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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

A cor do dinheiro

 

Enquanto a última edição dos Óscares andou entretida com filmes simpáticos e amenos para toda a família, uma das obras mais lúcidas e adultas do cinema norte-americano recente arrisca-se a passar ao lado de muitos.

 

É certo que "Margin Call — O Dia Antes do Fim" foi premiado, por exemplo, pelos Independent Spirit Awards, o que prova que há quem esteja atento, mas é estranho que esta primeira obra de J.C. Chandor, até por ter no elenco nomes como Kevin Spacey, Jeremy Irons ou Demi Moore - que vão todos muito bem, já agora -, fique relativamente longe dos holofotes.

 

Sem ser um portento cinematográfico, este olhar ficcionado (mas não muito) sobre as origens da crise financeira, em 2008, além de nos dizer mais sobre o mercado laboral dos dias de hoje do que muitos debates e noticiários, faz da precariedade, da desconfiança e da solidão os fantasmas de um thriller sem um grama de sensacionalismo.

 

Concentrando-se num espaço temporal curto - a acção ocupa pouco mais do que uma noite -, J.C. Chandor aproveita a força dos actores (apesar do carisma dos veteranos, convém prestar atenção aos mais jovens Zachary Quinto e Penn Badgley) e a agilidade dos diálogos para tecer uma narrativa sóbria - e simultaneamente tensa - que perde em picos dramáticos o que ganha em realismo. E insiste em não nos facilitar a vida: sim, esta gente é responsável pela crise, mas as personagens são tratadas com a complexidade e ambivalência que merecem. Porque o mundo não é a preto e branco e é bom que alguns filmes não se esqueçam disso...

 

 

Em órbita, oito anos depois

 

Já não falta muito para a edição de "Wonky", o oitavo álbum dos Orbital e o primeiro da dupla britânica em oito anos. O disco chega a 1 de Abril e, pelos temas que pudemos ouvir até agora, não parece ficar a dever muito aos melhores dos irmãos Hartnoll.

 

No final do ano passado, o primeiro single, "Never", foi um óptimo aperitivo. Já "New France", revelado há poucas semanas, é uma colaboração com Zola Jesus que acaba por soar mais a uma remistura... mas o que importa é que soa bem.

 

O videoclip, ao contrário de muitos dos Orbital - mais contemplativos do que narrativos -, conta uma história que alia simplicidade, imaginação, sentido de humor e coração (mesmo que não tenha grande relação com a música):

 

 

Além de "New France", vale a pena ouvir e espreitar "Straight Sun", cujo videoclip lembra, por vezes, o de outros colossos da música de dança britânica dos anos 90 aqui recordado há poucos dias. O tema, esse, é indubitavelmente Orbital - cuja produção, até ver, transitou muito bem de década: