's Blitz!", mas uma canção como "All is Love", com três minutos de alegria concentrada e contagiante, capaz de deixar os mais sisudos tentados a esboçar um sorriso de orelha a orelha, é um agradável e surpreendente contraste.

 

Tal como "Rumpus" e "Heads Up", onde o coro infantil volta a abrilhantar a energia de Karen O e prova que a música cantada por crianças não tem de se restringir a estas. Pelo meio há ainda pequenos interlúdios instrumentais ("Lost Fur"), sussurros acolhedores e reluzentes ("Igloo", "Sailing Home") e até mesmo um par de canções para quem tem saudades dos dias mais efusivos dos Yeah Yeah Yeahs - o soletrar imponente de "Capsize" e sobretudo a atmosfera visceral de "Animal", com direito a rugidos e guitarra fervilhante. Moral da história: mais do que uma apropriada banda-sonora, está aqui um belo álbum.

 

 

 

Karen O and the Kids - "All is Love"