Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Eles vivem (e ainda gritam muito)

 

As primeiras cenas de "Gritos 4" condensam, em poucos minutos, tudo o que propostas como "Um Susto de Filme" (e derivados) gostariam de ser: uma paródia oportuna, irreverente e inteligente aos mecanismos dos slasher movies.

As sequências que se seguem não desmerecem um arranque de antologia, já que em vez de mais um episódio de uma saga moribunda, esta nova sátira de Wes Craven mostra-se mais certeira do que nunca, muito por culpa de um atrevimento que leva a metalinguagem dos antecessores a níveis tão excessivos como arriscados.

 

A overdose de personagens, tecnologias, ironia, pós-modernismo e suspeitos - afinal, há um novo assassino na cidadezinha de Woodsboro - ajuda a criar uma narrativa capaz de intrigar mesmo os mais cépticos em relação a esta adenda à saga - que chega a sugerir tratar-se de um novo começo, uma vez que coloca figuras clássicas da série ao lado de um elenco bem mais jovem.

 

O olhar crítico sobre a geração Youtube é, aliás, determinante para um final capaz de superar a concorrência com uma revelação que dificilmente se adivinha. E funciona ainda como um delirante ponto final - ou talvez ponto e vírgula? - para uma saga que aqui aprimora, com uma habilidade inesperada, a apetitosa combinação de terror e humor.

 

 

A luz negra continua acesa

 

Passou algo despercebido no ano passado, mas o quinto álbum dos Lovers ainda está bem a tempo de ser descoberto - sobretudo por quem gostou do recente "Talk About Body", dos MEN, ou aguarda o próximo passo das Telepathe, cuja indie pop electrónica tem algo a ver com a deste trio de Portland.

 

Como ainda não há videoclip oficial para qualquer canção de "Dark Light", fica a chamada de atenção para dois temas interpretados ao vivo numa rádio norte-americana - até porque dificilmente se ouvirão num palco próximo tão cedo:

 

 

 

Estreia da semana: "Jane Eyre"

 

É mesmo necessária mais uma adaptação de "Jane Eyre" depois de tantos filmes, telefilmes e mini-séries? Tendo em conta que uma das mais recentes tinha sido a versão tépida de Franco Zeffirelli, em 1996 (protagonizada por uma muito jovem - e muito inexpressiva - Charlotte Gainsbourg), a resposta tende a ser afirmativa.

 

Mas mesmo que não seja, o clássico literário de Charlotte Brontë funciona agora como ponto de partida para a aconselhável segunda obra de Cary Fukunaga (autor do drama on the road "Sem Nome", que passou discretamente por salas nacionais no ano passado).

 

Embora esta adaptação do realizador norte-americano tenha a chancela da BBC, nunca se confunde com o estilo tão correcto como decorativo que torna indistintos muitos filmes de época britânicos.

A vertente visual e sobretudo sensorial desta versão evidencia-se logo nas primeiras sequências, com a protagonista em fuga à chuva, e instala uma atmosfera contemplativa - mas nunca bocejante - ao longo de duas horas.

 

O magnetismo de grande parte das cenas completa-se com a intensidade do elenco, onde brilham Mia Wasikowska (a confirmar a boa impressão deixada em "Alice no País das Maravilhas") e Michael Fassbender (perfeito numa contenção prestes a explodir).

Os momentos em que a dupla contracena são um encontro feliz de diálogos afiados e olhares expressivos, mas os restantes também estão bem entregues a secundários como Judi Dench, Sally Hawkins ou Jamie Bell. E mesmo que a recta final do filme seja algo apressada, esta "Jane Eyre" vem provar que ainda há olhares desafiantes - e com cinema lá dentro - sobre a obra de Brontë.

 

 

Todas as estreias desta semana

 

 

e-Cinema: "Scream 4" de regresso para chacinar

 

Música para a geração indigo

 

No final da década de 70, a voz de Poly Styrene, através dos X-Ray Spex, ficou como uma das que se associou aos primeiros acordes do punk.

Várias décadas e outras tantas gerações depois, "Generation Indigo" assinala um regresso tardio aos álbuns a solo - sucedendo ao registo de estreia, editado em 1981 -, mas ainda fresco e válido na colecção de canções que apresenta.

 

Tão diferente da sua banda como do seu primeiro álbum em nome próprio, o segundo disco da britânica deixou decididamente o punk para trás. Longe vão os dias de rebeldia expressos em canções-dinamite como "Oh Bondage Up Yours!", embora o olhar crítico continue bem presente.

As cores reggae e dub de "Colour Blind" abordam a xenofobia, o embalo electro de "Virtual Boyfriend" espreita os relacionamentos online e "I Luv Ur Sneakers" revela preocupações ambientais enquanto aponta para a pista de dança.

 

Mais polidas e versáteis do que as que Poly Styrene cantou em tempos, as canções de "Generation Indigo" não destoariam num eventual DJ set que incluísse também os Yeah Yeah Yeahs, Long Blondes, Metric ou Gossip - bandas cujas vocalistas devem, de uma forma ou outra, alguma coisa à mentora dos X-Ray Spex.

E se é verdade que Styrene já começa a entrar numa idade propícia a homenagens, também é bom constatar que continua a dar voz a discos recomendáveis, agora em modo pós-punk.

 

 

 

 Poly Styrene - "Virtual Boyfriend"