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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Depois das versões, os originais

 

Não é qualquer um que consegue juntar, no mesmo disco, colaborações tão improváveis como Simon Le Bon, Boy George, Ghostface Killah, D'Angelo ou Spank Rock. Mas para Mark Ronson a colecção de convidados especiais já é praticamente uma rotina e, por isso, não será por aí que "Record Collection" surpreende.

 

O terceiro disco do produtor britânico a quem Amy Winehouse, Lily Allen ou Nikka Costa devem boa parte do seu sucesso chegou hoje às lojas e sucede a "Version", de 2007.

 

Desta vez, Ronson não só aposta em composições originais como em referências pouco presentes nos registos anteriores. Os ambientes são agora mais electrónicos mas igualmente imediatos e dançáveis - nada contra -, como o sugere o primeiro single, onde colaboram Q-Tip e os MNDR. Aqui fica o videoclip oficial:

 

 

Mark Ronson & The Business Intl - "Bang Bang Bang"

 

Amor com amor se paga

 

Depois de alguém ser abandonado pela namorada, qual a melhor forma de recuperá-la quando se envolve com outro homem? Seduzi-lo e fazer com que ele a traia, claro. Ou talvez não. Mas esta é a forma como Bruno tenta reconquistar Laura em "Plan B", a primeira longa-metragem do argentino Marco Berger.

 

O que aqui começa como uma comédia leve e irreverente acaba por ir ganhando densidade, assim como a pequena vingança que conduz o filme leva ao surgimento de uma inesperada cumplicidade entre os dois protagonistas - e a episódios cada vez mais tensos à medida que os limites entre a amizade e o amor são questionados.

 

Manuel Vignau e Lucas Ferraro, tanto nos momentos em que contracenam como naqueles em que têm a câmara só para si, dão às suas personagens a espontaneidade e inquietação que esta história pede (e que felizmente nunca os sujeita a juízos de valor).

 

E Berger, além de óptimo director de actores, apresenta uma primeira obra onde menos é mais, sabendo tirar partido de um orçamento limitado.

Desenhando um estilo lânguido e lacónico assente em longos planos fixos e num ritmo moroso, o realizador faz com que os frequentes compassos de espera, embora por vezes testem a paciência, sejam determinantes para o que o desenlace reserva às personagens (e aos espectadores).

E garante ainda que "Plan B" nunca se afogue numa sorumbática crise existencial graças a alguns diálogos directos, francos e espevitados, numa mistura de drama e humor que alguns cineastas latinos conseguem tão bem. Espera-se que os próximos planos mantenham a frescura desta estreia.

 

 

"Plan B" integrou a programação do Queer Lisboa 14, que decorreu de 17 a 25 de Setembro no Cinema São Jorge