Kele, Janelle Monáe, Nuno Prata, Wavves ou Owen Pallett justificaram a passagem pela Avenida da Liberdade, neste fim-de-semana, na terceira edição do Super Bock em Stock - mesmo que as descobertas e confirmações não tenham sido tantas como nos anos anteriores (com a agravante dos cancelamentos de Adam Kesher e Fujiya & Miyagi).
Aqui ficam os pormenores das duas noites, com destaque para as actuações do vocalista dos Bloc Party e da autora de "The ArchAndroid":
Ao lado dos Bonde do Rolê, deixou um albúm com tanto de desbragado como de inconsequente e a memória de concertos que lhe fizeram justiça - como o da ZDB há três anos.
Mais recentemente, Marina Gasolina tem apostado num percurso em nome próprio do qual resultará um álbum em breve.
O primeiro single, "Leone", sugere um caminho mais electrónico (e sobretudo mais interessante) do que as antigas brincadeiras em torno do baile funk, e tal como resto do disco conta com produção dos Radioclit.
O videoclip da canção pode ver-se abaixo mas, para tirar as dúvidas, talvez seja melhor espreitar a actuação da brasileira no Maxime, na noite deste sábado, a partir da 1h15 - uma das muitas da terceira edição do Super Bock em Stock.
Às vezes a dedicação não é recompensada, e o protagonista de "Cela 211" bem pode dizê-lo. Contratado como guarda de uma prisão de alta segurança, Juan esforça-se para causar boa impressão e visita o futuro local de trabalho um dia antes de começar. Para seu azar, esse é também o dia de um motim gerado pelos presidiários no qual se vê envolvido, tentando então fazer-se passar por um deles.
Esta premissa, não sendo propriamente inédita, é suficientemente forte, até porque Daniel Monzón tira bom partido dela neste thriller que, durante quase duas horas, desenvolve um hábil exercício de suspense. E consegue ser mais do que isso, aproveitando para deixar um olhar (não muito abonatório) sobre o sistema prisional espanhol - fá-lo sem muitas subtilezas, é certo, mas também nunca se torna panfletário nem maniqueísta.
De resto, aqui nada é a preto-e-branco: Juan, com aura de bom rapaz, vai descobrindo que a fronteira que o separa dos presidiários é mais ténue do que imaginava, sobretudo quando a situação em que se encontra não lhe facilita a vida e se torna cada vez mais infernal.
Além de uma mão cheia de cenas e reviravoltas capazes de deixar os nervos em franja, "Cela 211" vale também pela sólida construção de personagens. E se Juan é um protagonista empático (graças ao actor Alberto Ammann), o líder dos criminosos, Malamadre (interpretado por Luís Tosar), desperta um magnetismo imediato e acaba por ser a presença mais icónica (a relação ambígua que nasce entre os dois é, aliás, uma das âncoras emocionais da acção).
Visto o filme, não ficam dúvidas de que os Goya de Melhor Actor Revelação e Melhor Actor, respectivamente, foram bem entregues. Mas "Cela 211" não se ficou por aí e recebeu mais seis distinções nesses prémios espanhóis (entre as quais Melhor Filme e Melhor Realizador), somando ainda troféus noutros circuitos. Agora, a melhor forma de lhe dar os parabéns é mesmo ir vê-lo no grande ecrã.