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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Queer São Paulo

 

"Moon" já era uma das melhores canções de "Estrela Decadente", o segundo álbum de Thiago Pethit, editado no ano passado e disponível para download gratuito no site oficial do brasileiro. Agora, o tema foi escolhido como nova aposta promocional do disco e tem videoclip à altura.

 

"It might be soon, my heart changes with the moon", repete o cantautor-revelação no refrão da canção bilingue, exemplo de indie pop de boa colheita (e com base instrumental a dever alguma coisa a "My Moon My Man", de Feist). O realizador Heitor Dhalia acompanha essa hesitação emocional e segue o protagonista de um triângulo amoroso, filmando-o em cenas caseiras íntimas e visitas a ruas de São Paulo de fama questionável.

 

A relação entre a música e a imagem é bem mais harmoniosa do que a das personagens e o videoclip/curta-metragem mais do que cumpre a sua função: resulta num belo pretexto para (re)descobrir as canções de Pethit.

 

Iniciação a uma vida banal - o manual

 

Na quinzena em que os Arctic Monkeys regressam com novo disco, outros retratistas do quotidiano juvenil britânico (e não só) também voltam a fazer-se ouvir, embora de forma mais discreta (sobretudo fora de terras de Sua Majestade).

 

Dois anos depois de uma boa estreia, "Stereo Typical", os Rizzle Kicks, agora já na casa dos 20, apresentam as crónicas dos seus "Roaring 20s". Tal como no primeiro álbum, as palavras são encaixadas em ritmos que vão do hip-hop ao ska, do big beat ao reggae ou do jazz a outras geografias. O que não muda tanto é o ambiente habitualmente lúdico e descontraído desta fusão, aproximando a dupla de antecessores como os conterrâneos Specials ou os Dream Warriors, do outro lado do Atlântico, e não tanto do rock, por vezes mais turvo, da banda de "I Bet You Look Good on The Dancefloor".

 

O sentido de humor e a carga veraneante das canções de Jordan "Rizzle" Stephens e Harley "Sylvester" Alexander-Sule não impedem, mesmo assim, o tom crítico de muitas das suas observações, num alinhamento pronto a desembocar numa "conscious party", como diriam os Asian Dub Foundation. Uma festa que tem entre os convidados Jamie Cullum, Fatboy Slim, Damian Marley ou os one hit wonders EMF, estes últimos não numa colaboração mas através de um sample (de "Unbelievable", o tal hit, claro) que carrega uma canção às costas. A canção sabe disso, chama-se "Skip to the Good Bit" e pode ser ouvida abaixo numa versão ao vivo. Antes fica "That's Classic", um dos novos singles, e depois "Dreamers", repescado do primeiro álbum do duo de Brighton:

 

 

 

A fuga de Logan

 

Wolverine pode dizer que é o melhor no que faz, mas a sua nova aventura no grande ecrã é mais modesta do que insuperável. O segundo filme dedicado ao mutante mais popular da Marvel (e arredores) nunca rasga a memória da história de BD que o inspirou (a mini-série de 1982 assinada por Chris Claremont, Frank Miller e Joe Rubinsten, basilar para a personagem) e também fica aquém dos (intrigantes) primeiros posters do que parecia um blockbuster de câmara.

 

Por outro lado, os trailers atiravam as expectativas lá para baixo e, nesse aspecto, "Wolverine" surpreende: não, esta adaptação está longe de ser o retrato definitivo de Logan, embora mostre um anti-herói com estofo para aguentar desafios em nome próprio no cinema. Hugh Jackman ajuda bastante, claro, e já nem precisava de dar mais provas - ao contrário do que poderá dizer-se de alguns colegas de equipa, é difícil imaginar outra figura na pele de Wolverine. James Mangold tira partido disso e dá espaço à personagem e ao actor, mesmo que o filme mantenha o problema habitual da saga mutante no grande ecrã: tem gente a mais e alguns antagonistas são redundantes. Ainda assim, há caras conhecidas da BD a transitar bem para a imagem real, com destaque para Mariko e Yukio - respectivamente interesse amoroso e sidekick -, dois nomes essenciais das histórias de Wolverine no Japão. E a própria cidade de Tóquio, sem chegar a impor-se como personagem, tem direito a um olhar menos redutor do que o de algumas outras perspectivas norte-americanas.

 

Atrás das câmaras, James Mangold não vai muito além de um ilustrador correcto das pistas da BD, logo quem esperar um blockbuster "de autor" sairá desiludido. A vantagem é que "Wolverine" respeita não só a matriz dos comics como a coerência do universo delineado por Bryan Singer - em "X-Men " e "X-Men 2" -, nunca colocada em causa pelos realizadores seguintes da saga mutante. Já não é pouco, tendo em conta que se traduz numa aventura com um protagonista forte e um ritmo seguro, capaz de conjugar momentos de introspecção (centrados na vulnerabilidade física e emocional de Logan), disparos de adrenalina (como a trepidante sequência de pancadaria em cima de um comboio-bala) e piscadelas de olho aos filmes anteriores (sobretudo pela revisitação oportuna de Jean Grey). Podia ser melhor, é certo, dado o material de base, mas ainda fica do lado bom da filmografia de Mangold (ou seja, o lado de "Walk the Line", "O Comboio das 3 e 10", "Vida Interrompida" ou "Cop Land - Zona Exclusiva") e, coisa rara neste Verão, propõe um blockbuster em que o humano (e às vezes o animal) conta mais do que as máquinas.

 

 

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