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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Este electro não é para meninas

 

Começando logo pelo título, "I Love You Dude" seria uma banda-sonora perfeita para um filme que tivesse no bromance o seu (sub)género de eleição. De preferência com muitas cenas em bares, discotecas ou raves, território em que a música dos Digitalism funciona melhor.

 

A dupla alemã não parece sofrer do síndrome do "difícil" segundo álbum, já que o sucessor de "Idealism" (2007) volta a mostrar habilidade - e descontracção - para a electrónica mais imediata, dançável e lúdica, mesmo que não invente nada pelo caminho.

 

O instrumental "Stratosphere", no início do alinhamento, encarrega-se de fazer - e bem - a ponte com o disco anterior. Mais para a frente, "Reeperbahn" (alguém andou a ouvir os Prodigy), "Antibiotics" ou "Miami Showdown" aumentam as doses de testosterona e adrenalina - e certamente de suor, quando o duo as apresentar ao vivo.

Mas apesar da eficácia destes momentos, é em "Blitz" que os níveis de energia cinética se mostram mais elevados - e viciantes -, num episódio que confirma que os Daft Punk continuam a ter aqui dois discípulos dedicados - nada contra, até porque o tema nem está longe de uma versão revista (e melhorada) de "Aerodynamic".

 

Mais próximos do formato canção, "2 Hearts" ou "Forrest Gump" suavizam o ambiente e servem docinhos indie pop - o primeiro deverá agradar a fãs dos Klaxons ou Teenagers, o segundo tem Julian Casablancas (dos Strokes) entre os compositores.

Já na serenidade robótica de "Just Gazin'", uma voz feminina canta "Take it easy, easy on me". E aí, finalmente, os Digitalism acalmam, deixando um belo momento contemplativo num disco orgulhosamente irrequieto.

 

 

Um susto de filme

 

James Wan ganhou fama por ter sido o realizador de "Saw" e, por arrasto, o impulsionador de uma saga que nada tem feito para dignificar o cinema de terror.

Talvez em busca de redenção, regressa com um filme que rejeita os tiques da sua primeira obra (gore com fartura, montagem a caminho do videoclip, fotografia garrida), tendo ainda o susto como objectivo mas procurando-o através de um orçamento claramente mais modesto.

 

O problema é que "Insidioso", embora tente recuperar alguns elementos-chave do género (a casa assombrada, a criança-demónio) seguindo uma lógica de "menos é mais", revela-se inacreditavelmente amador e um cansativo deserto de ideias.

Wan parece acreditar que basta aumentar o volume da música ou meter umas criaturas sobrenaturais a correr aleatoriamente para gerar tensão, e por isso o filme limita-se a alternar entre o fastidioso e o irritante - mantendo-se quase sempre previsível e com alguns dos diálogos mais pobres dos últimos tempos (se a ideia era fazer-nos ter saudades de "Saw", funcionou).

 

Sustos, nem vê-los, por muito que os actores gritem - e dá pena ver Rose Byrne tão desperdiçada. Mas pior do que a tentativa de assustar, só mesmo a de fazer rir, evidente nas cenas com dois derivados de Caça-Fantasmas que apenas ajudam a afundar ainda mais o resultado.

Ainda assim, no final há algo que assusta realmente: saber que um filme destes, fortíssimo candidato a pior do ano, tem invadido várias salas de cinema quando tantos outros (bem melhores) passam a leste das atenções. Isso sim, é arrepiante.

 

 

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