Um amor mais electrónico

Lovers começou por ser o projecto de uma mulher só, a compositora, vocalista e multi-instrumentista Carolyn Berk. "Dark Light", o seu novo disco, traz agora algumas alterações - sobretudo a passagem para um formato de banda, integrando mais dois elementos, e o consequente reforço dos sintetizadores e da percussão em canções que partiram da folk.
Mudaram os adereços mas a identidade das composições de Berk permanece. A aproximação à indietronica (escola The Postal Service/The Blow) nunca ameaça o impacto da voz e palavras de uma cantautora que, ao quinto álbum, continua a saber dosear melancolia e optimismo.
Entre episódios sussurrantes e outros por vezes quase eufóricos (aqui as texturas digitais dão uma ajuda), "Dark Light" desenha um alinhamento sempre envolvente e com dois ou três momentos a roçar o brilhantismo - o muito poppy "Boxer", o crescendo de "To Be a Dancer (I Am Alive)", entre o quarto e a pista de dança, ou a mais serena e etérea "Peppermint".
"Every time the music starts, I can feel my aching, shaking heart", canta no primeiro tema, "Barnacle". E ao longo do disco vai tornando difícil não só não acreditar no que diz aí como não partilhar o sentimento.




