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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Sensibilidade e bom senso

Há coisas que nunca mudam e os discos de Sade Adu serão das confirmações mais evidentes disso mesmo. E o recente "Soldier of Love", o sexto da cantora de "Smooth Operator" ou "The Sweetest Taboo", não foge à regra - mesmo que talvez seja o seu álbum mais sombrio.

 

Ao longo das suas quase três décadas de carreira, a nigeriana e a sua banda britânica têm sido fidelíssimos à sonoridade apresentada em "Diamond Life" (1984), concentrando-se na sua reconhecível (e inimitável) combinação de soul, jazz, R&B, pop ou reggae.

 

 

"Soldier of Love" não é excepção e, por isso, qualquer uma das suas dez novas canções não destoaria nos cinco álbuns anteriores.

O que não é necessariamente mau, já que a voz singular e calorosa de Sade não parece ter sentido o passar dos anos e está, como sempre, bem acompanhada por uma banda rigorosa que sabe dar-lhe o espaço merecido.

 

Para alguns um disco assim, sem pretensões de romper com uma identidade há muito cristalizada, poderá soar demasiado conservador. Mas basta ouvi-lo com atenção - e paciência, que as canções nem sempre se revelam à primeira - para também encontrar aqui alguns méritos.

E num contexto em que o R&B é tantas vezes genérico e excessivamente sintético, é bom ouvir um álbum que respira personalidade e assenta numa contenção que talvez fizesse bem a "divas" do momento como Beyoncé ou Rihanna.

 

 

No tema-título, comandado por uma insistência na percussão, notam-se aproximações a algumas produções hip-hop recentes, embora este primeiro single esteja longe de ser representativo do álbum.

 

Grande parte das outras canções mantêm, no entanto, uma desolação comparável, e essa talvez seja mesmo a única novidade de "Soldier of Love" - a sofisticação habitual nunca é posta em causa mas surge associada a ambientes nem sempre amenos, de onde saem algumas das letras mais negras da discografia de Sade (caso de "Bring Me Home", onde canta versos algo inesperados como "Send me to slaughter/Lay me on the railway line").

 

 

As relações amorosas, temática recorrente desde os primeiros discos, raramente foram abordadas de forma tão pouco optimista, e felizmente essa tónica mais sombria é servida com secura, sensibilidade e elegância - ou seja, quem procurar baladas funguentas não vai encontrá-las aqui.

 

Ainda assim, momentos como "Babyfather", "Long Hard Road" ou o belo final, com "The Safest Place", trazem as doses certas de luz e esperança e tornam "Soldier of Love" num disco emocionalmente mais equilibrado - e a descobrir com calma, até porque não deverá conhecer-se um sucessor tão cedo.

 

 

 

Sade - "Soldier of Love"

 

Eles são os Smix Smox Smux

 

Para José "Smix" Figueiredo, baixista dos Smix Smox Smux, o propósito do trio é apenas fazer "música cantada em português, bem disposta e com uma poesia descomprometida". E com sotaque bracarense, como salienta o vocalista e guitarrista Filipe "Smox" Palas.

 

E é isso que pode ouvir-se em "Uísqui", "Toques Polifónicos" ou outros momentos do seu disco, temas dançáveis e espevitados, entre o indie rock e o pós punk, que a brincar até vão falando de coisas sérias – desde o aquecimento global à inércia tornada teledependência.

 

A banda bracarense, uma das apostas da Amor Fúria, editou através desta "Eles São os Smix Smox Smux" (2009), álbum de estreia que já tem um sucessor a caminho, como contam na entrevista do vídeo abaixo dois dos seus elementos: