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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Uma aventura no desktop

 

Uma das (boas) apostas da Rock Action, editora dos Mogwai, os também escoceses Errors editaram em Janeiro aquele que é já o seu terceiro álbum, "Have Some Faith In Magic".

 

Mais do que o pós-rock dos padrinhos, "Pleasure Palaces", um dos singles, lembra as experiências de Panda Bear (sobretudo pela manipulação vocal), mas felizmente numa versão bastante melhorada. Além de uma boa canção, o grupo propõe um dos videoclips mais imaginativos dos últimos tempos, algures entre uma festa e uma revolução digital num ecrã de computador:

 

Dançando a decadência

 

O electroclash pode já ter tido os seus dias mas os Vive la Fête, indiferentes às modas do momento, parecem continuar iguais a si próprios e a resgatar doses generosas de new wave ou synth pop.

 

Como em grande parte dos singles dos belgas, a pista de dança volta a ser o alvo de "Décadanse", o novo avanço para "Produit de Belgique".

 

O grupo celebra a chegada deste sétimo disco, descrito como o mais próximo do seu formato ao vivo, com um videoclip condizente: não precisa de mais de uma actuação e da atitude enérgica de Els Pynoo, saltitante como sempre e bem acompanhada pelos outros elementos. Nada de novo, tal como a canção, mas com balanço suficiente para abrir o apetite para o álbum:

 

Os miúdos estão bem

 

Por muito tentador que seja fugir de um filme intitulado "ETs In Da Bairro" (inacreditável tradução para "Attack the Block"), é uma pena passar ao lado da primeira obra de Joe Cornish devido a esse eventual contacto inicial.

 

Porquê? Porque está aqui um dos filmes mais (saudavelmente) tresloucados dos últimos tempos, carregadinho de ideias - nem todas originais mas quase sempre boas - e a milhas das inanidade que o título português sugere.

 

Apesar de se estrear na realização, o também comediante e argumentista britânico mostra, além de um descaramento (controlado) acima da média, um perfeito entendimento do conceito de economia narrativa, não precisando de mais de hora e meia para juntar acção, humor, ficção científica, terror e até alguns ecos do realismo britânico nas doses certas.

 

No meio deste ambicioso entrosamento de géneros - abordado com uma despretensão que só lhe fica bem -, ainda consegue dar espaço às suas personagens (e são muitas), não desenvolvendo tantas como talvez merecessem mas dando a cada uma, pelo menos, uma ou duas oportunidades para brilhar (o carinho que tem por elas é palpável, mesmo que nem todas cheguem ao final do filme).

 

Aliando um óbvio savoir faire a uma sensação de puro gozo, Cornish dá a este confronto entre miúdos arruaceiros e invasores extraterrestres um ritmo com tanto de divertido como de trepidante, tornando um bairro londrino já de si sinuoso num campo de batalha inesperado.

 

Entre essa tensão crescente, não evita piscadelas de olho à luta de classes (é um filme britânico, afinal), felizmente sem forçar muito a nota, e um mergulho em vários recantos da cultura pop, sobretudo audiovisuais - onde tanto cabem referências explícitas a "O Senhor dos Anéis" ou "28 Dias Depois", "Naruto" ou "Pokémon", como paralelismos com a saga "Alien" ou "Os Goonies".

 

A banda sonora dos Basement Jaxx, que dificilmente poderia ser mais apropriada, e uma energia visual contida mas impressionante (às vezes o baixo orçamento é uma vantagem) ajudam a fazer deste o filme que "Super 8", embora com qualidades, não conseguiu ser (aqui sim, parte-se da homenagem para criar um imaginário próprio). É pena que o igualmente fresco "Crónica" já tenha saído das salas, porque teria em "Attack the Block" (sim, ignoremos o título português) a companhia ideal para uma sessão dupla irrecusável.