Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

O sabor da cereja

 

Já passaram 16 anos desde o último disco a solo de Neneh Cherry, "Man" (1996) - o tal que a catapultou de vez para as rádios e televisões com "Woman" e "Seven Seconds" (ao lado de Youssou N'Dour), de longe os temas mais populares a que deu voz.

 

Não esteve parada entretanto: depois da viragem do milénio, a cantora sueca assinou colaborações de boa memória com os Gorillaz, Groove Armada, Kleerup ou 1 Giant Leap e até formou uma banda, CirKus, com o marido (o produtor Cameron McVey) e a filha.

 

Mas é agora, com "The Cherry Thing", que mais se aproxima de um regresso a sério, mesmo que o disco resulte de uma parceria com o (também escandinavo) trio jazz The Thing.

 

Distante dos hinos pop que a levaram a um público alargado em finais dos anos 90, o álbum parece recuperar o gosto pela diluição de fronteiras que fez de "Raw Like Sushi" (1989) e "Homebrew" (1992) discos marcantes - e precursores do que viria a chamar-se trip-hop.

 

Entre os temas do alinhamento, quase todos versões, encontra-se "Dream Baby Dream", releitura do tema os Suicide que conta já com uma remistura de Kieran Hebden (ou seja, Four Tet), disponível no vídeo abaixo. Para ver e ouvir fica também "Accordion", versão de Madvillain/MF Doom e um single muito menos radiofriendly do que os de outros tempos:

 

 

 

California dreaming

 

Dois anos depois de "Crazy for You", simpatiquíssimo disco de Verão, os Best Coast regressaram às edições e propõem-nos agora "The Only Place", que volta a transpirar um ambiente soalheiro.

 

O novo single do projecto de Bethany Cosentino e Bobb Bruno é precisamente a faixa-título, uma ode à costa oeste e ao sol da sua Califórnia natal. O videoclip segue pelo mesmo caminho, com direito a refrescos e melancia, praia e piscina ou passeios de descapotável e bicicleta. "Why would you live anywhere else?", pergunta Cosentino, e torna-se difícil não concordar com ela:

 

Cuidado: perigo de explosão

 

Enfim, esperemos que não chegue a tanto, mas a estreia dos Light Asylum em Portugal, na próxima sexta-feira, promete ser daquelas capazes de causar estragos. O duo de Brooklyn (mais um, é verdade, embora diferente de tantos outros) tem um dos discos mais poderosos do ano - de título homónimo - e as suas canções tensas são um óptimo pretexto para a noite Black Balloon #6, no Lux, em Lisboa - que inclui ainda como chamarizes os Capitão Fausto, antes, e os Planeta Pop DJs, depois.

 

A voz gutural de Shannon Funchness, assim como a sua imagem, tem-lhe rendido comparações a Grace Jones (versão particularmente infernal) e os sintetizadores de Bruno Coviello, muitas vezes frenéticos, lembram ambientes dos New Order, Crystal Castles, Clan of Xymox ou Nine Inch Nails. Aliás, o Trent Reznor de há uns anos haveria de gostar de uma luta na lama com a vocalista, que se sai muito bem por sua conta no videoclip mais recente do projecto: