Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Febre de sábado à tarde

 

"Julho é melhor que Novembro, lá fora está grande brasa", diz-nos Diego Armés. Este ano nem tanto, convenhamos, mas não é por isso que "Sábado à Tarde", a canção que inclui esta citação, deixa de ser um relato certeiro - e divertido, e muito lisboeta (nem sequer falta a Feira da Ladra) - do dia mais aguardado da semana.

 

Quem o faz são os Feromona no tema de avanço para o seu novo EP, "Aquelas Três", que inclui ainda "1991" e "Ché Guevara Eunuco", outros exemplos de boa convivência entre revivalismo 90s, não só musical (tanto se recordam heróis do grunge como os de "Ruptura Explosiva", de Kathryn Bigelow), um sentido de humor aguçado e um despojamento que já faz parte da imagem de marca do grupo.

 

Gravadas no auditório da Fábrica da Pólvora, em Oeiras, estas três canções estão disponíveis para audição e download gratuito no SoundCloud da banda, mas quem quiser tornar as tardes de sábado dos Feromona mais agradáveis pode optar pelo download no Bandcamp (oferecendo o valor que entender). Como incentivo, aqui fica o videoclip de "Sábado à Tarde":

 

No reino da infância

 

"Moonrise Kingdom" tem Wes Anderson estampado em cada fotograma. Dos enquadramentos à fotografia, da linguagem corporal às expressões das personagens, passando pela indumentária e adereços (com uma direcção artística perfeccionista como poucas), há uma estética que, goste-se ou não, só poderia trazer a assinatura do norte-americano.

 

Se no plano formal estamos em território reconhecível e idiossincrático, as temáticas deste sétimo filme não divergem das que o realizador tem vindo a abordar desde "Bottle Rocket" (1996): a família (e as suas disfuncionalidades), o crescimento, a diferença, a inadaptação ou a solidão, trabalhadas num argumento onde o drama não passa sem a comédia (e vice versa).

 

Mais do mesmo? De certa forma sim, mas ao contrário de grande parte da filmografia de Anderson, aqui a narrativa é mais do que uma acumulação vistosa (e exibicionista) de maneirismos, excentricidades e citações cinéfilas, com as personagens a conseguirem ir um pouco além da caricatura (os protagonistas, pelo menos) e uma carga dramática mais equilibrada do que o habitual.

 

Nos seus melhores momentos, "Moonrise Kingdom" é mesmo dos olhares sobre a infância mais bonitos (e por isso melancólicos) que têm chegado ao grande ecrã ultimamente, com a proeza de nos dar a ver o mundo a partir dos seu par protagonista - um casal pré-adolescente que tenta fugir do mundo dos adultos enquanto partilha a paixão pelo escapismo da literatura infantil/fantástica, da música pop emergente (a acção é ancorada nos anos 60) ou da curiosidade que leva à aventura (maior do que a vida, mas plausível quando se tem 11 ou 12 anos).

 

Como esta não deixa de ser uma obra de Wes Anderson, ainda há mudanças despropositadas de tom (a sequência com Jason Schwartzman ou a cena do raio, por exemplo, só estão aqui para reforçar o obrigatório travo offbeat) e o virtuosismo formal, que torna o filme numa elaborada peça de relojoaria, trava alguma força emocional. Mas desta vez, a qualidade sai quase sempre a ganhar ao defeito (ou feitio, se quisermos, que continua a não ser para todos...).

 

 

Não há bacalhau, mas há filmes (de entrada livre)

 

O cinema pode não ser das principais exportações da Noruega, mas durante alguns dias vai ser partilhado no Goethe-Institut, em Lisboa. A primeira edição da Semana de Cinema Norueguês decorre entre 9 e 13 de Julho e propõe uma sessão diária, de entrada gratuita, sempre às 19h30 e ao ar livre.

 

O ciclo de cinco filmes, todos da nova geração do cinema norueguês, inclui o épico histórico "The Kautokeino Rebellion", de Nils Gaup (dia 9); o drama conjugal veraneante "Limbo", de Maria Sødahl (dia 10); o retrato coming of age "The Man who Loved Yngve" (na foto), de Stian Kristiansen (dia 11); a animação familiar "Kurt Turns Evil", de Rasmus Sivertsen (dia 12); e o documentário "The Snow Cave Man", de Fritdjof Kjæreng, que acompanha um ermita das montanhas norueguesas (dia 13). Os trailers de dois deles são uma boa forma de deixar o convite: