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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

A hora da loba

 

Não serão exactamente a next big thing britânica - nem sequer parecem querer candidatar-se ao título -, mas os Wolf Alice têm vindo a deixar, pouco a pouco, boas canções pelo caminho. O caso mais recente é "Blush EP", editado há poucos dias, novo capítulo de um percurso iniciado em 2010 e ainda à espera de consolidar a personalidade.

 

Para já, o quarteto londrino entusiasma tanto nas incursões folk como na mais habitual mistura de indie rock, resquícios grunge e electrónica discreta. A voz expressiva de Ellie Roswell acompanha a versatilidade e as canções quase podiam ter B.I. dos anos 90 (Belly, Elastica e Furslide vêm à memória, assim como os mais recentes Howling Bells, We Start Fires ou Blood Red Shoes), não fosse o caso da atmosfera mais esparsa das últimas canções, a sugerir audições dos The xx.

 

"Blush EP" está disponível para audição gratuita, na íntegra, no Souncloud da banda, mas os Wolf Alice também sabem como trabalhar a imagem - com um despojamento e elegância à medida da música -, por isso convém espreitar os videoclips. "She" e "Blush" (grande canção) contam partes diferentes de uma história de (des)orientação sexual e emocional, a mais antiga "Fluffy" mostra uma aspereza a contradizer o título e "White Leather", ao vivo, leva a crer que Ellie Roswell também teria futuro como cantautora em nome próprio:

 

 

Por um mundo melhor (este e o outro)

 

Arcade Fire no Rock in Rio? A notícia quase parou o coração de uma imensa minoria, que não demorou muito a demonstrar a sua indignação na rede social mais próxima. Mas para quem não quer ver uma das bandas do momento confinada a uma cave e à disposição de meia dúzia de ilustres, essa confirmação faz todo o sentido. E mais sentido fará, quase de certeza, uma canção como "Afterlife" gritada a plenos pulmões por milhares a céu aberto. "Scream and shout", nem mais.

 

O novo single dos canadianos - e o melhor hino de "Reflektor" - já contava com um dos videoclips mais surpreendentes do ano, a mudar as regras do formato - filmado por Spike Jonze, em directo, nos Youtube Awards. A banda nem precisava de outro, mas ainda bem que há novas imagens para acompanhar a música. Em sete minutos e pouco, o vídeo de Emily Kai Bock diz mais do que a maioria dos filmes com direito a estreia em sala, em especial a quem já passou por uma situação semelhante à retratada. E não serão assim tão poucos, porque não há muitas coisas mais universais do que o amor e a morte. Obrigado, Arcade Fire, vemo-nos na Cidade do Rock: