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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Fundo de catálogo (50): UNKLE

UNKLE

 

Os UNKLE já cruzaram vários géneros e tiveram outras tantas formações, mas o álbum de referência do projecto britânico continua a ser, sem dúvida, o primeiro.

 

"Psyence Fiction", editado em 1998, contou-se então entre os discos muito aguardados pelos seguidores da electrónica mais intrigante e registou a colaboração entre James Lavelle e DJ Shadow.

 

Esta parceria foi, no entanto, apenas o ponto de partida, pois além do fundador da editora Mo' Wax e do autor do marcante "Endtroducing..." (1996) o projecto acolheu uma mão cheia de convidados ilustres. Thom Yorke (Radiohead), Richard Ashcroft (The Verve), Mike D (Beastie Boys), Jason Newsted (Metallica) ou um então quase desconhecido Badly Drawn Boy, alguns dos colaboradores, revelaram-se determinantes para estas canções tensas e nebulosas que ainda mantêm o impacto através de cruzamentos de universos do rock, hip-hop ou trip-hop.

 

Ian Brown, o ex-vocalista dos Stone Roses, foi outra das participações de luxo, dando voz a um tema que era originalmente instrumental (intitulado "Unreal" na primeira versão e rebaptizado como "Be There" na segunda). E se a canção já era muito boa, obteve outro efeito quando acompanhada pelas imagens do brilhante videoclip realizado por Jake Scott (sim, filho de Ridley), devidamente urbano e claustrofóbico, que pode ser (re)visto aqui.

 

Quem é aquela mulher?

 

Os thrillers não são novidade para Phillip Noyce, que ao longo da sua considerável filmografia (iniciada em finais da década de 70) tem trabalhado o género.

Em algumas ocasiões o realizador australiano saiu-se razoavelmente bem ("Calma de Morte" ou "A Vedação", embora este não fosse propriamente um thriller), noutras nem por isso ("O Coleccionador de Ossos" ou "Invasão de Privacidade").

 

"Salt", o seu novo filme, pode juntar-se aos primeiros casos, servindo uma história de espionagem que, sem acrescentar nada de novo, resulta num exercício de suspense e acção capaz de manter o interesse ao longo de hora e meia.

 

Angelina Jolie, aqui mais Jason Bourne do que James Bond, extravasa a sua aura enigmática numa personagem cuja ambiguidade é o motor do filme. Noyce agradece filmando-a em boas sequências de acção (perceptíveis e sem tiques de videoclip frenético) que, contudo, pecam por não só esticarem como ultrapassarem (e de que maneira) os limites da plausibilidade.

 

De qualquer forma o jogo do gato e do rato funciona e algumas reviravoltas inevitáveis também, ainda que "Salt" dê quase sempre prioridade à carga cinética e não tanto à densidade que a sua protagonista tenta emanar. E assim Noyce adiciona à sua obra um thriller por vezes eficientíssimo mas que, em última instância, acaba por ser só mais um.

 

 

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