Embora seja o novo filme de Terry Gilliam, "Parnassus - O Homem que Queria Enganar o Diabo" tem sido mais destacado, mesmo antes da sua produção ter terminado, por contar com a última interpretação de Heath Ledger.
A abrupta morte do actor obrigou, aliás, a que a sua personagem fosse também interpretada por Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrell, trio que ofereceu a solução possível para uma história que teve de ser alterada - mas que mantém a premissa onde um homem faz um pacto com o diabo, prometendo sacrificar a alma da sua filha em troca da vida eterna.
Tal como em "12 Macacos" ou "Os Irmãos Grimm" (em que Leadger também participou), também aqui o ex-Monty Python promove mais um mergulho em ambientes fantasiosos e que, mesmo que possam não convencer no argumento, deverão ser suficientemente imaginativos e com boas ideias visuais.
Uma das sobreviventes do rock alternativo da década de 90, Juliana Hatfield editou há poucas semanas o seu décimo disco, "Peace and Love", mas este post recua alguns anos para recordar o segundo, "Become What You Are", de 1993.
Lançado pouco mais de um ano depois do registo de estreia, o álbum deixou algumas das canções mais representativas da cantautora norte-americana, que aí voltou a aliar uma voz doce a melodias simples e directas.
Outro elemento indissociável dos seus temas, as letras de tom confessional também ajudaram a gerar alguns momentos inspirados e cativantes, como é o caso de "My Sister", uma pequena pérola indie que ainda hoje mantém o apelo:
Não falta sensibilidade a "Um Homem Singular", o aplaudido primeiro filme do norte-americano Tom Ford.
E o estilista tornado realizador insiste em reforçá-la com uma minúcia obsessiva que faz deste drama uma apurada experiência sensorial - da realização ágil e inventiva aos requintados cromatismos da fotografia, não esquecendo uma quase omnipresente banda-sonora necessariamente melancólica (e com uma cansativa abundância de violinos).
Esta estreia deixa assim evidente (e de forma bem ostensiva) que Ford se mantém como um esteta por excelência, mas felizmente este excesso de maquilhagem nunca chega a sobrepor-se ao estudo de personagem (de tom mais minimalista) que "Um Homem Singular" apresenta.
O desencanto do protagonista, um professor universitário que não aceita a morte do companheiro, torna-se palpável tanto através do desempenho de Colin Firth como da forma engenhosa como Ford consegue retratar episódios prosaicos (e que facilmente têm eco no espectador).
E se a opulência sensorial nem sempre joga bem com o drama de câmara, o filme oferece duas ou três sequências memoráveis que compensam esse desequilíbrio formal. Uma destas tem Julianne Moore como co-protagonista, actriz que infelizmente surge em menos cenas do que se esperava, e esse escasso tempo de antena também leva a que "Um Homem Singular" fique entre aqueles filmes aconselháveis mas não imprescindíveis - mesmo que revele um nome a seguir fora das passarelas.