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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Fundo de catálogo (88): Portishead

 

"Dummy" (1994), uma das bíblias do trip-hop e um dos discos mais aclamados dos anos 90, será, para muitos, o álbum de referência dos Portishead, ainda que o mais recente "Third" (2008), embora menos consensual, seja defendido por se aventurar além do território reconhecível (talvez até demasiado) de "Portishead" (1997).

 

Estes três registos de originais de uma discografia tão curta como influente eclipsam, por vezes, aquele que, sem ter a mais valia de incluir canções inéditas, triunfa por mostrar o trio de Bristol a ganhar pontos num formato encarado, por muitas bandas, como uma mera picagem de ponto: o do disco ao vivo.

 

Juntando canções dos dois primeiros álbuns dos Portishead (com vantagem para o segundo), "Roseland NYC Live" (1998) propôs um meio termo entre familiaridade e ousadia, captando a noite em que o grupo partilhou o palco do Roseland Ballroom, em Nova Iorque, com uma orquestra de 35 elementos.

Sem precisar de alterar radicalmente as canções, a colaboração deu a algumas a intensidade que a versão dos álbuns não agarrava por completo, levando mais longe o cruzamento do orgânico com o electrónico e comprovando que a voz de Beth Gibbons dispensava quaisquer truques de estúdio.

 

Outro elemento curioso desta espécie de best of (prematuro e em palco) é que os "clássicos" da banda nem são os momentos que mais brilham (mesmo que brilhem bastante). O concerto (que pode recordar-se na íntegra aqui) deu nova vida a canções mais obscuras como esta "Half Day Closing", aqui mais assombrosa do que nunca - e a deixar saudades das madrugadas de "Chill Out Zone", da MTV, onde era presença regular por alturas da viragem do milénio:

 

Tempo de nascer

 

2012 ainda não terminou e até pode revelar mais algumas surpresas, mas já há nomes que vão abrindo o apetite para as novidades discográficas do ano que se avizinha. Gabriel Bruce é um deles.

 

O álbum de estreia do britânico de 23 anos, "Not in Arms", está agendado para Fevereiro, e um dos prováveis (e brilhantes) temas do alinhamento, "Sleep Paralysis", começou por despertar atenções há uns meses - para o conhecer ou recordar, basta saltar até este post.

 

"Perfect Weather", o novo single, volta agora a suscitar comparações com a voz de barítono de Leonard Cohen ou com a pompa de um Patrick Wolf (muito por culpa dos sopros), mas surge condimentado com uma carga épica que também faz lembrar, por exemplo, o rock electrónico e amargurado dos Handsome Furs - tudo sem deixar de manter bem patente a assinatura do londrino, que protagoniza um videoclip tão gótico como a canção:

 

Um islandês (e três franceses) em Paris

 

A voz de Daníel Ágúst costuma ser parte integrante dos discos dos Gus Gus, mas o vocalista dos islandeses também participou, no ano passado, no álbum mais recente dos Scratch Massive.

 

Da colaboração com a dupla francesa nasceu "Paris", um dos momentos mais melancólicos de "Nuit de rêve", exemplo de electrónica contemplativa com qualquer coisa de dançável.

 

O tema é o novo single de um disco que não merece ficar esquecido e conta agora, no videoclip oficial, com imagens a cargo de Zoe Cassavetes, filha de John Cassavetes e Gena Rowlands que, tal como o pai, é realizadora. O cinema, não necessariamente o do autor de "Uma Mulher Sob Influência", inspira, aliás, o triângulo amoroso com final infeliz que tem a canção como banda sonora: